Comportamento

A vida de uma acumuladora compulsiva

Pessoas acumuladoras geralmente não percebem a atitude de guardar objetos como um problema ou uma doença

Pessoas acumuladoras geralmente não percebem a atitude de guardar objetos como um problema ou uma doença

A vergonha é um dos sentimentos mais ruins de sentir. Já imaginou passar por isso por conta de sua família, por não saber como agir em relação a um problema pessoal? A infância muitas vezes é difícil para algumas pessoas. Fase de aprendizados, de entender como as coisas acontecem. O problema vem quando você passa toda sua infância ou adolescência sem entender por que algumas coisas só acontecem com você.

Você já deve ter ouvido falar em acumuladores e, provavelmente, sem entender sobre o assunto, imaginou que são pessoas relaxadas e preguiçosas. O que acontece é que ser um acumulador é portar um transtorno. Agora, imagine uma criança ouvir todos os xingamentos possíveis por ser assim. Por não entender, e muitas vezes não perceber, que aquilo que fazia era errado.

Isso aconteceu desde cedo com Viviane*. Desde criança, ela teve essa falta de percepção. Não notava que estava acumulando lixo. O julgamento que vinha da família acabava deixando ela com vergonha e angustiada. “Eu só ficava triste e reclusa. Sentia um turbilhão de emoções sem saber o que estava acontecendo”. Mesmo com esse comportamento, é uma pessoa vaidosa.

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Conforme foi crescendo, notou que as coisas começaram a piorar. Resolveu morar sozinha. E, de repente, o lixo e a desorganização começaram a fazer parte de sua rotina. Os dias se resumiam a ir para o trabalho e voltar para casa. O máximo que fazia além disso era sair para comprar comida. “Só comia e sentia muita ansiedade e angústia”.

Ela vive só, não se expõe. Foi muito julgada pela família. Para ela, o problema é ter que fugir das pessoas. Nunca poder receber ninguém em sua casa.

Apesar de gostar de morar sozinha. Sinto falta da convivência com amigos em casa. De cozinhar para eles, de companhia para uma boa conversa. Você acaba se sentindo meio bicho, por viver só é como estivesse numa caverna.

Em meio a essa situação, encontrou amparo em uma amiga, na cunhada e no irmão. Eles procuraram entender o lado dela e, ao invés de julgá-la, deram um jeito de conhecer mais sobre o assunto. O que ajudou bastante foram as matérias jornalísticas que tratavam do assunto.

Uma vez, ouvindo rádio, um psiquiatra falou que pessoas acumuladoras se desligam delas mesmas. Não percebem o próprio ato de jogar um lixo no chão da casa ao invés da lata de lixo. Foi uma definição que a fez se identificar. “É como se eu me visse. Visse o que fiz com aquela embalagem de comida ou papel. Nem percebo como o descarto. Me senti mais leve por saber que não era simplesmente desânimo, preguiça, relaxo, como sempre ouvi”.

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Um dia, a mãe e o irmão a visitaram. Entraram no apartamento, com a chave da síndica. Eles queriam ver o apartamento, pois pretendiam vendê-lo. Viram todo o lixo. O irmão nunca falou nada. Porém, a mãe chegou em casa chorando e contou para a irmã, que passaram a chamá-la de preguiçosa, vagabunda e imunda. “A família sabe que eu tenho alguma coisa, mas são ignorantes e tomam por preguiça ou falta de higiene, sujeira mesmo”. Por conta disso, Viviane não tem um relacionamento bom com a mãe e acabam nem se falando.

Muitas pessoas se escondem devido ao preconceito da sociedade quando se trata desse assunto. A amiga, que é massoterapeuta, sugeriu que ela procurasse grupos no Facebook que tratassem do assunto, para que pudesse falar com outras pessoas e entender mais sobre o que estava passando. Mas, infelizmente, não encontrou muita coisa e pessoas que pudessem auxiliá-la. Por enquanto, não posso pagar um psicólogo e é difícil achar um grupo de apoio. Sozinha é muito difícil conseguir”.

Abaixo um vídeo que mostra mais sobre a vida de um acumulador;

* O nome da fonte foi alterado para preservar sua imagem.

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