Comportamento

Maratonando: O vício em produções seriadas

As produções seriadas estão presentes na vida de muitas pessoas, que passam horas fazendo maratonas dos seus seriados favoritos. Em excesso pode levar ao isolamento, mas na medida certa, pode servir como uma ótima opção de lazer

As produções seriadas estão presentes na vida de muitas pessoas, que passam horas fazendo maratonas dos seus seriados favoritos. Em excesso pode levar ao isolamento, mas na medida certa, pode servir como uma ótima opção de lazer

Texto: Alexsandra Souza, Kamila Dias e Suelen Oliveira

Foi dada a largada. Pipoca, sofá, cobertor e Netflix são as únicas coisas que serão levadas nessa maratona, que pode durar três, quatro ou mais de dez horas até chegar naquele ponto de “prometo que é só mais um episódio”. É assim que, normalmente, os loucos por séries se comportam. Passam horas e horas na frente da TV, computador ou do smartphone vendo seus seriados favoritos, através de diferentes plataformas. Por vezes, acompanham mais de uma série ao mesmo tempo e raramente estão em dia com as temporadas. Pelo contrário, estão à procura de novidade o tempo todo, são insaciáveis quando o assunto é seriado. Amanda Buchele, de 13 anos, adora assistir séries e acompanha atualmente cerca de cinco, mas já chegou a assistir mais de dez.

Cada série tem seu universo particular, que faz com que o seu espectador compartilhe daquele mundo por horas. Amanda, por exemplo, diz que já desejou por diversas vezes fazer parte das histórias que acompanha e em todas as produções que assiste vê os personagens como seus amigos. Sofre e se alegra com eles.

Algumas pessoas deixam de sair de casa e desistem de interagir com outras pessoas só para assistir os seriados. O Dr. Carlos Alberto Severo Garcia Junior, professor de medicina da Univali e especialista em  clínica dos transtornos do desenvolvimento na infância e na adolescência, diz queo perigo, em qualquer atividade prolongada realizada individualmente, é o isolamento e baixa interação social. Somos seres gregários e necessitamos de trocas entre pessoas“. Por isso é fundamental o bom senso e o limite para fazer as tais maratonas. Arthur Borges de Souza, estudante de história de 18 anos, diz que nunca deixou de fazer nada para ficar em casa assistindo seriado, apesar de acompanhar cerca de seis séries e assistir de três a quatro horas por dia.

Os seriados podem funcionar como uma válvula de escape para o stress do dia-a-dia, e assim como outras formas de lazer, servir para relaxar e se desconectar do mundo um pouco. Por isso, o Dr. Severo diz que cada pessoa deve estabelecer o seu limite, considerando e avaliando os pontos positivos e negativos de realizar uma maratona, por exemplo. Afinal, as séries também podem servir para conectar e criar vínculos entre as pessoas.

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É claro que esse excesso de seriados e maratonas na vida das pessoas pode acabar preocupando a família. Por isso, o Dr. Severo sugere à família que realize e proponha atividades coletivas entre os familiares, que consiga conectar a todos com viagens e passeios.

Diferentes formas de consumir e produzir

As séries estão na TV, em canais abertos e fechados, em plataformas digitais. Você pode baixar séries no computador ou no celular e pode também vê-las através de sites piratas. Existem seriados sobre os mais diversos temas e em uma quantidade enorme. E, uma mesma série pode ser vista por bilhões de pessoas ao redor do mundo.

A professora e doutora em comunicação Valquíria John explica que a produção de seriados sempre foi grande, principalmente nos Estados Unidos e Grã Bretanha, mas era algo que ficava restrito ao próprio país. Com o advento da internet essas produções puderam ter um alcance mundial. Para Valquíria, o surgimento dos streamings, como a Netflix, tem um papel importante na popularização das ficções seriadas, afinal, sem depender de anunciantes, eles possuem preços mais acessíveis e possuem uma facilidade em produzir séries sobre diferentes temáticas, atingindo públicos mais segmentados.

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As temáticas dos seriados estão cada vez mais atuais, falando de temas tabus como racismo, feminismo, desigualdade social. É o caso das séries: Dear White People, Thirteen Reasons Why, Orange Is the New Black, entre outras. A professora Valquíria diz que os temas das séries estão diretamente ligados à sociedade que a assiste. As pessoas usam as temáticas das séries para criar discussões e refletir sobre os assuntos e as produtoras de ficção seriada usam o que está sendo dito para criar suas histórias. É um sistema de retroalimentação. 

Segue abaixo o áudio da entrevista completa com a professora e doutora Valquíria John sobre o consumo e produção de ficção seriada:

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