Economia

O uso de contêineres como uma nova opção no mercado imobiliário

O mercado imobiliário se renova e se modifica a cada ano. Novas apostas são constantemente introduzidas e há algum tempo os contêineres passaram a ser utilizados como alternativa das construções civis.

O mercado imobiliário se renova e se modifica a cada ano. Novas apostas são constantemente introduzidas e há algum tempo os contêineres passaram a ser utilizados como alternativa das construções civis. 

Texto: Dienifer Mânica, Karine Amorim, Thais Lamin e Thayná Barretto.

A nova onda dos contêineres está ganhando cada vez mais espaço e visibilidade por sua arquitetura sustentável, econômica e criativa. Esta inovação pode ser uma grande aliada para quem tem o sonho de montar a casa própria ou até mesmo o seu próprio comércio. Os contêineres são grandes caixas feitas de aço que funcionam, primariamente, como transporte de carga em navios e embarcações.

Como uma boa cidade portuária, Itajaí vem destacando esta nova economia e crescendo o mercado de vendas de contêineres. Em relação às obras civis, a ergonomia acaba se tornando um pouco melhor. A economia para o bolso também é um ponto forte para quem opta pelos contêineres. Apesar de seu preço estar ligado à cotação do dólar, o custo benefício ainda é menor. Por sua estrutura já estar pronta, a única necessidade é dar o acabamento à peça, como a implantação do encanamento (água) e o sistema de eletricidade, bem como de sistemas de refrigeração. Isso sem contar na agilidade na entrega do produto, que leva em média quatro semanas para ficar pronto e é readaptável em todos os ambientes, ou seja, é de fácil locomoção e pode ser deslocado sem nenhum dano à peça.

No início, as “caixas de aço” eram utilizadas de forma mais rudimentar, como escritórios e depósitos, porém, com sua popularização, surgiram em casas, grandes lojas, lanchonetes e empreendimentos irreverentes.

É o caso do HDPoint Motorcycles, localizado na Praia Brava. O sócio-proprietário do local, Ivan José Coelho, revela que a ideia de montar um bar temático utilizando o contêiner surgiu pela estética e por sua aparência descolada, combinando ainda mais com o estabelecimento. Na obra, foram utilizados seis contêineres de 40 pés. Ivan afirma que em relação à alvenaria, a economia não é tão significativa. Como foi ele mesmo que cortou e montou as caixas de aço, a mão de obra saiu “de graça”. Um dos pontos que o sócio-proprietário considera positivo é a facilidade de locomoção. “Se um dia optar me mudar, posso levar toda a estrutura comigo sem nenhum empecilho”, revela.

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O espaço vegano OZZ, também localizado na Praia Brava, possui um contêiner como parte de sua estrutura. O proprietário do local, Lucas Rafael Farias, destaca que o motivo maior da escolha pelo material foi a possibilidade de abrigá-lo na obra enquanto o estabelecimento ainda estava sendo construído. Atualmente, Lucas utiliza o contêiner como cozinha, onde são preparados os pratos, petiscos, lanches e bebidas, e também como moradia. Os cômodos são separados por uma parede: de um lado, a cozinha; do outro, seu quarto. O proprietário foi responsável por toda a mão de obra, desde a montagem até sua finalização. “Além de ser uma estrutura móvel, posso aumentar os cômodos apenas unindo um contêiner ao outro”, enfatiza.

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Reaproveitar materiais e torná-los útil no dia a dia também agrada o gerente de marketing e proprietário do Xzinho Lanches, Jackson Nunes, que tem o seu estabelecimento em Navegantes. Ele acredita que a principal e grande vantagem é que se trata de um cômodo pronto e que não se perde tempo com a construção, isso sem falar na mobilidade, outro grande benefício. Como desvantagem, ressalta a parte térmica. “A estrutura, por ser de aço, aquece bastante com o sol, mas isso pode ser resolvido com um isolamento apropriado”, finaliza Jackson.

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O vendedor da empresa Contêineres Itajaí, Gabriel Roberto Luz, relata que dia após dia o público aumenta. O sucesso pode estar ligado à atenção que empresas têm em satisfazer o cliente. “O processo de venda possui todo um estudo antes de ser concretizado de fato. É feito um projeto pela equipe, detalhando seu uso, finalidades e aproveitamento. É feito também um estudo do espaço onde o mesmo será instalado para assim, fazer as adaptações necessárias”, afirma Gabriel.

A proprietária da imobiliária G. Laffitte, Gabriele Laffitte, também encontrou no contêiner a mobilidade que precisava para montar os plantões de venda de seu negócio, o que acabou chamando ainda mais a atenção de seus clientes por sua estrutura despojada e moderna. Em relação aos custos, Gabrielle conta que eles reduziram muito. “Já chegamos a construir e trabalhar com casas pré-moldadas, o que possuía um valor alto. A partir do momento que a gente encontrou no contêiner uma alternativa viável, optamos por ele”, acentua. Hoje em dia, existem contêineres já montados disponíveis para locação para os plantões de vendas. Ele já vem completo e o custo mensal do aluguel varia em torno de 800 a mil reais.

Na praia da Guarda do Embaú, a Pousada Container Eco Guarda ganhou fama e o carinho das pessoas que passam no local pela sua estrutura diferenciada visando à sustentabilidade. Melissa Groehs, proprietária da pousada, contou que a ideia surgiu da sua mãe e sócia do local, que pensou que seria muito interessante ter um ambiente diferente e ecológico que combina com a praia. Já na questão econômica, Melissa ressalta que saiu mais barato comprar um contêiner pronto do que uma construção civil. “Uma coisa muito interessante também é saber exatamente quanto vai gastar em um contêiner ou em uma obra civil”, reforça. A manutenção dos contêineres é algo muito importante e diferenciado. “Devem ser realizados cuidados com a ferrugem e aplicação de tintas especiais, mas nada que gere muita dor de cabeça”, finaliza.

O tempo de vida útil de cada contêiner é de aproximadamente 20 anos, dependendo dos cuidados pelo qual está submetido e pelos fatores externos pelo qual é exposto, como, por exemplo, a maresia. Não tem nenhuma contra indicação quanto ao uso do contêiner, e sua aplicação na construção civil é sustentável pelo próprio reuso do material. Gabriel defende a utilização desta nova tecnologia em prol do meio ambiente. “O aproveitamento representa um descarte a menos na natureza”, salienta. Ou seja, são alternativas sustentáveis por serem recicláveis e produzirem menos entulho do que uma obra convencional.

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