Meio Ambiente

Coletor menstrual propõe revolução e traz benefícios para as mulheres

Como colocar, quanto tempo dura, maneiras de descarte. São essas as maiores dúvidas das mulheres que querem fazer o uso do coletor menstrual, que veio para dar mais liberdade e higiene

Como colocar, quanto tempo dura, maneiras de descarte. São essas as maiores dúvidas das mulheres que querem fazer o uso do coletor menstrual, que veio para dar mais liberdade e higiene para elas

Texto: Any Costa 

Imagina comigo: você tem 12 anos e depois de um dia de praia com sua família você começa a sentir uma forte dor no abdômen. O que será? Do nada ela vem, a sua menarca, a primeira menstruação. Comigo foi assim, e depois de entender o que era aquilo, pedi ajuda para minha mãe. Orgulhosa, ela comprou absorventes externos tão enormes que, assim como eu, várias adolescentes pensam que, com certeza, as pessoas conseguem ver aquela “fralda” enorme. Com o passar dos meses e anos, é natural experimentar diferentes tipos e tamanhos de absorventes, externos e internos. A partir dos anos 2000, uma nova opção para as mulheres começou a se popularizar por ter um apelo higiênico e ambiental: o coletor menstrual. Há dados que apontam o surgimento do primeiro coletor ainda na década de 30.

coletor-menstrual
Ilustração: Rodrigo Ferio Pereira de Barros

Em pesquisa realizada com 2.128 mulheres entre os 19 e 25 anos feita em grupos de Facebook que trocam informações e incentivam o uso do coletor, foi levantado que a média de idade em que as participantes tiveram sua menarca foi entre os 11 e 13 anos. Perguntadas qual é a primeira opção de escolha hoje para usarem durante o período menstrual, 73% optam pelo coletor menstrual, 22,6% absorvente comum e 6,5% absorvente interno, popularmente conhecido por O.B. De todas as participantes da pesquisa, 2.105 delas já usaram o coletor menstrual. As mulheres que nunca usaram levantaram as seguintes questões: difícil acesso para compra física, apenas online; o alto valor, que varia de R$ 70 a R$ 120; o medo de não se adaptar; o medo de não ser seguro. Outras sofrem de vaginismo (contração involuntária dos músculos próximos à vagina), o que dificulta e muito o uso, algumas acham até nojento e as virgens sentem receio pelo risco do rompimento do hímen. Dentre os benefícios apontados por elas, 86,4% acredita que a redução de resíduos é um diferencial do coletor;  85,7% aponta a redução de gastos; 85,3% mais liberdade no dia a dia; 75,6% não sente a presença do coletor enquanto usa.

As marcas de absorventes “tradicionais” indicam que ele seja trocado, em média, a cada 3 horas. Cristal é designer e, em 2015, decidiu reduzir ao máximo a sua produção de lixo. Criou o blog “Um ano sem lixo” para compartilhar a experiência. No espaço, ela relata pontos importantes sobre os absorventes tradicionais. “Eles são compostos de plástico, algodão quimicamente tratado, embalagem, papel, adesivo, às vezes, aplicador, papelzinho, embalagem individual e etc. Em cada ciclo menstrual, a gente usa mais ou menos 10 absorventes. Ou seja, 120 absorventes por ano. Hoje em dia, a gente tem cerca de 400 ciclos ao longo da vida, ou seja, 4 mil absorventes jogados fora que ficarão 100 anos ou mais até se decompor!”. Pensando no meio ambiente, é um dado assustador. O coletor também tem essa proposta de preservação ambiental do planeta. 

Na pesquisa, a maioria das mulheres relatou que faz o descarte do sangue menstrual em: vaso sanitário, ralo do banheiro, pia e plantas. E 90,3% delas usaria o coletor por ser a favor do meio ambiente, mas essa não seria a causa principal para aderir ao coletor. Cristal é uma das mulheres que descarta em um desses locais. “Depende a situação que estou pra fazer a limpeza dele. Tem quem coloque na terra, parece que é super nutritivo pras plantas. Mas eu não cogito essa possibilidade aqui porque tenho uma cachorra e uma gata que provavelmente fariam uma sujeira tremenda por causa disso”.

