Cidades

A insalubridade na construção civil

Considerado o 2º segmento mais letal no Brasil, os profissionais da área se atentam para não virar estatística.

Profissionais da área tomam cuidados para não virar estatística. Segmento é considerado o segundo mais letal para os trabalhadores brasileiros.

Texto por: Dienifer Mânica, Karine Amorim, Thais Lamin, Thayná Barretto. 

Eles vivem nas alturas e estão sujeitos a todo o tipo de perigo – desde picadas de animais peçonhentos até quedas fatais. Trabalham sob pressão, possuem prazos para cumprir. Um descuido e tudo pode desmoronar (tanto a obra quanto a sua vida). A rotina de trabalho na construção civil é árdua e exige muita cautela. Os números não mentem: no ano de 2013, 2.797 profissionais da área perderam suas vidas em acidentes de trabalho no Brasil, assim calcula o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A construção civil ocupa o segundo lugar como segmento mais letal para os trabalhadores brasileiros, ficando atrás apenas do transporte rodoviário de cargas. Estima-se que aproximadamente 450 trabalhadores do ramo morrem por ano em decorrência de acidentes.

Considerada insalubre, a profissão garante ao empregado um adicional em sua remuneração, que é calculado consoante ao grau de periculosidade a que o indivíduo está sujeito. É uma maneira de indenizar o trabalhador, que em momento algum deve se isentar de tomar os devidos cuidados, pois além de preservar sua vida e integridade física, ele deve zelar pela sua equipe também.

Ivo Araújo Cruz tem 37 anos e desde muito jovem exerce serviços de serralheria, elétrica e hidráulica, no ramo da construção civil. Há 27 anos na área, relata que todos os profissionais devem estar atentos ao uso de equipamentos adequados e às normas para a segurança de si mesmo e de toda a equipe. “Uma vez estava mexendo com vários cabos de eletricidade em cima de uma escada, porém utilizando os equipamentos necessários (bota e luva) que me impediam de levar choque, quando um colega chegou e encostou em mim para me cumprimentar. Ele acabou levando um choque de alta tensão. Também levei, mas em menor proporção”, revela.

Oneres Cruz, o Tanaka, como é conhecido por seus funcionários, é mestre de obras há mais de 10 anos. Antes, exercia serviços de “peão”, mas que hoje em dia é ele quem “toca” uma obra. Tanaka ressalta a importância do uso de equipamentos de segurança para todos os envolvidos na construção.  “A gente sempre está concretando lajes altas e a cinta de segurança é um dos itens fundamentais, além de outros equipamentos, que são indispensáveis”, destaca. Certa vez, ele estava concretando uma laje quando o aparelho se soltou e bateu em sua orelha. “Estava sem o capacete, o que poderia ter evitado o impacto, mas graças a Deus ficou tudo bem no final”, conta aliviado.

Rogério Justo de Souza Santos tem 31 anos e era operador de sonda e auxiliar de sondagem. Por possuir mais de 12 anos de experiência, aprendidos na prática, era o responsável por sua equipe. Rogério sempre utilizou os equipamentos de proteção adequados ao seu serviço e, dessa forma, evitou diversos acidentes. Porém, ele relembra um fato inusitado. Estava trabalhando na margem de uma rodovia quando um caminhão bateu no veículo de trabalho que utilizava. A força da colisão entortou uma das portas do automóvel, que estava aberta. Por sorte, não havia ninguém em seu interior. “Sempre utilizamos todos os equipamentos para a segurança de todos nós, trabalhadores de um ramo tão arriscado. Um descuido pode gerar consequências graves. Imagina se alguém estivesse no carro? Poderia ter perdido a vida”, relembra.

De acordo com a técnica de segurança Grazieli Cruz, o uso dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI), como cintos de segurança para trabalho em altura, capacete, protetor auricular, luvas e botas reforçadas são essenciais para prevenir acidentes. Os Equipamentos de Proteção Coletiva (EPC), como plataformas de segurança, guarda-corpo e telas de proteção também são de suma importância para garantir a integridade física dos trabalhadores. Segundo Grazieli, são diversos os acidentes e incidentes que podem ocorrer nas construções. Entre os mais frequentes estão perdas auditivas ocasionadas pelos ruídos, escoriações e lacerações causadas pelas quedas de objetos, entre outros. “A maioria dos trabalhadores se recusa a utilizar os EPIs, alegando que são desconfortáveis e atrapalham no desempenho do serviço”, informa. Porém, se mesmo após ser alertado quanto ao uso do equipamento o funcionário não utilizá-lo, pode ser demitido por justa causa. “É obrigação do empregador fornecer os equipamentos de proteção e do empregado fazer bom uso deles”, conclui Grazieli.

O engenheiro civil Marcelo Gonçalves de Oliveira explica que quando o colaborador é flagrado sem os devidos equipamentos de proteção, recebe uma advertência escrita ou uma notificação, a qual deve assinar. Quando acontece um acidente, deve-se verificar se o trabalhador, na sua contratação participou de uma integração e se durante este processo foram informados a ele os equipamentos de proteção corretos para as atividades que ele executará em campo. O colaborador que sofre um acidente, com ou sem os equipamentos, é encaminhado ao hospital e as causas do acidente são apuradas. Em relação à periculosidade, o engenheiro é enfático: “todas as etapas da parte construtiva, desde a fundação até sua finalização, são consideradas perigosas”, alerta Marcelo.

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O que é insalubridade?

O artigo 189 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) considera insalubres “as atividades ou operações que, por sua natureza, condições ou métodos de trabalho, exponham os empregados a agentes nocivos à saúde, acima dos limites de tolerância fixados em razão da natureza e da intensidade do agente e do tempo de exposição aos seus efeitos.” De acordo com o art. 192 da CLT, a comprovação da insalubridade no ambiente de trabalho, acima dos limites tolerados estabelecidos pelo Ministério do Trabalho, garante ao empregado um adicional em seu salário, que é calculado de acordo com o grau de insalubridade (10% – mínimo, 20% médio e 40% – máximo) e com o salário mínimo vigente em território nacional.

FONTES:

http://www.cpt.com.br/clt/consolidacao-das-leis-de-trabalho-atividades-insalubres-ou-perigosas

http://www.previdencia.gov.br/dados-abertos/aeps-2013-anuario-estatistico-da-previdencia-social-2013/aeps-2013-secao-iv-acidentes-do-trabalho/aeps-2013-secao-iv-acidentes-do-trabalho-tabelas/

http://www.mobussconstrucao.com.br/blog/2016/03/acidentes-de-trabalho-no-brasil/

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