Arte e Cultura

Entre bernunças e bois: Brincadeira continua unindo gerações

Apesar de não ser mais tão conhecida, a brincadeira de Boi de Mamão é uma das mais tradicionais expressões culturais do litoral de Santa Catarina. Vindo junto com os colonizadores, folguedo é uma variação do Bumba-meu-Boi e do Boi Pintadinho.

Apesar de não ser mais tão conhecido, o Boi de Mamão é uma das mais tradicionais expressões culturais do litoral de Santa Catarina. Herança dos colonizadores, folguedo é uma variação do Bumba-meu-Boi e do Boi Pintadinho. 

Texto: Kerolaine Rinaldi e Helena Moreira

“Cheguei, cheguei, cheguei, cheguei cantando agora. Se me der licença eu entro e se não der eu vou embora”

“Vamos moreninha, vamos até lá. Vamos lá na vila para ver meu boi passar”

“Eu caio, eu caio, na boca da noite serena eu caio. Eu caio, eu caio, na boca da noite serena eu caio”

 “Olê, olê, olê, olê, olé, olá, arreda do caminho que a Bernunça quer passar”

Foi ouvindo versinhos como estes que Silvio Valmor Vieira cresceu. Aos cinco anos ele já acompanhava o pai nas brincadeiras de boi de mamão pelos bairros de Itapema. Aos oito, começou a cantar junto com o grupo, de casa em casa. Hoje, aos 56 anos, é o verseiro principal do grupo de Boi de Mamão Raiz da Terra.

De acordo com a historiadora Géssica Francine da Rosa, as brincadeiras de boi são folguedos de origem açoriana e que têm uma ligação muito forte com a terra e a comunidade que dela vive. “A festa aqui chegou com os colonizadores portugueses e da Ilha de Açores. Embora seja tipicamente uma tradição catarinense, outros estados também apresentam suas variações do folguedo”, explica.

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Ao contrário de Silvio, Vanessa Correia conheceu as brincadeiras de boi já na idade adulta, quando levou seus alunos a um festival de folclore. Ela participa do folguedo há 10 anos e hoje ajuda na reforma dos brinquedos que são usados durante a apresentação. “Eu faço a reforma e a pintura da resina das cabeças dos bonecos, minha mãe costura as roupas que precisam ser trocadas uma vez ao ano e a estrutura é feita pelo Silvio, com madeira, ferro, canos e até magueiras”, detalha Vanessa.

Ela ressalta a tradição familiar do folguedo, afirmando que no grupo em que participa, dentre os 25 componentes, existem pessoas com idades de dois anos até idosos. Muitos integrantes possuem laços de parentesco. Essa foi umas das principais características que chamaram a atenção de Maria Carolina da Silva, de 21 anos,  e a motivaram a começar a cantar nas brincadeiras. “Os animais também sempre me encantaram e os versos simples, com falas do nosso povo, me cativaram. É algo que faz eu me lembrar das origens açorianas da minha família”, revela.

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Géssica esclarece que além da origem portuguesa, há também muita influência das brincadeiras de boi realizadas na Espanha, e que em Santa Catarina também podem ser vistas na farra do boi. É possível associar o boi de mamão também aos embates entre os portugueses e os mouros, principalmente na questão de cores vivas.

Quanto ao nome, não se sabe ao certo de onde veio. Antes da década de 1930, há registros do folguedo ser chamado de “boi de pano”, mas apesar de não haver consenso entre os historiadores, existe a hipótese de que na falta de uma cabeça para a confecção do boi, alguns participantes acabaram usando um mamão por ter um formato mais assemelhado e espetaram alguns palitos para formar os chifres.

Conheça a história contada nos folguedos do Boi de Mão:

(Fotos: Arquivo Pessoal de Vanessa Correia)

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