Bem-Estar

Abolir ou substituir a carne vermelha?

Especialistas explicam sobre as necessidades de manter a carne vermelha no cardápio, as suas substituições possíveis e a carência do paciente individualmente.

Especialistas explicam sobre as necessidades de manter a carne vermelha no cardápio, as suas substituições possíveis e a carência do paciente individualmente.

Texto: Kamila Dias, Alexsandra Souza e Suelen Oliveira.

Alcatra, bife, carne moída, costela, carne de panela… Ah, o churrasco de domingo em família! São esses e os mais diversificados tipos de carnes vermelhas que enriquecem o prato do consumidor brasileiro. Mas será que realmente a carne vermelha é necessária para a saúde das pessoas? A nutricionista Karina Dias explica que a carne bovina é um alimento fonte de proteína e que tem outros nutrientes como vitaminas do complexo B, vitamina A e sais minerais. Fonte principalmente de Ferro e Zinco, as carnes ainda ofertam outros minerais, Fósforo, Potássio, Magnésio e Selênio. Ela revela também que: “O consumo da carne vermelha ajuda na saúde do coração e do sistema nervoso. Sua grande quantidade de proteína animal e de algumas vitaminas dá energia ao organismo. Além disso, ela também é capaz de fornecer todos os aminoácidos essenciais para um bom funcionamento do organismo”.

Segundo o gastroenterologista Dr. Everson Malluta, a carne vermelha não é essencial na alimentação do ser humano, podendo ser substituída pela carne branca. É o caso de Emanuelle Ferrari, 20 anos, que há um ano retirou a carne radicalmente da sua alimentação, onde não consumia nem carnes brancas. Porém, há seis meses voltou a comer peixes e frutos do mar e reduziu os derivados da carne vermelha. Ela mudou seus hábitos por sacrificarem os animais e hoje em dia ela não tem nenhuma vontade de comê-los.

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Foto: Kamila Dias

O que mais chama atenção é que a família de Emanuelle é natural do Rio Grande do Sul, onde as pessoas são consideradas “loucas por carnes”, mas por ela ter mudado sua alimentação, seu pai também alterou alguns costumes, sem que ela pedisse. “Hoje ele come três vezes na semana e não sente falta, não faz tanta questão de comer e não tenta mais me fazer comer”, ela comenta. Dentre seus conhecidos, várias pessoas optaram por mudanças, talvez não tão radicalmente, mas resolveram reduzir carnes vermelhas e derivados da alimentação diária.

Karina ressalta que a quantidade de proteína animal ideal, ou seja, a necessidade diária do paciente, depende da idade e de vários outros fatores. Por conta disso, ela sugere que a pessoa procure um nutricionista para saber sua quantidade necessária. Foi exatamente o que Emanuelle fez. Ela procurou um nutricionista que lhe ajudou nessa mudança de hábitos em sua alimentação.

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Foto: Kamila Dias

Segundo a nutricionista, as proteínas animais podem ser consumidas duas vezes ao dia. “Se pensarmos em carne vermelha, carne de gado, o ideal é que seu consumo fosse restrito a três vezes na semana. Em excesso ela deve ser evitada por ser rica em ácido araquidônico, uma gordura que desencadeia processos inflamatórios, mas isso não significa que ela deva ser abolida do cardápio, pois também fornece CLA (ácido linoleico conjugado) e creatina (aminoácido), dois elementos essenciais na construção e reparação muscular.”, indica Karina.

Dona Maria Cordeiro, 50 anos, diz ter reduzido a carne vermelha do seu cardápio semanal, mas não a abandonou de vez. Há três anos ela consome carne bovina no máximo duas vezes na semana, nas demais ela opta por peixe. Ela alterou sua alimentação, juntamente com um médico, pois teve um princípio de AVC, tendo assim a necessidade de reduzir certas gorduras em que era acostumada a consumir.

Everson indica que não há uma relação direta da carne com alguma doença, contanto que a carne seja bem processada e bem conservada, obviamente. Porém, o excesso de consumo de carnes, principalmente da carne vermelha, pode contribuir para o aumento do colesterol e possíveis problemas cardíacos, o que pode ser evitado com boas escolhas, optando por carnes magras. Além disso, “quantidades excessivas podem acarretar em problemas renais e hepáticos. Já a falta do alimento pode causar visíveis danos à saúde ,como a perda de massa magra, enfraquecimentos de unhas e cabelo, má regeneração dos tecidos, entre outros”, aponta Karina.

Ao perguntarmos sobre a exclusão de todos os tipos de carnes da dieta e a substituição da carne por um único alimento vegetal, a nutricionista responde de forma precisa e rápida: “é uma maneira errônea de pensar”. Ela ainda explica que ao excluir a carne da alimentação, o indivíduo deve ter consciência de que nenhum alimento, nem mesmo os de origem animal, são semelhantes a ela. Desta forma há uma grande gama de alimentos vegetais que são capazes de fornecer os nutrientes necessários, porém há necessidade em realizar uma dieta variada.

O gastroenterologista relata que há uma relação entre o não consumo da proteína com a deficiência da vitamina B12. Isso “pode levar a um quadro chamado anemia megaloblástica, onde são reduzidos os o número de glóbulos vermelhos e nesse quadro a pessoa também pode ter algumas alterações neurológicas, chamada neuropatia periférica”, explica.

Em sua rotina, Hélio Jovito, 46 anos, consumia carnes vermelhas no almoço e no jantar, diariamente. Há cinco anos, preocupou-se com sua saúde e procurou um médico, foi aí que descobriu que tinha apneia do sono. Um especialista recomendou que ele diminuísse ou fizesse ainda melhor, parasse de ingerir bebidas alcóolicas. Além disso, sugeriu que praticasse exercícios físicos e, considerado o mais difícil para ele, reduzir o consumo de carnes vermelhas em sua dieta rotineira. Foi exatamente o que ele fez. Hoje ele não bebe nenhum tipo de bebida alcóolica, corre 5 km diários e consome carne vermelha de três a quatro vezes na semana, somente no almoço. Além de mudar também outros hábitos na sua alimentação.

Em geral, ambos os profissionais recomendam aos pacientes uma dieta balanceada, rica em nutrientes, e não abolir o hábito de consumir carnes vermelhas, ou seja, é possível a substituição.

A seguir, o vídeo do programa Vida e Saúde, explica as necessidades do consumo da carne vermelha e as substituições que podem existir no cardápio das pessoas:

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