Meio Ambiente

Energia Solar: limpa, ilimitada e cara

Apontada como uma energia que não polui o meio ambiente, a energia solar sofre com altos impostos e taxas. Há procura pelo serviço, mas, as pessoas acabam desistindo por causa do preço.

Apontada como não poluente, alternativa sofre com altos impostos e taxas. Há procura pelo serviço, mas as pessoas desistem por causa do preço.

Texto: Carolina Santana, Any Costa e Gustavo Vasconcelos

Assistir à televisão, usar o computador, navegar na internet, carregar o celular, tomar um refrigerante geladinho, direto da geladeira, ou aquecer um prato de comida no microondas. Tudo isso só é possível por causa da energia elétrica. Estamos tão acostumados com tudo funcionando que quando acaba a luz, parece que nos desligamos também. Mas a geração de energia elétrica pode prejudicar o meio ambiente. No Brasil, 90% da energia elétrica vêm das usinas hidrelétricas, mas são as usinas termoelétricas de carvão e gás natural as mais comuns no mundo e são, também, as que mais emitem gases de efeito estufa e poluição do ar. Uma das consequências já sentidas por causa do efeito estufa é o aquecimento global.

Em 2015, durante a 21ª Conferência das Partes (COP21) das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (UNFCCC), em Paris, 195 países – entre eles o Brasil – aprovaram o Acordo de Paris, que tem como objetivo reduzir a emissão de gases do efeito estufa. O Brasil se comprometeu a aumentar a participação de energias sustentáveis, na quais a energia solar está presente. “O Acordo de Paris prevê incentivos na migração para energias limpas e tem como objetivo diminuir a temperatura média da Terra à um nível que nos permitirá no futuro viver com mais tranquilidade”, explica Marcelo Cunha, da empresa Energize Solar, de Balneário Camboriú.

Apesar de a maior parte da energia produzida no Brasil já ser limpa, ela também gera alguns impactos ambientais. “Quando você inunda uma área de terra fértil, você está perdendo área de agricultura. Se tem matas, você inunda florestas. E como a usina cria uma barreira no rio, isso passa a ser um obstáculo para processo de migração de peixes, seja para reprodução e/ou alimentação”, explica o professor de Impacto Ambiental da Universidade do Vale do Itajaí- Univali, Antonio Carlos Beaumord.

FOTO ITAIPU
Usina Hidrelétrica de Itaipu, localizada no Rio Paraná, na fronteira entre o Brasil e o Paraguai. (FOTO: Carolina Santana)

Uma opção limpa e de impacto ambiental quase nulo é a energia solar. A energia solar é a energia produzida pelo Sol. Por ano, o Sol produz cerca de 4 milhões de vezes mais energia do que nós consumimos. Além disso, é uma fonte renovável, isto é, vem de um recurso natural que é reabastecido naturalmente, sendo ilimitado o seu uso.

Uma forma de gerar energia pelo Sol é por meio das placas fotovoltaicas. A instalação pode ser feita de várias maneiras, sendo a mais comum a estrutura de alumínio colocada ao telhado para fixação das placas, no ângulo e direção corretos para a latitude. As placas são semicondutoras à base de silício. Quando recebem radiação solar liberam elétrons e geram energia. “O sistema tem garantia de fábrica de 25 anos. E é preciso fazer a limpeza das placas quando ocorre depósito de poeira ou folhas que por ventura caiam sobre elas”, esclarece o Engenheiro Eletricista, Ézio Bez Zanella.

Ézio tem uma empresa, a Eleltra – Serviços Elétricos, que trabalha com a instalação de placas solares para microgeração de energia, em Itajaí. Foi a Eleltra a responsável pela instalação das placas no Centreventos de Itajaí. De acordo com a prefeitura da cidade, as placas fotovoltaicas irão produzir 7 mil kWh por mês, gerando uma economia de R$ 4,2 mil mensais.

