Comportamento

Feminismo e as princesas da Disney

Por: Alexsandra Souza; Kamila Dias e Suelen Oliveira

E lá estão elas. Em seus mundos, em seus reinos, com seus sonhos. E por esses sonhos nos convidam a viver a maior aventura de suas vidas. Muitas delas estão conosco a muito tempo, outras são recentes. Mas com todas aprendemos algo que nos levam a refletir.

As princesas da Disney existem da forma que conhecemos desde a década de 1930. Desde então muitas coisas mudaram. Seus cabelos, cor, etnias e sua forma de pensar sofreram alterações. Mulan, na década de 1990, contrariava todas as princesas até então, lutando por seu país e por sua família. Assumindo um lugar que não era dela e indo contra toda uma sociedade machista, ela se tornava a heroína da China.

A ideia de que para ser princesa e merecer um final feliz a menina tinha que se encaixar em vários padrões ao longo da vida foi reforçada por muitas gerações, através da educação e de preceitos machistas difundidos na mídia, que reforçavam estereótipos e comportamentos. A Dra. em Comunicação e especialista em gêneros Valquíria John explica que nem todas as meninas queriam se tornar princesas, mas que havia uma reafirmação constante dessa ideia, além de todo um contexto que ajudava a reforçar algumas ideias sobre o papel da mulher na sociedade.

Com as alterações dos contextos históricos e da maior representatividade da mulher em diferentes âmbitos da sociedade, os produtores midiáticos também tiveram que mudar a forma que mulheres são representadas em suas produções. Para Valquíria “é importante lembrar que as narrativas midiáticas sintonizam-se com seu tempo e sociedade, então tanto reforçam representações que já estão na sociedade quanto podem instigar a outras (e isso pode ser tanto positivo quanto negativo)”

A pedagoga e mãe da pequena Catarina, de 3 meses, considera importantíssimo que os filmes infantis tratem do feminismo, afinal, isso mostra para as crianças, principalmente para as meninas, que amor próprio, respeito e independência é fundamental. Isso também ajuda os garotos a entenderem que meninas não são fracas e que precisam ser respeitadas.

As princesas da Disney fizeram e fazem parte da infância de muitas pessoas, mas nem todas as garotas gostam de princesas. A prova disso é Layla Góes, 21 anos, que quando criança adorava desenhos considerados “de garotos” ao invés das princesas. Isso se reflete na sua filha, Lara Valentina, de 2 anos e meio, que não possui a mínima paciência para filmes de princesas. A menina passa horas assistindo Marshall e o Urso, mas não consegue ver Moana por dez minutos.

Por falar em Moana, ela é um dos exemplos de como a Disney tem mudado sua forma de contar histórias. A herdeira de uma tribo na Oceania, que com coragem resolve desbravar o temido oceano e salvar o seu povo e sua ilha, é sua própria heroína. Assim como Mulan, Elsa, Esmeralda e Valente, Moana não desiste dos seus sonhos e deseja a liberdade para tomar suas próprias decisões.

O discurso presente nessas histórias reflete um pouco da luta de todas as mulheres pela equidade de gêneros, direito à liberdade e de ser dona de si sem ter medo da rua, dos julgamentos e dos homens. Para a professora Valquíria John as “pautas feministas, as pautas voltadas para a questão da busca da equidade de gênero, estão se tornando mais frequentes nesses narrativas. Se elas são ‘cada vez mais feministas’ eu não tenho assim tanta certeza. Mas penso que temos avançado na ampliação das representações e isso é o importante. Quanto mais alargamos essas representações e quanto mais elas ajudarem a desnaturalizar os papéis atribuídos aos femininos e aos masculinos, mais possibilidades teremos de pensar em equidade.”

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Vida de Princesa

Algumas pessoas realmente gostam dos finais felizes e resolvem reproduzí-los na vida real. É o caso Adriana Büchele, de 25 anos, proprietária da empresa Grupo Dream Fantasy Personagens Vivos, que por causa da Bela, de a Bela e a Fera, aprendeu a amar livros, acreditar nos seus sonhos e ver além das aparências. Adriana sempre se identificou com a Bela, não só por causa do seu comportamento, mas fisicamente, pois era a princesa com cabelos e olhos castanhos, diferentes dos padrões das outras princesas.

Porém, Adriana explica que cada princesa ensinou algo a ela e tenta retratar isso em seus trabalhos. Para ela a mudança em como as princesas estão sendo representadas não é algo novo e, apesar de achar a história da Moana realmente inspiradora, não considera uma grande revolução, afinal a Disney fez Mulan inspirada em uma guerreira Chinesa que vai para a guerra como um homem e, mesmo correndo o risco de ser condenada à morte, salva o país e se torna a primeira princesa da Disney sem ligação com a realeza.

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Adriana Büchele participando ANIME FRIENDS 2015 como Esmeralda do desenho “O Corcunda de Notre Dame” – Foto: Ingrid Natalie

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