Economia

Morrer custa caro

Pensamos diariamente em como aproveitar mais e melhor nossa existência. Mas acredite, tem gente não só pensando, mas pagando pelo último serviço que terá de custear: seu funeral

Texto: Helena Moreira, Dieize Coimbra e Marília Cordeiro

Aposentada há pouco tempo, Ondina Coelho desde cedo se preocupou com o processo do seu sepultamento. Receosa, foi à procura de um serviço funerário para dar início ao pagamento de um pacote mensal para quando chegar a sua hora. Teve problemas na primeira opção, depois de pagar algumas parcelas, viu que a empresa não era confiável, então trocou.

“Preferi pagar um particular porque assim ninguém vai ter que se preocupar quando eu morrer”. Esse é o pensamento dela que, há cerca de 15 anos, paga todo mês R$ 42 – que, até o momento, soma R$ 7.500 – pelo plano no município de Navegantes, cidade onde quer ser enterrada.

Após perder seu sogro, Ana Beuting também precisou lidar com os custos que envolvem a morte e ajudou o marido com os procedimentos do funeral. Ela teve uma boa experiência (se é que isso é possível) com o atendimento da funerária. Mas houve disparidade nos valores de alguns serviços oferecidos que tiveram que ser resolvidos em cima da hora.

Os cemitérios particulares se tornaram uma opção nos últimos anos e tem sido mais procurados pelas pessoas. Fabiana Felício, auxiliar-administrativo de um cemitério particular, explica que o serviço também aluga apenas a capela mortuária e não é necessário enterrar o corpo no local. O valor do aluguel é em torno de R$ 550.

O cemitério, que funciona desde 2014, realiza em média o enterro de 5 corpos por mês. O valor de cada terreno sai por R$ 5.500. Caso a pessoa decida parcelar o pagamento, o cemitério oferece a opção para o cliente dar uma entrada e dividir o restante em 36 vezes de um valor fixo. Porém, essa opção tem acréscimo e passa o valor inicial.

Há dois anos, Emanuel Cordeiro por uma experiência que não gosta de recordar. Perdeu a esposa inesperadamente. “Ela foi no hospital em Curitiba fazer um exame e não voltou mais”. Pelo fato do casal já pagar um plano funerário, estava seguro que não precisaria desembolsar mais nenhum valor.

No entanto, no dia da morte de sua esposa, a administração da funerária ligou avisando que seria necessário pagar o translado do corpo de Curitiba para Navegantes, o enterro foi no cemitério municipal. “Paguei a parte que mandaram, mas não haviam avisado sobre isso”.

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Depois desse episódio dramático, Emanuel aumentou o plano funerário, incluiu sua mãe e agora paga por tudo. Um valor de R$ 35 por mês. “Sei que no fim das contas dá bastante, mas é melhor assim do que deixar as pessoas preocupadas quando eu morrer, assim como foi no dia em que minha mulher morreu”.

No cemitério particular, o corpo pode permanecer enterrado durante 5 anos e, após esse período, se a família autorizar, é realizada a exumação da ossada. Além do pagamento do terreno e da capela, Fabiana explica que é cobrado uma taxa anual da família, no valor de meio salário mínimo (R$ 460 aproximadamente) para a manutenção do caixão e da estrutura ao redor.

Satisfeita, Ondina diz ter feito a melhor escolha, parcelando para poder pagar em vezes e em quantias menores. “No mesmo pacote, coloquei meu marido e neto”. Escolhendo essa opção, a pessoa tem um pequeno aumento no valor das prestações e não precisa se preocupar com a burocracia que os familiares teriam que resolver após sua partida.

Capturar

Foi o que fez também o casal uruguaio Alaides Olivera, de 84 anos, e Osvaldo de Mello, de 94. A princípio Alaides tinha preferência pela cremação. Sempre foi contra cemitérios, nunca gostou dessa “parte” da cidade. Não queria de jeito nenhum ser enterrada. Mas logo que uma empresa funerária chegou no lugar onde mora, foi uma das primeiras clientes.

Escolheu tudo sozinha, sem o conhecimento dos familiares. Perguntou ao esposo Osvaldo se ele também gostaria, e ele aceitou. Tudo foi resolvido, já está decidido, inclusive, onde as cinzas serão jogadas. Escolheram um lugar ao ar livre que existe na cidade, onde há espaço para apresentações culturais, principalmente teatro.

Quando decidiu contar para a família, há dois anos, a reação foi de espanto. Os filhos acharam estranho. A ideia de morte é inevitavelmente ruim e, afinal, esse não é o tipo de planejamento mais otimista que se possa fazer. Ela precisou também de um documento para dar início a esse processo. Para isso, foi necessário um escrivão público fazer e autenticar essa “autorização”.

Alaides se sente satisfeita por deixar tudo encaminhado e exatamente do jeito que ela quer. Até levou sua filha ao lugar da cremação e ao espaço cultural da cidade onde as cinzas serão jogadas, para se certificar de que a família saberá exatamente do seu desejo em sua despedida final. O preço para a “realização” do casal foi de R$ 6 mil. Assim, eles têm certeza de que, mesmo depois de partirem, a escolha será deles.

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