90,3% faria o uso do coletor em prol do meio ambiente

Segundo o biólogo Pedro Salgado, não existem pesquisas científicas que afirmam os benefícios do sangue menstrual para as plantas, mas faz suas considerações. “Em plantas que estejam plantadas diretamente no solo não haverá, a princípio, problema. O material é orgânico e será sintetizado por fungos e bactérias, que são responsáveis pela sintetização de elementos, levando assim a sua formação inicial. Porém, caso o material descartado esteja sendo jogado em vasos que não possuem contato direto com o solo, pode ser que haja uma sobrecarga de material a ser sintetizado, tornando o micro-ambiente pouco favorável ao desenvolvimento da planta”.

O site da marca Korui, que é uma das empresas fornecedoras de coletores, traz a seguinte informação sobre o sangue como fertilizante de plantas. “Esse é um conceito tão natural e antigo que existem relatos de rituais indígenas em que a mulher, de cócoras, deixava o sangue menstrual escorrer livremente, penetrando e nutrindo a terra, mantendo assim o ciclo de fertilidade em uma linda relação entre os seres humanos e o planeta. Graças a presença de três nutrientes importantíssimos para as plantas – o nitrogênio, o potássio e o fósforo – o seu sangue é um ótimo fertilizante.  O nitrogênio é muito importante para o crescimento das plantas, pois é o responsável pela produção de novas células e tecidos. Já o potássio é responsável pelas reações enzimáticas e se relaciona também com a fotossíntese e a produção de carboidratos. Em solos deficientes, o potássio pode se esgotar em apenas um dia, por isso a liberação de potássio proveniente do sangue no solo é tão valiosa para o crescimento dos vegetais, por exemplo. O fósforo também estimula o crescimento e a formação de raízes e sementes, além de ser importante para a realização de atividades enzimáticas no interior das células. Ele influencia também o processo de fotossíntese, deixando suas plantas bem verdinhas e lindas”.

Thaís de Mello é internacionalista, tem 24 anos, e faz uso do coletor há mais de um ano. Ela conta que o coletor foi a melhor aquisição que fez na vida, pois tem alergia aos materiais que compõem os absorventes tradicionais. Após perceber que as plantas que tem começaram a morrer, passou a jogar o sangue menstrual nelas e notou que foram ganhando força de novo e hoje estão maravilhosas. Thaís faz questão de compartilhar o que sabe sobre o coletor com outras mulheres e incentiva que todas usem, pela experiência positiva que teve.

Lelah Monteiro que é sexóloga, psicanalista e educadora sexual, faz uso do coletor há um ano e seu descarte é feito no vaso sanitário, por achar mais higiênico. “Como estou na fase do pré climatério, mesmo com o escape, eu uso direto”. A sexóloga conta que são vários os benefícios para o corpo da mulher. “Diminui a candidíase, pois não tem os fungos, não tem papel, reduz o odor. Para o corpo da mulher é tudo de bom. Quem gosta de ficar sem calcinha também é uma opção, você pode ficar o tempo todo, fazer atividade física, praia, piscina”. Ela indica muito o uso e afirma que é libertador. Lelah acredita que ainda existe muita resistência por parte das mulheres pela falta de informação e medo. “É a proposta do futuro, os ginecologistas deveriam falar mais, as mulheres também e em todos os lugares. O coletor é libertador e econômico”.

São vários os perfis das mulheres que optaram por diferentes motivos em fazer o uso do coletor menstrual. Beatriz Muller, técnica em enfermagem, passou a usar o coletor por causa da carga horária de trabalho. “Eu trabalhava 12 horas por dia em hospital, a maioria dos dias o plantão era muito corrido, poder trocar o coletor a cada 12h me chamou a atenção. Além disso, a facilidade de ir ao banheiro para evacuar e não ter tanta sujeira para se limpar”.

Mas afinal, como se coloca o coletor?

coletor-dobraduras

Esse vídeo da blogueira Jout Jout é bem informativo:

 

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