Bem-Estar

Novas tecnologias exigem mais esforço da visão e podem causar problemas

Problemas de visão estão entre os principais pontos negativos quando pensamos em tecnologia. Especialistas apresentam opções para fugir deles

Problemas de visão estão entre os principais pontos negativos quando pensamos em tecnologia. Especialistas apresentam opções para fugir deles

Texto: Dieize Coimbra, Marília Cordeiro e Victória Severo

A tendência do esforço acomodativo (ver coisas pequenas muito de perto, em movimento ou no escuro) só tende a aumentar e, com ele, os problemas de visão têm aparecido mais precocemente. “Com o crescente número de dispositivos móveis é comum, tanto para adultos como crianças, o maior esforço acomodativo para uma boa visão para perto”, explica Mauro Toledo Leite, médico oftalmologista no HOB (Hospital de Olhos de Brusque).

Existem estudos e pesquisas que investigam a relação entre problemas de visão decorrentes do uso de celular e computadores. Algumas de fato identificaram isso. Porém, ainda não é consenso entre os médicos, pois outras pesquisas não comprovaram essa relação.

A oftalmologista Alessandra Carvalho acredita que essa seja sim uma das causas de problemas como defeitos refrativos (miopia, hipermetropia e astigmatismo). Ela adianta que as doenças podem ser provenientes de outros fenômenos. “Pode ser hereditário, má formação (nascimento antes do tempo) ou na gestação”. Nesses casos, a pessoa não tem controle para impedir a complicação.

miopia-hipermetropia-e-astigmatismo
Alguns dos problemas de visão mais comuns   – Foto divulgação

André Felipe Nascimento, 8 anos, tem 4 graus de miopia em cada olho. Aos cinco anos, ele já apresentava dificuldade visual. “Comecei a observar que ele se aproximava muito da TV para assistir, também levava os objetos muito próximos a visão”, conta a mãe, Rosane Nascimento.

Em adultos jovens, a principal queixa é a baixa de acuidade visual para longe (quando o olho reconhece dois pontos muito próximos uns dos outros, tornando a visão incômoda e a pessoa sente dificuldade em enxergar formas e contornos dos objetos). “Pode ser corrigida com o uso de óculos, lentes de contato ou cirurgia a laser. Nos pacientes com mais de 40 anos, a principal queixa é a diminuição da acuidade visual para perto e também, nesse grupo, são bastante frequentes o glaucoma¹ e a catarata²”, aponta Mauro.

Sendo a tecnologia vilã ou não, os casos mais frequentes apresentam ametropia, isto é, necessitam de correção óptica para melhorar a acuidade visual. “Isso pode ser em decorrência do uso mais frequente de dispositivos eletrônicos e computadores”, frisa Mauro.

¹ Doença que atinge o nervo óptico e envolve a perda de células da retina responsáveis por enviar os impulsos nervosos ao cérebro

² Uma opacidade parcial ou total do cristalino. O cristalino é uma lente biconvexa natural do olho localizado atrás da pupila

A tecnologia do bem

Bom, já que o assunto é tecnologia, dá para imaginar que o mercado da optometria (diferente da oftalmologia, trabalha fora do “órgão globo ocular”, focado no sentido da visão, corrigindo defeitos refrativos e prescrevendo óculos) pensou em curas ou, pelo menos, em prevenção. Duas lentes especiais são comercializadas pensando na manutenção da saúde dos olhos, principalmente das novas gerações.

As lentes video filter, lançadas em 2014, são uma das primeiras pensadas para esse fim. Possuem um filtro azul que diminui o cansaço visual após exposição prolongada ao usar dispositivos eletrônicos. O valor delas pode variar entre R$ 98 e R$ 280 sem grau, apenas para descanso e prevenção. Com grau, os preços tem variação maior pois, primeiramente, deve se escolher a lente de acordo com a necessidade e, só então, aplicar o filtro. Esse procedimento tem um valor fixo quando se trata de lentes com grau.

As opiniões entre os profissionais são diversas. Para Alessandra, apesar de não haver grandes estudos ou comprovações a respeito, esse tipo de lente não deve apresentar nenhum mal. Mauro afirma que “elas podem ajudar no cansaço mas não previnem ou retardam doenças oculares”. Ele não costuma prescrever para crianças devido a alguns incômodos que elas podem causar. “Essas lentes escurecem a imagem e podem atrapalhar durante atividades com livros, por exemplo”.

Essa não é uma observação só dele. Christian Ramos, proprietário de uma ótica, diz que ela não é tão eficiente. “Já existem lentes bem mais modernas, pois a vídeo filtro em ambientes com pouca luminosidade fica muito escura pelo fato dela ser azul”, explica.

Essa novidade bem mais moderna a qual Christian se refere é a lente “Antirreflexo Crizal“. Ela vem com uma proposta bastante atraente e inovadora, promete reduzir a fadiga ocular, melhorar o conforto visual e ajuda a enxergar com maior nitidez.

Ela é composta por óxido de zircone, que é aplicado em ambos os lados da lente, para aumentar a transmissão de luz e reduzir em 99% os reflexos indesejáveis. Uma outra tecnologia são as partículas de sílica, dando rigidez à lente, e a base de polímeros, a flexibilidade do material.

Apesar das novidades, o que continua valendo é a velha e boa prevenção:

“Para não aumentar o grau ele deve ir regularmente ao oftalmo, a cada 6 meses, para avaliar as lentes e o grau de visão. Não deixo ele muito tempo na frente de computador e nem celular, essas coisas forçam muito a visão”, conta Rosane Nascimento, mãe de André Felipe Nascimento.

“Durante o exame, o médico pode avaliar a necessidade de óculos, a pressão intra ocular e a retina. Como qualquer outra especialidade médica, a prevenção é o melhor caminho para a saúde”, finaliza Dr. Mauro

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