Economia

Mercado de trabalho: as vantagens e desvantagens de ser um freelancer

Renda extra, serviço de última hora, ser seu próprio patrão. Todas essas características pertencem ao universo dos trabalhadores denominados freelancers. Pontos positivos e negativos fazem parte deste método profissional.

Texto por: Dienifer Mânica, Karine Amorim, Thais Lamin e Thayná Barretto.

Você sabe o que é um freelancer? Bem, para sermos exatos, de acordo com o dicionário, a palavra é de origem inglesa e é um termo utilizado para denominar um empregado autônomo. Ou seja, aquele trabalhador que guia seu próprio serviço e se autoemprega em diversas empresas, atendendo seus clientes de forma independente. Popularmente conhecidos por “freelas”, eles podem ser músicos, fotógrafos, jornalistas, projetistas e tantos outros profissionais das mais diversas áreas.

A ideia de trabalhar para si mesmo parece perfeita, não é mesmo? Mas, como tudo possui dois lados, nem sempre é um mar de rosas. Apesar da possibilidade de ser “seu próprio patrão”, criar seu próprio horário e cobrar seu próprio valor, há muitos pontos que podem dar errado. Primeiro, a preguiça tem que ser deixada de lado. Em segundo, nem sempre tem trabalho. Quando tem trabalho, nem sempre tem pagamento. Ser freelancer pode ser tão vantajoso e desvantajoso quanto ter um emprego fixo. Acredite.

Há 18 anos Rogério Marcos Lenzi entrava no mercado de trabalho como projetista gráfico e diagramador. Produzia livros, livretos, quadros, layouts de exposições e o que mais fosse solicitado. Seu trabalho se aperfeiçoava a cada dia, o que acarretou numa grande demanda por seus serviços. “As pessoas começaram a me procurar, talvez até pela falta deste tipo de profissional no mercado”.

Em um primeiro momento, Rogério até se animou com o trabalho de freelancer. “Me pareceu uma boa ideia, mas o tempo revelou uma desfavorável situação”. No decorrer de sua carreira, depois de muitos acontecimentos negativos, ele se retirou da função de “freela”. Em sua concepção, o maior motivo de sua desistência foram as inúmeras quebras de contrato e a falta de respeito do cliente em relação ao seu trabalho, como em relação ao valor cobrado e ao prazo de entrega de um produto. “Os desafios foram ótimos, pois retirei um resultado excelente: o aprendizado. Entretanto, a desinformação de como funciona este trabalho gerou muitos inconvenientes”. O projetista ainda complementa, “eu poderia explanar tantos outros aspectos ruins, mas penso que a desvalorização e falta de respeito com meu trabalho é o fator mais desmotivacional”.

Apesar de ser uma ótima maneira de ganhar a vida, Rogério não conseguia tirar todo seu sustento de seu trabalho autônomo. “O melhor retorno mesmo é o aprendizado, mas financeiramente falando é apenas um quebra-galho”. Para ele, o extra que ganhava não compensava sua fadiga em lidar com as desavenças enfrentadas a cada contratante.

Hoje em dia, o diagramador alega que raramente aceitaria realizar um trabalho como freelancer novamente. “Em geral, quando procuram meus serviços, as pessoas desistem de mim por dois motivos: primeiro digo que não tenho tempo e depois estipulo um valor alto (que seria o valor real a ser cobrado). Aí então eles dispensam meus serviços e eu os agradeço imensamente”. Agora seu sono está em dia e sua bagagem profissional não deixa de estar bem farta.

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Foto: Karine Amorim

Já a acadêmica de Administração e estagiária Naiara de Paula, 24 anos, trabalhou como freelancer por cerca de quatro anos na parte de divulgações de shows, e por fim teve uma experiência bacana. Ela conta que o mais interessante de fazer esses trabalhos é ter uma renda extra, mesmo quando se tem um trabalho fixo. “Uma das vantagens do trabalho de freelancer é que te dá retorno na hora, mas o ruim que não tem carteira assinada e em baixa temporada diminui os trabalhos”, completa.

