Esportes

Cinco décadas e meia de Marcílio Dias

De torcedor para funcionário, até se tornar morador. A história de Maneca com o rubro-anil de Itajaí é um exemplo de paixão pelo futebol

De torcedor para funcionário, até se tornar morador. A história de Maneca com o rubro-anil de Itajaí é um exemplo de paixão pelo futebol

Texto e Fotos: Bernardo Marucco

Eram meados de 1962, ano em que o Brasil venceu sua segunda Copa do Mundo. Mas, enquanto o time liderado pelo jovem Garrincha era campeão no Chile, outra equipe de futebol ia ganhando força. Em Itajaí, o time da Estiva crescia e já assumia a posição de terceira força do futebol itajaiense, ao lado de Marcílio Dias e Almirante Barroso. Observando o crescimento do novo rival, o Marcílio contratou um profissional do rival. Foi o começo do casamento entre Manoel Teotônio Santana e o Marinheiro itajaiense. Uma história de amor entre funcionário e clube, que se tornou sua verdadeira casa.

Apelidado como Maneca pelos amigos, o farmacêutico Manoel iniciou seus trabalhos no Gigantão das Avenidas como massagista do elenco rubro-anil. “Eu viajava junto com o time, acompanhei o Marcílio em vários locais do estado e do Brasil”, conta o senhor, de 87 anos. Na aventura mais longa, ele lembra de um compromisso do Marinheiro diante do Brasiliense. Mas, o que assustou mesmo o Seu Maneca foi o tamanho do velho estádio Mané Garrincha. “Rapaz, aquele campo era grande demais. Foi a primeira vez que eu participei de uma partida com mais de 30 mil pessoas, incrível,” lembrou o fiel funcionário do Marinheiro.

Nascido e criado no bairro São João, em Itajaí, Maneca foi convidado para trabalhar no Almirante Barroso, rival histórico do Marcílio Dias. Mas, como ele mesmo conta, foi apenas um “massagista de meia hora”. “Por motivos políticos, fui tirado do Marinheiro no início dos anos 1970. Aí, surgiu a proposta de trabalhar no Barroso e eu aceitei. Logo no primeiro jogo, fui atender um jogador machucado dentro de campo e tomei uma vaia ensurdecedora da torcida barrosista. Voltei pro vestiário, devolvi o uniforme deles e voltei pro Marcílio, de onde nunca mais saí,” afirmou ele.

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A morada dos sonhos para os marcilistas: Maneca vive dentro do estádio Doutor Hercílio Luz
Endereço privilegiado

Em 1989, o massagista do Marinheiro recebeu uma oferta para mudar de casa. Então presidente do Marcílio Dias, o ex-comandante da Federação Catarinense de Futebol, Delfim de Pádua Peixoto Neto, queria que Maneca morasse no estádio Doutor Hercílio Luz. “Foi ele que me arranjou essa acomodação aqui, bem embaixo da arquibancada coberta. Graças ao Delfim, eu moro aqui há 28 anos. E gosto muito desse lugar.”

Durante o bate-papo com o histórico marcilista, diversos torcedores e frequentadores do estacionamento do Marcílio Dias cumprimentavam o ex-funcionário do clube. “Esse carinho não tem preço, todo mundo que passa aqui sempre vem me dar um alô,” disse o massagista, aposentado dos gramados desde 2000.

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Mesmo com a saúde debilitada, o ex-massagista lembrou de muitas histórias vividas em quase 50 anos de amor ao rubro-anil itajaiense
Situação atual do clube

Aos 87 anos e com a mobilidade um pouco limitada, Maneca já não presta serviços para o clube itajaiense. Mas, já que mora no Gigantão das Avenidas (apelido que o torcedor marcilista deu para o estádio Doutor Hercílio Luz), observou o descaso recente de algumas diretorias que passaram pelo clube. “Infelizmente, muita gente usou o Marcílio pra ganhar dinheiro, em benefício próprio. Agora, acredito que esses novos meninos vão dar um rumo para o clube”, analisou Manoel, sobre o presidente Lucas Brunet e o vice, Mauro Pereira.

Em quase 50 anos de trabalho, o marcilista acompanhou muitas histórias do futebol. Por isso, acredita que o esporte mudou pouco. “O mais diferente daquele tempo pra hoje é o amor a camisa. Jogador não tem mais isso atualmente, o que é uma pena.” Maneca ainda completou dizendo que os últimos atletas que passaram pelo Marcílio Dias também tem responsabilidades na queda de rendimento do clube, que está na segunda divisão do Campeonato Catarinense.

A partir de junho, o Marcílio Dias começa sua caminhada em mais um Campeonato Catarinense da Série B. E uma das certezas do clube é que, nas arquibancadas do Gigantão, o morador e torcedor fiel estará presente. “Além de brincar com meus netos, outra coisa que sempre vou fazer é torcer pelo Marcílio. Não importa a divisão ou campeonato, eu sou marcilista,” finalizou Manoel Teotônio Santana, o popular Seu Maneca.

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Maneca adora assistir aos jogos do clube no quintal da sua casa, o Gigantão das Avenidas

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