Economia

Economia e paladar: lugares para gastar pouco e comer bem

Com a economia do país em fase delicada, fomos em busca de opções de lugares para comer e que cabem no seu bolso

Com a economia do país em fase delicada, fomos em busca de opções de lugares para comer e que cabem no seu bolso

Texto por: Dienifer Mânica, Karine Amorim, Thais Lamin, Thayná Barretto

Um dos maiores prazeres da vida é ter um momento de lazer que envolva comida. Melhor ainda quando não sai caro para o bolso. Unir economia com paladar é ter um instante de felicidade certa. O grande problema é que nem sempre encontramos um lugar saboroso e barato. Por isso, decidimos preparar um guia gastronômico delicioso e com baixo custo para agradar seu estômago e sua carteira. Buscamos por lugares na região do Vale do Itajaí que unem pratos bem servidos, com a opção de pedir bebida, e gastar em torno de R$ 20.

O professor José Osvaldo Coninck, mestre em economia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), explica que a crise econômica do país é fruto de uma recessão que iniciou no segundo semestre de 2014. Segundo ele, o brasileiro ficou 10% mais pobre nos últimos dois anos. O maior indicador da crise atual no país é a taxa enorme de desemprego. Mas o que isso tem a ver? A situação em que o país se encontra afeta diretamente no valor dos alimentos e na inflação, tornando a comida mais cara.

Porém, nem tudo está perdido. José esclarece que o Instituto Brasileiro de Economia (IBRE) projetou um crescimento econômico de 0,3% no Brasil no primeiro semestre de 2017. Ou seja, ainda dá pra comer e gastar menos de R$ 30. “A desaceleração da inflação deve-se à desinflação de alimentos e bebidas”, declara. Para ele, economizar é uma luta constante entre necessidades ilimitadas e recursos limitados. Levando em consideração seu ponto de vista, pagar para comer é um bom método de lazer a ser praticado.

Mas tudo possui um limite, e é preciso ter consciência daquilo que gastamos, mesmo quando o assunto é saciar o paladar. O economista alerta: “nunca consuma por impulso, e pense sempre no custo de oportunidade. Isso quer dizer que o verdadeiro custo de alguma coisa é aquilo que você abre mão para obtê-la. Se com R$ 20 eu posso comprar um ingresso para um show, então o custo de comer fora é o show que eu deixei de assistir”.

A estudante Gabriella Fernandes, 18 anos, costuma sair com frequência para fazer um lanche, e apesar de gostar de fazer essa programação, este tipo de passeio não é sua prioridade. “Prefiro comer em casa e, assim, economizar dinheiro para outras coisas”. Gabriella e seu namorado não gastam mais de R$ 40 quando saem juntos para comer. “Já acho esse valor muito caro e é o máximo que nós pagaríamos em uma refeição”, completa. A preferência do casal são os fast-foods. O técnico administrativo Matheus Vequi, 20 anos, costuma sair pouco para fazer refeições. Para ele, pedir comida em casa é mais prático e cômodo. “Não me importo com o frete e também não penso muito sobre o custo da compra”, conclui.

Na opinião da estudante de administração Karine Melo Bosse, 21 anos, são poucos os lugares que oferecem comida e bebida por essa faixa. “É muito importante que haja locais bons e mais em conta, principalmente para nós, jovens e estudantes. Porém, o mais triste é que a maioria dos locais ultrapassa o valor de R$ 30 por pessoa”, ressalta. A fotógrafa Lediane Andrade, 25 anos, explicita que por esse valor a única coisa que ela consegue comer é cachorro quente com alguma bebida, já que para ela a maiorias dos locais está custando além do preço que nós estipulamos. Mas nossa função é mostrar que ainda existem lugares diferentes e saborosos que podemos conhecer e pagar pouco.

Confira abaixo a deliciosa e econômica lista que preparamos de locais com muito sabor e aquele preço camarada:

RIB’S BURGUER

O que é? Uma hamburgueria gourmet que faz lanches artesanais assados na brasa.

Lanches econômicos: duas ótimas opções são os lanches Rib’s Burguer Salada, de apenas R$ 13, e o Rib’s Burguer Frango, de apenas R$ 15, com opção de adicionar mais um hambúrguer tradicional por R$ 3. Ambos acompanham batata frita e molhos especiais. Os lanches variam de R$ 12 a R$ 23 (acima de R$ 20, os hambúrgueres são de costela).

Bebidas para acompanhar: água por R$ 3, e refrigerantes, sucos ou cervejas em latas por R$ 4.

Onde fica? Rua José Eugênio Müller, número 1173, bairro Vila Operária, Itajaí.