Marcelo Cunha, da Energize Solar, afirma que, atualmente, 9 mil pessoas geram a sua própria energia por meio do sistema de energia solar e isso vem crescendo cada vez mais. “Devido às altas taxas de energia elétrica empregadas no Brasil, além do modelo sustentável que o sistema opera”, explica Marcelo. Ézio concorda que existe uma procura, mas quando é explicado como funciona e informado o custo, as pessoas acabam desistindo do serviço.

FOTO PLACAS CENTREVENTOS
Placas fotovoltaicas instaladas no Centreventos de Itajaí pela empresa Eleltra – Serviços Elétricos. (FOTO: Assessoria da Prefeitura de Itajaí)

O custo médio em Santa Catarina é em torno de R$ 1.750,00 por placa instalada. “Uma instalação residencial típica com 16 placas, gerando 4KWp, fica em torno de R$ 28 mil. Infelizmente, com as tarifas e impostos, o custo/benefício é alto, é o retorno do investimento acontece a longo prazo”, explica Ézio. Mas tudo isso depende da necessidade e do gasto energético de cada consumidor, como explica Marcelo Cunha: “atualmente os projetos estão sendo orçados com um retorno de investimento na ordem de 5 a 6 anos”. No caso do Centreventos de Itajaí, a prefeitura diz que o investimento foi de R$ 425.050,69 e será pago através da economia de energia em 10 anos.

Outro problema atual da energia solar, citado pelo professor Antonio, é atender grandes demandas. “Para colocar isso no telhado de uma casa e esquentar água é bom demais. Mas para você colocar isso numa escala comercial, pode estar faltando ainda um pouco de tecnologia”. Tanto ele como o engenheiro Ézio concordam que a solução seria combinar várias formas de geração de energia limpa, que não poluem o meio ambiente. “A microgeração solar, junto com a geração eólica, junto com a geração de turbinas movidas pela variação da maré, diminuíram o uso de fontes de energia poluidoras, trazendo benefícios a população e ao planeta Terra como um todo”, completa Ézio.

Projeto Bônus Fotovoltaico

A Celesc, responsável pelo fornecimento de energia elétrica para grande parte de Santa Catarina, está realizando o projeto Bônus Fotovoltaico. O objetivo do projeto é incentivar a geração de energia solar fotovoltaica em até mil residências. Foram abertas inscrições para quem quisesse participar e os mil primeiros foram contemplados com um desconto de 60% nas despesas de instalação do sistema. De acordo com o site do projeto, o custo é de R$ 16.705,83, mas o consumidor só pagará R$ 6.682,33. Após a instalação das placas de energia solar, os beneficiados passam a utilizar a energia em casa e o que não for usado será convertido em créditos, o que pode resultar, ainda, em uma economia de R$ 2 mil no primeiro ano de operação do sistema.

A Celesc fornece energia elétrica para 2,8 milhões de unidades consumidoras e cada unidade utiliza, em média, 503,29 kWh/mês. Mensalmente, a empresa comercializa mais de 1 bilhão de kWh de energia elétrica para 258 dos 297 municípios catarinenses, além da cidade de Rio Negro, no Paraná. Isto se converte em um faturamento bruto anual na casa dos R$ 6,2 bilhões para a empresa.

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Ilustração que explica o funcionamento do sistema de energia solar. (FOTO: Celesc)
Sol de Norte a Sul

O Greenpeace Brasil produziu um webdocumentário sobre as pessoas que estão mudando de vida por conta da energia solar. O webdocumentário nomeado Sol de Norte a Sul conta com uma plataforma, na qual o internauta pode escolher se quer ver os vídeos, as fotos ou os infográficos disponíveis. São quatro sessões que podem ser visitadas. A primeira são os benefícios, a segunda são os entraves que não permitem que este tipo de energia seja disseminado, a terceira é um mapa para que os internautas insiram iniciativas ligadas a energia solar, e a última inclui vídeos com relatos de brasileiros que tiveram auxilio com a chegada da energia renovável. Não só pelo acesso à eletricidade, mas também pelo acesso a água potável, economia nas contas de luz, geração de empregos e muitos outros. Confira abaixo o trailer:

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