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CrossFit: intensidade em curto período

Exercícios são, na grande maioria, distintos do modo tradicional de se exercitar e feitos em grupo, o que aumenta o estímulo durante as atividades

Exercícios são, na grande maioria, distintos do modo tradicional de se exercitar e feitos em grupo, o que aumenta o estímulo durante as atividades

Texto: Elyson Gums e Rodrigo Rodrigues

Amanda Imme começou a fazer CrossFit no ano passado. Uns anos antes, Eduardo Goulart começou a fazer musculação, mas parou. Os dois foram com objetivos parecidos, mas escolheram caminhos completamente diferentes para chegar lá. Amanda foi para a alta intensidade, Eduardo optou pelo treino tradicional.

A cada dia, ela tem uma rotina diferente da anterior. Agachamentos, flexões, abdominais, corda, corrida, levantamento peso, entre outras coisas. Estas atividades são divididas em LPO (Levantamento de Peso Olímpico), Ginástica Olímpica e condicionamento metabólico, ou cardio.

Tudo isso é feito em curtos períodos de tempo e em alta intensidade – justamente a ideia central do CrossFit. Os músculos são trabalhados em conjunto, por meio de exercícios funcionais.

A exigência física é alta, mas Amanda conta que conseguiu entrar no ritmo. Especialmente porque os exercícios têm adaptações para iniciantes e a intensidade aumenta aos poucos. “No começo foi puxado, porém, como as aulas são em grupo e acompanhadas por coaches (treinadores) especializados, o ritmo vem fácil, porque o estímulo é gigante; da parte dos colegas e também dos instrutores, todos se ajudam”, conta.

Amanda iniciou no CrossFit depois de cinco anos sem praticar atividade física. Começou por indicação de uma amiga e divulgação nas redes sociais e ficou porque é uma alternativa mais interessante às academias de musculação.

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Treinos são em pouco tempo, mas de forma intensa (Foto: Aberro Creative/Divulgação)
Obteve êxito com treinamento convencional

Eduardo começou a malhar em 2013 e conseguiu os resultados desejados. Fazendo musculação e mudando a dieta, emagreceu 14 kg. Ele destaca principalmente o treino aeróbico forte que fazia. Trabalhava os grupos musculares de forma mais segmentada, com intervalos entre cada um.

Hoje em dia, está parado. A academia antiga, que frequentava com um amigo, ficava ao lado do colégio e aí era de boa ir lá algumas vezes por semana. “Quando saio de casa pra ir só à academia perco todo foco e na maioria das vezes nem saio”.

Como ficou difícil conciliar a vontade de fazer musculação com a rotina de estágio e trabalho, ele procurou o CrossFit e fez uma aula experimental. As impressões iniciais foram iguais às de Amanda.

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CrossFit propicia treinos acompanhados (Foto: Rose Physical Therapy)

“No geral, é muito mais legal que musculação. Você faz atividades junto do professor e colegas trabalhando juntos, exige muito mais do seu corpo para acompanhar quem já está acostumado e você se sente super disposto”, conta ele.

Foi basicamente aquilo que Amanda comentou sobre o estímulo que vem da turma e dos instrutores. A experiência do Eduardo na musculação não foi tão positiva nesse sentido, já que muitos treinos eram cada um fazendo o seu com o fone no ouvido.

O maior dinamismo das aulas de CrossFit aparentemente é um dos fatores que mais atrai adeptos. Pelo menos, é o que dizem os representantes dos boxes: 70% das pessoas passa pelo Crossfit depois de se exercitar em academias convencionais. O Brasil já é o segundo país no mundo em número de boxes, atrás apenas dos Estados Unidos.

Mais do que apenas uma atividade física, esse sentimento de estar todo mundo junto acaba fazendo com que o CrossFit seja considerado um estilo de vida, que envolve também mudanças alimentares e de hábitos. “O Crossfit é como uma grande família, o box vira uma casa”, diz Amanda.

O contraste de “coletividade” de um e “individualismo” de outro se reflete também na própria metodologia de trabalho dos espaços. Elaine Souza, preparadora física da Academia da Univali, explica que o diferencial na musculação são as atividades específicas para cada aluno. “A partir do que a pessoa pede e também do que achamos necessário colocar, montamos o treino”, diz.

Há pouco em comum

Apesar de tantas diferenças, obviamente também há semelhanças. Práticas como agachamentos, levantamento de peso, flexões etc existem nos dois tipos de treino. Outras semelhanças estão no quesito psicológico. Sobretudo, no desejo de quebrar os próprios limites.

“É gratificante demais, por exemplo, conseguir, com o tempo, poder executar um exercício que no início parecia impossível, ou levantar uma carga acima da do último treino, etc”, diz Amanda, ao comentar as diferenças que sentiu depois de começar o CrossFit.

Na musculação, o Eduardo se animaria de voltar caso tivesse algum amigo fazendo a mesma série que ele, para ter com quem trocar uma ideia e fazer aquela “competição saudável” que ajuda a puxar os dois pra cima.

Elaine explica que essa vontade é, mais do que um desejo, uma necessidade. “A gente sempre está quebrando o estado de equilíbrio do corpo, se não ele acostuma e não dá mais resultado”.

Por isso, tanto quem frequenta boxes de CrossFit quanto quem frequenta academias está acostumado a conviver com a dor – sejam os calos nas mãos, seja a dor natural do processo de adaptação do corpo. “Só é um problema quando deixa de ser suportável e te impede de fazer as coisas do dia a dia”, ressalta a preparadora.

O fisioterapeuta Christian Lorenzo de Aguiar Marchi, professor no curso de Fisioterapia da Univali, destaca a importância dos exames de condicionamento para garantir que o exercício não vá causar problemas.

Para matrícula na Academia da Univali, é necessário apresentar um atestado médico e uma anamnese, que fornece detalhes pessoais para definição dos exercícios e das repetições. São levados em conta idade, peso, histórico de prática de atividade física, histórico de doenças e problemas musculares, entre outros fatores.

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Crossfit ganha cada vez mais adeptos de esportistas (Foto: Alex Van/Divulgação)

“(Esse tipo de exame) permite que qualquer um possa fazer academia, mesmo quem já tenha alguma dor, possa se exercitar”, explica Elaine.

O CrossFit divide opiniões quanto à probabilidade de lesões nos praticantes. Na área médica, não existe um consenso sobre a questão. Uma pesquisa de 2014 entrevistou 438 atletas de CrossFit e identificou lesões em 19%. Elas estavam ligadas principalmente ao nível de supervisão técnica nas aulas e não à intensidade dos treinos. Para Christian, caso não haja acompanhamento qualificado, qualquer atividade física traz riscos.

Por outro lado, uma pesquisa anterior com 132 atletas apontou lesões em 73,5% deles. “Existe um consenso entre o Colégio Americano de Medicina Esportiva e um Consórcio para Performance Militar e de Saúde que os programas de condicionamento extremo trazem alguns benefícios para o condicionamento físico, mas proporcionalmente trazem uma probabilidade maior de lesões”, analisa Christian.

A recomendação de Elaine é que um primeiro contato com a atividade física seja feito nas academias convencionais, para depois partir para um treino mais “hardcore”. Mas não só fazendo musculação: o importante é se mexer. “Seja uma corrida ou praticar um esporte, o importante é começar a fazer algo e nunca mais parar”.

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