Horário de funcionamento: Terça-feira a domingo, das 19h às 00h.

Telefone: (47) 3045-6659 


THE BURGERTOWN

O que é? Uma hamburgueria gourmet no estilo americano que faz lanches artesanais assados na brasa.

Lanches econômicos: Duas ótimas opções de lanches são o Cheeseburguer JR, um lanche no estilo X-burguer que custa R$ 16 e o Cheddartown, que tem o valor de R$ 19 e é um lanche diferenciado com cheddar e cebola refogada no shoyo. Porém, o maior “achado” desse lugar é o Cheeseburguer Fit, preparado com menos gordura e sódio, por apenas R$ 16.

Bebidas para acompanhar: água por R$ 3, água saborizada por R$ 5 e refrigerantes por R$ 5.

Opção combo: No local existe uma opção combo por R$ 24. O Combo Fit acompanha o Cheeseburguer Fit ­+ batata frita + bebida. A bebida pode ser água, refrigerante ou suco. Por mais R$ 3 você pode trocá-las por cerveja ou chopp.

Onde fica? Rua Estefano José Vanolli, número 1426, bairro São Vicente, Itajaí.

Horário de funcionamento: Terça-feira a domingo, das 19h às 00h.

Telefone: (47) 3366-3809


BRAVA BURGUER

O que é? Uma hamburgueria gourmet que faz lanches artesanais assados na brasa.

Lanches econômicos: A melhor opção e mais econômica é o Brava Burguer, por apenas R$ 14,90. Em segundo lugar, porém não menos delicioso, está o Brava Chicken (feito de frango) por apenas R$ 18. Ambos os lanches vêm acompanhados de molhos especiais.

Opções de lanches vegetarianos: O Brava Burguer possui duas ótimas opções de lanches para pessoas que não comem carne. O Brava Soya é um lanche com hambúrguer feito de soja que custa apenas R$ 17. Já o Brava Lentilha, lanche com hambúrguer feito de lentilhas, custa apenas R$ 18.

Bebidas para acompanhar: água por R$ 3, e refrigerantes, sucos ou chás gelados em latas por R$ 4.

Onde fica? Rua Sérgio Millet, número 154. O local fica em frente ao acesso do Complexo Turístico Morro do Careca, bairro Praia Brava, Itajaí.

Horário de funcionamento: Segunda-feira a domingo, das 18h às 00h.

Telefone: (47) 3361-8225 ou 2125-6569


A FEIRINHA – TAPIOCARIA GOURMET

O que é? Uma tapiocaria gourmet que faz tapiocas e crepiocas artesanais, pratos que são uma tradição alimentar da região norte e nordeste do país.

Opções econômicas: A opção mais econômica e indicada é o Combo do Dia, o qual inclui uma crepioca + salada + bebida por apenas R$ 19. Os sabores variam de acordo com os dias da semana. Outras opções de baixo custo são os Waffles ou os Omeletes por apenas R$ 12.

Bebidas para acompanhar: sucos naturais ou de polpa por R$ 5, sucos com duas frutas misturadas, vitamina de uma fruta ou chá gelado por R$ 6, e sucos funcionais por R$ 7.

Onde fica? Avenida Sete de Setembro, número 1194, bairro Fazenda, Itajaí.

Horário de funcionamento: Segunda-feira à sexta-feira das 10h às 20h, e sábado das 10h às 18h.

Telefone: (47) 9 8421-8185 (whatsapp).


XZINHO BURGUERS

O que é? Uma hamburgueria acessível, com produtos de qualidade, que faz lanches de hambúrgueres preparados na chapa.

Opções econômicas: A melhor opção da casa é o Xzinho Picanha, pelo preço incrível de apenas R$ 10, e ainda acompanha uma batata pequena. Para quem procura uma proposta mais gourmetzida, o local oferece o Xzinho Gourmet, com hambúrguer artesanal, por R$ 19. Também acompanha uma porção de batata rústica pequena. Ainda há a opção de incrementar o lanche com bacon por R$ 2, com mais hambúrguer por R$ 2,50 e com salada, por R$ 1,50.

Bebidas para acompanhar: água por R$ 2,50, refrigerantes em lata por R$ 4, e cervejas em lata por R$ 4,50.

Onde fica? Rua Osvaldo Schmidt, número 1036, bairro Gravatá, Navegantes.

Horário de funcionamento: Quarta-feira a segunda-feira das 18h30 às 00h30.

Telefone: (47) 9 9256-8594


DOCAS BURGUER

O que é? Uma hamburgueria gourmet que faz lanches artesanais com hambúrgueres de costela assados na brasa.

