Meio Ambiente

Turismo sustentável reduz impactos negativos na natureza

Visitar as Unidades de Conservação Estaduais administradas pela Fundação do Meio Ambiente (Fatma) contribui com os setores econômico, social e ambiental no que diz respeito à sustentabilidade de Santa Catarina

Visitar as Unidades de Conservação Estaduais administradas pela Fundação do Meio Ambiente (Fatma) contribui com os setores econômico, social e ambiental para a sustentabilidade de Santa Catarina

Texto: Aline Dall’Igna, Geraldo Genovez e Pâmela Fogaça

Aumentar a conscientização sobre as questões ambientais e ampliar a concepção acerca da sustentabilidade. Essas são as ações que se destacaram no mês de maio, em decorrência do Dia Internacional da Biodiversidade, proclamado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e comemorado no dia 22. Em 2017, a iniciativa teve como tema o Turismo Sustentável. O objetivo foi reconhecer o turismo como forma de estimular a economia e ainda divulgar os roteiros ecológicos presentes no planeta.

A missão deste ano, conforme explica a Organização Mundial do Turismo (OMT), é movimentar o consumo turístico a fim de minimizar os impactos negativos no meio ambiente, oportunizando ações políticas nesse quesito. Em relação ao plano nacional, a estratégia é apoiar. “O Ministério do Turismo está sensível a esse tema, tanto que tem apoiado importantes iniciativas no sentido de reconhecer as experiências bem-sucedidas no segmento para incentivar que o setor aposte cada vez mais no Turismo Sustentável”, revela Marx Beltrão, responsável pela pasta, no Portal online do governo.

Segundo Rita de Cássia Ramos, especialista em Direito Ambiental, o “Turismo Sustentável deve, acima de tudo, buscar a compatibilização entre os anseios dos turistas e os das regiões receptoras, garantindo não somente a proteção do meio ambiente, mas também estimulando o desenvolvimento da atividade em consonância com a sociedade local envolvida”, explica a profissional em seu blog.

Visitar as Unidades de Conservação Estaduais administradas pela Fundação do Meio Ambiente (Fatma) contribui com os setores econômico, social e ambiental no que diz respeito à sustentabilidade de Santa Catarina. Entre os 11 centros de defesa ao meio ambiente, a Fatma categoriza três Reservas: Sassafrás, Canela Preta e Aguaí, espaços destinados à proteção do patrimônio natural, restritos a pesquisadores. O órgão também está prestes a classificar outro centro, um Refúgio de plantas ameaçadas de extinção, que serve como uma estação ecológica e também não permite acesso.

Os demais são definidos como Parques, por serem mais flexíveis quanto ao uso da área e também pelo acesso do público, que é permitido. As unidades do Acaraí, Serra do Tabuleiro, Serra Furada, Araucárias, Frits Plaumann, Rio Canoas e Rio Vermelho cortam diversas cidades e são abertas para passeios em grupos. Os parques possuem gerências independentes, que definem horários de visitação, roteiros e excursões.

Conforme destaca Alexandre Waltrick Rates, presidente da Fatma, a fundação quer tornar os parques auto-sustentáveis. “Assinamos uma parceria com a Secretaria de Cultura, Turismo e Esporte para que seja feito um amplo estudo de como eles podem ser explorados para o ecoturismo. Só preserva quem conhece”, afirma. A ideia é gerar renda e divulgar as belezas naturais do Estado.

Acaraí promove conservação de ecossistemas costeiros

City Tour 360 (Acaraí)

Banhado pelo rio Acaraí e localizado na planície litorânea de São Francisco do Sul, o Parque Estadual Acaraí se tornou um ponto turístico de peso há 12 anos. Desde então, mensalmente, dezenas de visitas marcam a área de aproximadamente 6.667 hectares. Contemplando a Mata Atlântica em seu território, o parque oferece ações voltadas à recuperação do bioma, impulsionando passeios instrutivos sobre a conservação da biodiversidade, de bases sustentáveis e também ecossistemas costeiros de Santa Catarina. A visita é gratuita e não há a necessidade de pré-agendar o passeio.

A balneocamboriuense Giovanna Notari, de 20 anos, foi passear com a família no local e adorou a visita. “O que mais me chamou a atenção foram as dunas, que proporcionam uma vista maravilhosa lá de cima. Também adorei conhecer a restinga”. Ainda no parque, a jovem pôde conhecer melhor o habitat natural de inúmeras espécies aquáticas, como tartarugas marinhas, crocodilos e peixes, numa fauna repleta de répteis, anfíbios e mamíferos.

Serra do Tabuleiro oferece estudos botânicos

Flávio Tin - ND (Serra do Tabuleiro)

Considerado pelo Estado o maior centro de proteção integral, o Parque Estadual Serra do Tabuleiro ocupa 1% do território catarinense, contemplando o abastecimento de Florianópolis, Santo Amaro da Imperatriz, Palhoça, São Bonifácio, Águas Mornas, Paulo Lopes, Imaruí e São Martinho com os seus mananciais hídricos. Além de servir como local para turismo ecológico de quarta-feira a domingo, a unidade de 84.130 hectares oferece base para estudos botânicos e educação ambiental.

À procura de ar puro e por momentos junto da natureza, o assistente jurídico Marcello Campani decidiu conhecer a Serra do Tabuleiro em maio do ano passado. A visitação guiada por profissionais capacitados fez toda a diferença durante o passeio. “A boa estrutura do lugar e o conhecimento técnico dos guias sobre a história do parque e sua fauna e flora tornou o tour mais didático”, ressalta. Apesar da boa experiência, Marcello sugere a implantação de placas no caminho para orientar os visitantes.

