Economia

O jornalismo impresso na era digital

Com o “boom digital”, as empresas jornalísticas, principalmente revistas impressas, usam de estratégias para lidar com a demanda de conteúdo para a internet

Texto: Duda Cagneti, Anna Paola Paraná e Daiane de Souza

Com o “boom digital”, as empresas jornalísticas, principalmente revistas impressas, usam de estratégias para lidar com a demanda de conteúdo para a internet

Ir a uma banca de revista já não é mais a mesma coisa. Aquela diversidade de títulos não é tão aparente nos dias de hoje. Em compensação, a internet disponibiliza uma grande quantidade de sites que falam sobre diversos assuntos com mais instantaneidade e proximidade ao leitor. Neste contexto, com o mundo digital em destaque, o jornalismo impresso está se adaptando às novas formas de consumo de conteúdo. Mas será que essa adaptação significa uma total migração do impresso para o digital?

Esse é um questionamento recorrente para aqueles que estudam essa transição e os novos formatos de mídia. A pesquisadora e professora de comunicação, Cristiane Riffel, acredita que não é necessária uma adaptação, mas sim inovação! “O digital exige nova linguagem, novos formatos e é consumido por um público com demandas diferentes daquele que consome o impresso – e isso precisa ser considerado pelas empresas jornalísticas.  Considero que no digital é preciso ir além do jornalismo diário, é preciso investir na produção de conteúdos diferenciados”, explica.

Diferente dos impressos diários, as revistas já tinham como ideal a busca por conteúdo fora do padrão, principalmente as que tem como público específico jovens e adolescentes. E é exatamente por lidar com um público extremamente adepto à era digital que esses veículos estão sofrendo adaptações. A Capricho, por exemplo, anunciou a sua última revista impressa em junho de 2015, mas, mesmo com um público de faixa etária muito ligada à internet, teve que lidar com diversas reclamações sobre a mudança. O site Primeiro Digital reuniu depoimentos das leitoras no perfil de Instagram da Capricho na época do anúncio, a maioria sobre o apego pelo produto impresso e a dificuldade de adaptação ao conteúdo em plataformas digitais. Depois da mudança, a Capricho Week se tornou o produto principal da marca com uma circulação de 20 mil “exemplares”, e o capricho.com.br atingiu o patamar de maior site de conteúdo adolescente da América Latina. O veículo conta com redes sociais bem consolidadas, além de um canal no Youtube com uma audiência diária de 50 mil pessoas.

Em contrapartida ao produto digital, a revista Glamour lançou no Brasil sua primeira edição impressa em abril de 2012. Os números ainda apontam uma grande aceitação do público alvo com a versão impressa que, segundo o Mídia Kit da marca, vendeu mais de 80 mil exemplares em 2015, dentre eles 60% avulsos e 40% de assinaturas. Beatriz Pamplona (20), estudante de medicina, lê a Glamour em sua versão impressa há três anos e diz não ter se adaptado à versão digital ainda, pois não tem a mesma sensação de relaxamento ao ler o conteúdo pelo celular. Nas palavras de Mônica Salgado, diretora de redação da Glamour, porém, novas gerações estão por vir e a maioria acostumada com o conteúdo disponível gratuitamente na internet. A partir disso, como uma empresa jornalística pode se manter rentável com um público alvo que não está familiarizado a pagar por informação? Esse é o desafio!

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Segundo Mônica, a estratégia da Glamour é investir em marca. “A gente acredita que marcas fortes estão aptas para gerar conteúdo em qualquer plataforma, e elas vão gerar interesse porque existe uma identificação com a marca”, explica. Para tornar o produto jornalístico viável, então, a Glamour desenvolve negócios, eventos e outros produtos que conseguem exercer esse papel financeiro dentro da empresa. Tudo através de uma marca forte que é capaz de vender aquilo que apresenta ao seu público.

A professora Cristiane Riffel acredita que esse é um bom caminho e explica porquê: “de fato é preciso que as empresas jornalísticas consolidem a sua marca, especialmente que invistam em estratégias de relacionamento com o público jovem. Isto porque no digital há muita oferta de conteúdo e a escolha das pessoas vai ser por aqueles em quem ela ‘confia’. É preciso manter no digital a legitimidade e a credibilidade do jornalismo”.

Em 2016 aconteceu em São Paulo o seminário chamado “Os Desafios da Mídia Impressa”, promovido pela Associação Nacional dos Editores de Revistas (Aner). Segundo matéria publicada no site O Globo, o publicitário e ex-sócio da AlmapBBDO, Marcello Serpa, explicou que as revistas precisam tentar alcançar seu público muito além da versão impressa. “Na era digital têm de achar a melhor plataforma de distribuição de seu conteúdo e se especializar em universos específicos: economia, política, surfe ou aviação. Definido isso, devem aprofundar as reportagens, buscando cada vez mais relevância”, explicou.

Mas isso não significa que as empresas jornalísticas devem deixar de lado o impresso. É um momento de entender o seu público, trabalhar para mantê-lo e expandir ainda mais. “Penso que não podemos tratar o consumo da informação com determinismo do tipo ‘impresso acabou agora é só digital’. Precisamos entender o comportamento das pessoas e verificar quem é o público do impresso. Vejo que o impresso ainda tem seu público, mas é preciso identificar este perfil, entender duas características e verificar até quando esta demanda vai existir”, conclui a professora e pesquisadora Cristiane Riffel.

Aplicativo da revista Glamour.
Aplicativo da revista Vogue.
Aplicativo da revista Capricho Week.

Ouça o áudio completo em que a jornalista Mônica Salgado fala sobre esse novo momento do jornalismo impresso:

 

 

 

 

 

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