Política

Sem resposta os funcionários do HEM de Brusque continuam em greve

A paralisação teve início em 21 de março e não tem previsão de término. Trabalhadores continuam aguardando parecer da diretoria que continua em silêncio.

A paralisação teve início em 21 de março e não tem previsão de término. Trabalhadores continuam aguardando parecer da diretoria que continua em silêncio.

Texto e edição: Dieize Coimbra, Marília Cordeiro e Victória Severo

O hall de entrada do Hospital e Maternidade Brusque (HEM) transformou-se em uma espécie de acampamento para os colaboradores. Eles improvisaram até uma cozinha para que possam fazer as refeições durante o tempo que ficam na frente do local como forma de protesto. A greve, apesar dos dias de paralisação, ainda não teve nenhum retorno por parte da diretoria.

Com isso, os salários seguem sem regularização e o movimento se mantém sem previsão de término, segundo Noemi Ferreira, integrante da comissão organizadora. A situação vai se agravando na medida em que a questão não se resolve. Muitos funcionários estão perdendo bens, endividando-se e até sendo despejados. Noemi comenta que doações estão sendo feitas tanto como em forma de alimentos quanto em dinheiro. Assim que recebidas, essas doações são distribuídas no mesmo dia entre os funcionários que se encontram com maiores necessidades financeiras.

Muitos ex-funcionários tiveram problemas com o HEM. Vanusa Moreira foi atendente de farmácia por quase dois anos e comenta que essa situação já vem de muito tempo. Conta que enquanto trabalhava no hospital percebeu falhas na administração e que inclusive quatro meses do seu FGTS não foram depositados. “Eu já sabia que eles não estavam depositando, porém antes de sair perguntei para a menina da administração e ela disse que seria resolvido”. Mesmo cobrando de várias formas ela não teve resposta “depois de um tempo olhei no site e vi que não tinham depositado, aí liguei novamente… Nada ainda, aí eu desisti”.

A técnica de enfermagem Eliene Batista da Silva passa por uma situação ainda mais complicada. Ela continua no hospital contra sua vontade e não consegue outro trabalho por conta disso: “Tá difícil de conseguir trabalho porque nem a baixa na carteira eles foram capazes de fazer para que eu consiga procurar emprego em outro lugar”.

Antes da paralisação, a administração parecia tentar tapar o sol com a peneira. “Me deram 30 dias de férias, depois queriam dar mais 30 e aí entraram em greve. Mas ninguém deu explicação nenhuma se iam dar a conta ou não para o turno da noite”. Em junho desse ano ela completa três anos no HEM e conta que já havia desfalque. “No início, quando comecei, o único problema era o FGTS que não estava sendo depositado”. De dezembro em diante nada mais foi pago: “não pagaram salário, nem o décimo e nem férias”.

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Em dezembro, um depósito de R$850 foi feito na conta de cada funcionário. Depois, em janeiro, foram depositados mais R$800 como uma atitude “simbólica” (considerando os valores reais), como prestação de contas. Feito isso, não se soube de mais nada referente aos pagamentos. Os colaboradores tinham também dois benefícios que não estavam sendo pagos desde muito antes do atraso dos últimos meses, o auxílio transporte e o vale alimentação no valor de R$50.

Apesar de ter um segundo emprego, Eliene está passando por dificuldades assim como a maioria dos grevistas que contavam, naturalmente, com seus salários. “Não estou conseguindo pagar minhas contas só com um salário, meu nome já está no SPC”.

Agora, trabalhando no hospital público de Brusque Azambuja (Hospital Arquidiocesano Consul Carlos Renaux), Shirlei Marcelino Izabel, técnica de enfermagem e graduanda do curso, também passou por momentos difíceis nos seus nove anos de Hospital Evangélico. Não só ela, como muitos funcionários, tiveram seus salários pagos com atraso ou parcelado. “Nunca cumpriam com suas obrigações. Por isso o hospital já tinha tanto funcionários pedindo rescisão indireta. Nossa insalubridade também era paga, apenas 20%, alguns setores como a UTI e CC (Centro Cirúrgico) eram 40%”.

Ela foi demitida e ainda aguarda para receber seus direitos rescisórios. O 13º salário já havia sido pago em parcelas no ano anterior (em janeiro e março) por conta da crise e da falta de verbas. “Saímos de lá com uma mão na frente e outra atrás. Acredito que como o meu, o Natal de muitas pessoas foi difícil”.

Shirlei comentou ainda sobre as novas contratações e a movimentação no Azambuja. “Estou ouvindo os pacientes reclamando muito sobre o quanto a cidade perdeu. Não tem opções para tratamento… Nossa cidade é pequena, porém, com muita força”. Apesar de estar trabalhando, ela também passa por dificuldades financeiras, pois contava com o dinheiro que espera ainda receber do HEM. “Se devo pra alguém, trancam meu CPF e passo vergonha quando preciso de algo… Estou muito feliz de ter conseguido um emprego, mas muitos de lá ainda não conseguiram”.

O HEM segue vazio, sem pacientes nem funcionários. O responsável pelo hospital no momento, Gerold Ulber, é do setor de administração e disse não ter autorização para falar. Tentamos contato com o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços da Saúde de Blumenau (Sesblu) e não tivemos respostas nem por e-mails nem por ligações.

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