O Parque Estadual Serra do Tabuleiro cumpre o papel de promotor do desenvolvimento regional e fomento da produção agroecológica. A gestora da unidade, Morgana Eltz, enfatiza a importância da utilização das unidades para o bem. “Os parques são espaços de lazer das populações, na educação ambiental e nas pesquisas científicas”, afirma.

Serra Furada investe na preservação de nascentes

Renato Grimm (Serra Furada)
Pedra Furada P.N. Serra da Capivara, PI © Copyright Fotografias – Renato Grimm http://www.bemtevibrasil.com.br

Prestigiada pelas paisagens exuberantes, a Unidade de Conservação de Proteção Integral referente ao Parque Estadual da Serra Furada liga os municípios de Orleans e Grão-Pará. São 1.330 hectares marcados pela preservação de nascentes de córregos. Apesar de estar situado em um pequeno território, tal nicho ambiental, representado pelo desenvolvimento de pesquisas científicas, dá ao parque relevância ecológica suficiente para compor parte da zona núcleo da Biosfera da Mata Atlântica.

Quem esteve na região foi Cecília Rodrigues, artista catarinense especialista em artesanato ecológico. Para ela, a Serra Furada inspira e conscientiza. “Priorizo a utilização de materiais sustentáveis na produção das minhas artes. Conhecer o centro de proteção foi contagiante para a minha família, que aprendeu sobre história do parque e a sua importância para a preservação de plantas e animais”, explica. O passeio foi realizado nas férias de verão, em 2016.

Vanessa Matias Bernardo, gestora do Parque Serra Furada, confirma a estratégia de conservação da biodiversidade. “Diversos estudos dão respaldo à importância dos centros como garantidoras da biodiversidade”. Ela ainda reitera a função na conservação da Mata Atlântica nas encostas da Serra Geral, assim como toda fauna e outros seres vivos associados a esse ecossistema.

Parque das Araucárias protege plantas em extinção

Gabriel Schlickmann - Mafalda Press (Araucárias)

A cidade de São Domingos, situada na Bacia do Rio Chapecó, tem em seu território um pequeno centro de apenas 612 hectares conhecido por ser a primeira Unidade de Conservação sob a responsabilidade do Governo do Estado. Aberto nas quartas, quintas e sextas-feira, o Parque das Araucárias duas trilhas ecológicas: a do Mirante e a das Cascatas, ambas com aproximadamente 3,5 km sob a perspectiva de uma antiga madeireira.

O publicitário e designer João Guilherme Simon conheceu o parque este ano. “Estive lá em duas oportunidades, uma em janeiro, quando desbravei a trilha do Mirante; e outra em abril, quando fiz o caminho das Cascatas. Sem dúvida, um lugar incrível e propício para se conectar com a natureza”, conta. João também levou as filhas para o passeio. “Meu propósito era que elas soubessem que a extinção de plantas é algo que infelizmente atinge o nosso estado. O parque protege as araucárias e os xaxins”, conclui.

Parque Fritz Plaumann abriga animais nativos

Divulgação Fritz Plaumann

Quatro trilhas interpretativas, exposições, jogos e painéis temáticos tornam a visita ao Parque Fritz Plaumann mais atraente ao público que procura por turismo ecológico no Oeste catarinense. Situada na cidade de Concórdia, com 741 hectares, a unidade abre nas quartas, quintas e sextas-feiras, sendo necessário um agendamento prévio. O diferencial do parque é o aproveitamento hidrelétrico da Usina de Itá como medida de compensação ambiental.

O abrigo de animais nativos no local chamou a atenção da brusquense Maria Eduarda da Silva, que desenvolve projetos de proteção animal. “É um trabalho nobre em prol do meio ambiente. Admiro a Unidade de Conservação por conta da proteção que ela fornece aos veados, jacus, serpentes e tamanduás, alguns dos animais que correm risco de extinção, entre tantas outras espécies”, ressalta.

O gestor Carlos Cassini pontua a proteção da Floresta Estacional Decidual. “É um ecossistema muito descaracterizado pelo uso da terra. Manter uma área como a do parque preservada, garante a manutenção de um banco genético das espécies endêmicas desse tipo de floresta para projetos de restauração ambiental”, comenta.

Parque Rio Vermelho reintroduz animais silvestres na natureza

Divulgação Guia Regional (Rio Vermelho)

Com uma das trilhas ecológicas mais visitadas e um camping em meio à costa Leste do Estado, o Parque Rio Vermelho se destaca ainda pela reintrodução de animais silvestres na natureza, em Florianópolis. Aberto todos os dias, os turistas pagam um valor simbólico na entrada para conhecer o complexo hídrico, que é livre de contaminantes e faz a recarga de água do aquífero local.

Ao todo, o parque tem uma área de 1.532 hectares, sendo que 11% são de Mata Atlântica e 54% restinga. Os outros 35% correspondem ao plantio de eucaliptos e pinheiros. A contribuição da unidade não se restringe ao âmbito sustentável, uma vez que possui relevância cultural e histórica. Daniel Costa, gestor do parque, declara que, em geral as áreas administradas pela Fatma são fundamentais para a conservação da biodiversidade. “São um banco genético imprescindível para junto dos corredores ecológicos, recuperar e manter a Mata Atlântica em nosso Estado”.

Rio Canoas hospeda cânions e o crescimento de cactos

Ana Karina Belegantt - Rio Canoas

Campos Novos hospeda boa parte das riquezas naturais de Santa Catarina, encontradas no Parque Estadual Rio Canoas, um ambiente formado por paredões rochosos e cânions. Desde 2004, quando criado, o centro tem servido com abrigo para urubus-rei, pica-paus, gatos do mato e veados. São 1.200 hectares recheados de atrações ambientais e do crescimento de samambaias e cactos.

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