A estudante de Direito e estagiária Jennifer Martins, 20 anos, que há cerca de um ano trabalha como freelancer como atendente de loja, conta que o motivo maior de pegar trabalhos assim é o salário extra e momentâneo. Porém, ela esclarece que às vezes deixa de estar em um momento de folga para trabalhar. “A pessoa tem que gostar muito de fazer trabalhos de freelancer, pois existem dias que tenho o meu momento de sossego deixado de lado para cumprir com o meu compromisso”, finalizou.

Ricardo Córdova Diniz é juiz na 3ª Vara Trabalhista (VT) no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de Itajaí. Com seu vasto conhecimento na área, ele explica que o trabalhador autônomo não possui os mesmos direitos previstos na Consolidação das Leis do Trabalho (CTL) para trabalhadores que possuem a carteira assinada. “A legislação trabalhista é destinada a empregados. Porém, não quer dizer que eles (os freelancers) não tenham direitos”.

Ricardo ainda esclarece que tudo depende do tipo de contrato que será firmado com a empresa ou com o contratante. “Normalmente, os autônomos fazem contratos de natureza civil. Nesta condição, suas obrigações e direitos estão previstos no Código Civil Brasileiro e no próprio contrato”, complementa. Além disso, o juiz expõe que existe outra lei para representar os comerciantes autônomos, que prevê sua indenização em casos de quebra de contrato.

Para finalizar, ele deixa uma dica crucial para todos os freelancers: nunca se esqueçam de pagar as contribuições para o INSS, pois isso lhes permitirá acesso aos benefícios previdenciários, como a aposentadoria. Ou seja, para ter seu direito, também é importante realizar seus deveres.

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Foto: Karine Amorim

Vida de fotógrafas

Fotografia é um ramo no qual muitos profissionais decidem trabalhar por si só, no estilo freelancer. A fotógrafa Karine Melo Bosse, 21 anos, é um exemplo disso. Além de possuir um serviço fixo como auxiliar financeira em uma empresa de internet, também possui dois serviços freelancers como fotógrafa e auxiliar de cerimonialista.

Ela trabalha há um ano e meio como fotógrafa e há quatro meses como ajudante de cerimonialista. Ela conta que as maiores vantagens de trabalhar dessa forma é que, na maioria das vezes, são trabalhos de apenas um dia e sem vínculos empregatícios. Ou seja, sem descontos no salário final. Porém, também há desvantagens, pois geralmente são em dias e horários de lazer. “Não tem sábado e domingo de descanso”.

Para ela, os três serviços lhe trazem vantagens, mas um se sobressai. “O que me traz mais retorno é fotografia, pois tem final de semana que consigo tirar mais que um mês inteiro de trabalho fixo. Porém, nem sempre temos trabalho nessa área”, ressalta. A fotógrafa ainda destaca que pretende trabalhar somente com a fotografia no futuro. “Porém, como foto no momento de crise atual é tratada como artigo de luxo, acaba que não temos trabalhos sempre. Tem mês que não se tem trabalho algum, e então o trabalho fixo ajuda”.

Por fim, Karine indica outras pessoas também a trabalharem com isso. “É uma ótima maneira de ganhar um dinheiro extra para compor a renda mensal e talvez se a pessoa gostar do que faz pode virar um grande empreendedor”, finaliza.

A fotógrafa Lediane Andrade, 25 anos, também trabalha como freelancer, mas exerce a função de vigilante como forma de serviço fixo. Ela começou a atuar como fotógrafa há apenas dois meses e afirma que isso ainda não lhe traz tanto retorno no quesito financeiro, mas lhe traz muitos outros retornos positivos. “Eu não vejo desvantagens porque tudo é aprendizado”, relata.

O maior sonho dela é sair da vigilância e trabalhar realmente com o que ela gosta. “Tem que gostar, na realidade amar mesmo. O que motiva mais é saber que um dia eu posso ser uma ótima profissional na fotografia reconhecida por várias pessoas. Amo registrar momentos e com isso trazer lembranças que ficarão para o resto da vida”, finaliza.

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Foto: arquivo pessoal

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