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Produtores independentes movimentam o mundo dos podcasts

Mídia permite que pessoas se expressem mesmo com pouco orçamento e cria rede de colaboradores

Texto por: Elyson Gums e Rodrigo Rodrigues

Mídia alternativa permite que pessoas se expressem mesmo com pouco orçamento e cria rede de colaboradores

“Lambda, lambda, lambda!”. A frase do filme A Vingança dos Nerds é a assinatura do Jovem Nerd, produtora de conteúdo voltada a este segmento de público. Os cariocas Alexandre Ottoni e Deive Pazos começaram o Nerdcast em 2006 e tornaram-se os mais ouvidos do Brasil.

Largaram seus empregos “de verdade” e, graças ao podcast, expandiram sua rede de atividades – que incluem canais de YouTube, lojas virtuais e participações em eventos de todo o país. São 750 mil downloads por episódio e 7 milhões de page views por mês.

Os dois foram desbravadores e abriram caminho para uma legião de produtores independentes. Para fazer um podcast, não são necessários grandes gastos ou conhecimento técnico em áreas da comunicação.

É possível lançar programas periodicamente através de gravações via Skype e fazer a publicidade apenas no boca a boca. É o caso do Podcast com Menor Duração e Maior Nome de Todos, Todos, Todos os Tempos, criação do doutorando em Ciências Farmacêuticas Jonathan Bassut. É tudo gravado e editado dentro do quarto e distribuído gratuitamente pelo SoundCloud.

O MundoPodcast, site para produtores, indica apenas um Smartphone, um roteiro, uma ideia consistente e conexão com a internet para as primeiras experiências com gravação. Obviamente, profissionais nessa mídia, como o Nerdcast, utilizam estrutura física profissional ou semi-profissional e possuem uma pequena equipe dedicada a tarefas como edição de áudio.

Mas nada impede fãs de criarem seus próprios programas espelhados nos podcasts que gostam. Por isso, existe grande quantidade de produções independentes. A Podcasting Brasil, empresa especializada na gestão e distribuição de podcasts brasileiros, acumula mais de 2200 arquivos postados em seu site – e mais de 10 milhões de downloads.

Este foi o incentivo para o paulista Matheus Bottura Raulli começar a produzir. Ele conheceu os podcasts em 2011, quando iniciava o curso de Jornalismo. Em 2015, criou o JuntaCast para o blog em que escreve, o Junta 7. Ele reforça que não é necessário conhecimento em comunicação para criar conteúdo de qualidade.

No meu caso, o que mais me ajudou, por conta da faculdade, foi a parte da edição, que sou eu quem faz. Eu aprendi a edição de olho, vendo os técnicos do estúdio de rádio da minha faculdade editando os trabalhos da turma. Depois disso, eu fui fuçando e aprendendo ainda mais”, conta.

Mídia estrangeira conquista fãs apaixonados

O podcast nasceu nos Estados Unidos em 2004. Tratam de temas variados, com formatos semelhantes aos programas de rádio convencionais. “Não há muita diferença na questão de formatos, e sim na forma de distribuição de conteúdo”, explica a professora de radiojornalismo Liza Lopes Corrêa, entusiasta da mídia.

Os mais populares são realmente semelhantes a programas de rádio, mas sem limitações importantes desse meio. Por exemplo, programas de entrevistas podem se estender ininterruptamente por duas ou três horas. E outros tem abordagens absurdas, como o Alípio Show.

A distribuição é feita por meio de feeds. Em resumo, arquivos de áudio são baixados automaticamente por meio de RSS (Really Simple Syndication) em agregadores. Assim, é muito mais fácil ter acesso aos arquivos, sem ser necessário voltar ao blog de origem a cada atualização.

Isto permite, por exemplo, que Fábio Murakami ouça 12 horas de podcasts por dia enquanto trabalha. Ele organiza uma playlist de 183 programas. Ele simplesmente trocou as playlists de músicas para passar todo o tempo em que trabalha ouvindo os programas.

Primeiro o que me atraia era a quantidade de informação e o bom humor da galera. Mas o principal mesmo é quando passo um feedback e eles me respondem de volta, acaba criando uma amizade”, explica.

Ele mora no Japão, país onde o tipo de podcast mais comum é o áudio drama. “Já tentei ouvir os podcasts ‘normais’ daqui, mas é uma pegada bem diferente. Mas eles são mestres no storytelling”, finaliza.

Quem ouve podcasts?

O engajamento de Fabio é exceção, e não regra. A Podpesquisa, que mapeia a audiência de podcasts no Brasil, aponta que, em média, os usuários acompanham regularmente de 1 a 5 programas, e ouvem 8 horas semanais de áudios. A maioria dos usuários ouve apenas programas nacionais, reforçando a importância dos produtores brasileiros. A última edição da pesquisa, em 2014, registrou 16.197 respostas válidas, contra 2.487 da edição anterior.

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Fonte: PodPesquisa 2014
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Fonte: Podpesquisa 2014

A preferência do público é por programas voltados ao humor – caso do já citado Nerdcast. Na sequência aparecem os programas voltados à televisão, rádio e cinema e games. Outros nomes consolidados neste mercado são o Anticast, que apresenta “a visão do designer sobre o mundo” e a Central3, grupo de produtores que reúne casts sobre diversos assuntos, como cultura, política e esporte.

A maioria dos ouvintes se concentra na região Sudeste – a  cidade de São Paulo lidera com 14.33% da audiência, seguida pelo Rio de Janeiro (6.83%) – e no Sul destaque para Curitiba (3.53%). Coincidentemente ou não, é onde os podcasts mencionados no parágrafo anterior estão localizados.

Santa Catarina ainda tem audiência tímida – as cidades que aparecem na pesquisa são Florianópolis, Joinville e Blumenau. Juntas, somam 2,47% de respostas da pesquisa. Apesar disso, há produção barriga-verde. Recentemente o Pretinho Básico passou a se identificar como podcast e a aderir ao sistema de distribuição por feed. Além deles, produtores independentes também produzem programas como o Miserável e Medíocre.

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