Bem-Estar

Parto humanizado: um momento de amor e empoderamento

Muitas mamães são adeptas dessa maneira de trazer a luz seu bebê. Uma forma próxima do natural, já que só acontece quando tanto a mãe quanto o bebê estão prontos

Texto e edição: Dieize Coimbra, Marília Cordeiro e Victória Severo

Grande parte das mulheres grávidas sonha desde o início da gestação com o dia do parto, o momento em que verá seu filho pela primeira vez. Essa etapa única é aguardada por todas as mães e deve ser respeitada a tornando ainda mais especial.

A fisioterapeuta Claudia Barreto, grávida de 19 semanas, já escolheu como será o parto do Heitor: “optei pelo parto natural, normal, humanizado, que na verdade deveriam ser sinônimos”. A diferença acontece por ainda não haver em todos os atendimentos pré, pós e durante o parto um acompanhamento e tratamento humanizado com a mulher, o bebê e a família.

O parto humanizado é o parto normal acompanhado por uma equipe multiprofissional que oferece todo o suporte e conforto para a mãe. “Trata-se de um momento que não são necessários muitos procedimentos e sim acompanhar todos os períodos clínicos do parto até o nascimento, onde a criança é amparada pelo médico ou enfermeiro obstétrico”, explica a enfermeira Rosane Nascimento.

Essa equipe é composta por médico, enfermeiro, fisioterapeuta, psicólogo e, se a gestante solicitar, uma doula, que não tem permissão para realizar nenhum procedimento durante as contrações e nem no parto, apenas acompanhar a parturiente.

Rachel da Costa  é doula e explica que alguns médicos ainda não conhecem esse trabalho e tendem a dificultar o acesso em hospitais e salas de parto. “Existem algumas maternidades espalhadas pelo Brasil que tem em seu quadro de funcionários doulas voluntárias, porém, ainda são raras. Esse é o único tipo de parceria que existe com o SUS”.

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Foto Reprodução: Ana Steil/Rachel da Costa

Claudia comenta que tinha pouco conhecimento em relação ao trabalho das doulas: “Cheguei a ouvir: Por que pagar para alguém te fazer carinho?”. Hoje ela acredita que toda a mulher deveria ter o acompanhamento de uma, principalmente no decorrer da gestação. Elas oferecem uma segurança que os médicos, por questões de disponibilidade, seriam incapazes de oferecer. “Durante o parto, o empoderamento da mulher, ter ela como protagonista do momento, desvinculando a visão cirúrgica de algo tão natural que acontece por toda a humanidade, são fatores que podem fazer uma enorme diferença na progressão do parto”, relata Claudia.

A campeã de preferência ainda é a cesariana, segundo a enfermeira Rosane. “A mulher pode ter um parto cesariano humanizado, porém, a cesária não é considerada humanizada e sim agressiva tanto para a mulher como para o bebê”, pois a criança nasce em uma data escolhida pela mãe e não no seu momento natural.

Mesmo muitas vezes salvando vidas tanto da criança quanto da mãe, quando não há possibilidades de parto normal, a cesariana é um procedimento bastante hostil, pois são várias camadas de tecidos/pele que são cortados e o bebê, por vezes, precisa ser puxado com um fórceps (aparelho com duas pás alongadas, cujas pontas se curvam para se encaixarem à cabeça do bebê). “As mulheres que têm informações prévias a respeito preferem o parto humanizado”, explica a doula Rachel da Costa.

Em fevereiro deste ano foi publicada a Nova Diretriz Nacional de Assistência ao Parto Normal que envolve as recomendações sobre como proceder durante um parto, com informações atualizadas e baseadas em pesquisas cientificas.

A fisioterapeuta Claudia Barreto relata que por ser muito recente, essa nova diretriz encontra uma forte barreira, já que existem rotinas antigas sendo praticadas pelos profissionais da saúde no SUS, que se mostram resistentes a mudanças. As mulheres ainda se sentem inseguras em ficar suscetíveis ao profissional que estará de plantão em hospitais públicos. “Os casos de violência obstétrica não são poucos, por isso luto tanto e instigo o maior número de pessoas, gestantes ou tentantes a lutarem por um tratamento saudável, humanizado e respeitoso”.

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Foto Reprodução: Ana Steil/Rachel da Costa

Ansiosa pela chegada do primeiro filho, Claudia acredita que se for realmente necessário um parto cesariano ela não ficará frustrada. Toda mulher tem o direito de escolha, algumas são baseadas em pouco, ou nenhum conhecimento científico, apenas com base em contos populares e relatos de experiências tristes e sem humanização.

Grupo oferece encontros gratuitos para gestantes em Balneário Camboriú

Gesta: Grupo de Apoio a Gestante e ao Parto é o nome do grupo que se reúne quinzenalmente, às terças-feiras, das 19h30 às 22h. Os encontros são gratuitos e voltados para uma roda de conversa, perguntas e respostas, com um tema já pré-estabelecido pela doula Rachel da Costa. Podem participar tanto gestantes quanto familiares e tentantes.

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