Opções econômicas: O lanche Doca custa apenas R$ 17 e é feito no estilo X-tudo, com acréscimo de bacon, calabresa e presunto. Por esse mesmo valor também encontramos os lanches de Frango e Frango com Bacon. Há outros lanches mais simples que variam de R$13 a R$ 16, e os lanches maiores que variam de R$ 20 a R$ 24. Além disso, todos eles acompanham molho barbecue e os adicionais variam de R$ 1 a R$ 4 (as opções são: ovo, calabresa, frango, lombinho, coração e hambúrguer).

Bebidas para acompanhar: água por R$ 2,50, refrigerantes em lata ou suco natural por R$ 4, e cervejas em lata por R$ 4.

Onde fica? Rua Hironildo Conceição dos Santos, número 629, bairro Perequê, Porto Belo.

Horário de funcionamento: Terça-feira à domingo, das 18h à 1h.

Telefone: (47) 9 9987-6896


BATE PAPO COM ECONOMISTA:

ENTENDA MELHOR A RELAÇÃO “CUSTO x BENEFÍCIO” 

Conversamos com Gustavo Lima, professor das disciplinas de Fundamentos da Economia, Política Econômica e Economia dos cursos de administração e logística da Universidade do Vale do Itajaí – Univali. O economista nos ajudou a entender melhor sobre a economia do país e deu dicas sobre o consumo consciente. Vamos ao que interessa:

AP: Como está a economia do país e como isso afeta na parte alimentícia?

Como todos sabemos, a economia do país vem vivenciando um momento especialmente complicado principalmente por conta das expectativas de crescimento e de aquecimento da economia. Tudo que vem acontecendo pode ser um reflexo sistêmico de diversas decisões econômicas de governos passados. Tais decisões, bem como a situação política atual do Brasil cria uma sensação de insegurança, tanto para investidores nacionais quanto para os investidores internacionais, que tendem a segurar investimentos (tanto em ativos financeiros, como me negócios reais), pois não sentem confiança na recuperação econômica do país por conta do somatório do cenário.

Observando toda esta conjuntura, e analisando os elementos constitutivos do PIB, não podemos sobremaneira deixar de considerar que o CONSUMO é um dos elementos mais importantes deste indicador de crescimento nacional. Como a economia mostra sinais de retração, as pessoas que ainda possuem seus empregos, passam a consumir com parcimônia, então obviamente os índices de consumo tendem a mostrar uma redução em consumo se considerarmos os agregados. Contudo, é fundamental compreender que alguns bens serão consumidos independentemente da situação econômica do país, e é onde a alimentação se encaixa. As pessoas precisam comer, suprir esta necessidade humana fundamental por alimentação, portanto, este mercado especificamente não é afetado profundamente, embora os indivíduos tendam a pensar mais criticamente seus gastos, por exemplo em restaurantes.

AP: O valor de R$ 20 é uma média boa por pessoa para sair, comer e beber algo?

Podemos então considerar o valor monetário de R$ 20 uma boa média para o consumo de uma refeição? Depende! Se considerarmos por exemplo o salário mínimo no Brasil em 2017 (R$ 937), estaremos considerando então que o valor de R$ 20 é somente, aproximadamente 2,13% do salário mínimo. Ou seja, matematicamente pode-se dizer que sim, é uma boa quantia para uma refeição.

AP: Quais as dicas que você dá a quem quer sair para comer e economizar?

Com relação ao economizar, hoje o que se percebe é que como forma alternativa aos restaurantes, as pessoas têm se organizado em eventos na casa de seus amigos, dividindo os custos de um jantar, um churrasco, enfim. Contudo, não há mágicas quando falamos sobre um planejamento financeiro pessoal que permita efetivamente uma economia, precisamos compreender que cada indivíduo encontra uma forma de se organizar. Eu, particularmente, gosto de ensinar uma medida simples, que tende a levar as pessoas a criar uma consciência maior com relação às suas finanças.

Geralmente, de acordo com a CLT, nós, brasileiros, trabalhamos 44 horas semanais, ou 220 horas mensais ou 8 horas diárias.

Para descobrirmos quanto efetivamente ganhamos por hora de trabalho, precisamos então dividir nossos salários, pela quantidade de horas que trabalhamos ao longo do mês. Isso significa que se você recebe um salário mensal de R$ 1.000 (salário bruto, sempre o salário bruto!), você estará recebendo efetivamente a quantia de R$4,54 por hora trabalhada.

Quantas horas você deverá então trabalhar para sustentar uma refeição em um restaurante que lhe custe R$20?

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