Esportes

Internet é caminho para popularização do futebol americano em SC

Considerada uma das principais competições do país, o Catarinense de Futebol Americano conta com o Timbó Trex, bicampeão brasileiro

Considerada uma das principais competições do país, o Catarinense de Futebol Americano conta com o Timbó Trex, bicampeão brasileiro

Texto: Elyson Gums e Rodrigo Rodrigues.

Se Santa Catarina é coadjuvante no futebol tradicional, com a bola oval em mãos é uma das federações mais fortes do país. Com cobertura interativa e transmissão de todas as partidas pelo Facebook, a 17ª edição do Campeonato Catarinense foi lançada em março. O pontapé inicial foi dado na vitória do Gaspar Black Hawks contra o Criciúma Miners, em 1 de abril.

O campeonato será disputado por sete equipes. Elas estão divididas em dois grupos, escolhidos por critérios técnicos. Esta primeira fase de competição dura até o início de junho, quando acontecem as semifinais. O jogo do título é o SC Bowl, previsto para 16 de junho.

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Arte: FCFA/Divulgação

Ainda sem prestígio o suficiente para figurar nas grades de TV da região, a opção foi utilizar as mídias sociais para divulgação do esporte. “Isso com certeza é um marco para a Federação Catarinense e para o futebol americano nacional”, diz Benjamin Lechuga, presidente da Afav (Associação de Futebol Americano do Vale do Itajaí), que gerencia o Itajaí Dockers.

No áudio abaixo, Benjamin fala mais sobre a importância da internet para atrair mais público.

No ano passado, as finais já foram transmitidas por meio das redes sociais, mas dessa vez todos os jogos estarão disponíveis nas redes. É tudo gratuito e feito por uma equipe especializada com narrador e repórter de campo. Os jogos ficam disponíveis na página da FCFA (Federação Catarinense de Futebol Americano).

A abertura do Campeonato – onde foram apresentadas fórmula da competição, planos para expansão da modalidade etc – também está disponível na íntegra no YouTube. Fãs do esporte puderam mandar perguntas e interagir em tempo real por meio de Facebook e Twitter.

Para competir com o futebol jogado com os pés, o presidente da FCFA, Ricardo André Pizetti, disse durante o lançamento do campeonato que é preciso “transformar o futebol americano num show, em algo que as pessoas realmente queiram consumir”. Essa “espetacularização” do esporte é bem evidente na NFL (National Football League, a liga norte-americana de futebol americano).

O principal exemplo é o Super Bowl. A ideia é fazer semelhante em Santa Catarina também, dentro das condições e limitações do esporte jogado no Brasil. Por isso, a cerimônia de abertura teve atrações artísticas e o mesmo é esperado para o SC Bowl, a final do campeonato.

Campeonato equilibrado e de alto nível

Santa Catarina é o estado com mais campeões nacionais de futebol americano. Entre eles, estão os atuais detentores do título, o Timbó Rex, apontado como favorito para o Catarinense desse ano. O bom desempenho chamou a atenção da comunidade local, que abraçou o time e é descrita como a “torcida mais eufórica do Brasil“.

Ou seja: é certo afirmar que mesmo com pouco incentivo, Santa Catarina tem vários apaixonados por futebol americano. É o caso de Rui de Almeida Júnior, jogador do Itajaí Dockers desde setembro de 2015. Para Rui, a eeuipe de Itajaí é um exemplo quando se fala em infraestrutura. “Por sermos um time novo, estamos nos estruturando de maneira gradativa, mas organizada. Os Dockers hoje possuem um staff completo, desde psicólogo, fisioterapeuta, nutricionista, além de técnicos experientes com títulos internacionais”, comenta.

A expectativa dele é de ir longe no Campeonato Catarinense.

Modalidade ganha cada vez mais fãs no Brasil (Foto: Divulgação / FCFA)

Fundado em 2014, o Itajaí Dockers tem a mesma pretensão de fazer bonito no Catarinense. Para isto, tem comando técnico do espanhol Bertu Fernandes e de seu auxiliar técnico, além de equipe composta por nutricionista, psicólogo, fisioterapeuta etc. Os treinos acontecem duas vezes por semana na pista de atletismo de Itajaí e uma vez por semana em seu centro de treinamento próprio. O próximo jogo é contra o Joinville Gladiators, no dia 8 de maio.

O time também apoia uma escolinha de futebol americano para crianças como forma de promover o esporte na região, com bolsas de estudo para famílias que não podem pagar pelas aulas.

Benjamin Lechuga explica como funcionam as inscrições da escolinha, que iniciou as atividades oficialmente no mês passado. Fica na Rua Paulo Hoier, 351 e o telefone para contato é (47) 99985-4499.

O esporte que mais cresce no Brasil

O futebol americano no Brasil sofre do mesmo problema que tantos outros esportes: a preferência do brasileiro por futebol. Além disso, em um primeiro momento as regras são confusas e a maioria dos termos são estrangeiros e ainda não tem “abrasileiramentos” – tackles, fumbles, red zone, as posições dos jogadores, enfim.

Uma série de fatores que poderia afastar o torcedor da modalidade. Apesar disso, é um dos países que mais registra crescimento da modalidade. Segundo a ESPN, a audiência cresceu 800% entre 2013 e 2016. Na última edição do Super Bowl, o Brasil foi o segundo país com mais engajamento no Twitter, atrás apenas dos Estados Unidos.

O jornalista Ismail Filho começou a assistir a NFL justamente por causa de um Super Bowl, em 2007. Virou torcedor do Indianapolis Colts, time que venceu naquela ocasião. Se interessou e continuou assistindo principalmente pelo equilíbrio e organização da liga, além de todo o fator entretenimento que envolve os jogos. “Além disso, 90% das equipes têm chances de ganhar o título e a divisão de direitos de transmissão é mais igualitária”, explica.

Como boa parte dos fãs brasileiros, começou acompanhando pela ESPN, ainda hoje detentora dos direitos de transmissão de toda a temporada, junto com o Esporte Interativo. Para aproximar os fãs de um esporte considerado estranho, as transmissões são bem humoradas e didáticas.

“O pai do futebol americano no Brasil é André José Adler. Ele foi narrador da ESPN quando as transmissões eram feitas de Bristol. Antes de morrer, eu o entrevistei numa webrádio e ele estava sempre ansioso pelos torneios que organizava, principalmente, o Touchdown. Mas, acompanhar eu não consigo. Acho que criei, na minha cabeça, um padrão de qualidade muito bom para acompanhar apenas o praticado nos EUA”, finaliza Ismail.

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