Tecnologia

Meninas entram de vez nos jogos online

Cheias de vontade, as meninas entraram de vez no mundo dos games online e já são uma boa fatia do público no segmento

Chega daquele velho papo de que videogame é coisa para meninos. Elas também gostaram dos jogos em plataformas digitais e mostram que não falta talento para as garotas gamers

Texto: Bernardo Marucco 

Nada de suor ou esforço físico, enquanto mãos rápidas dominam mouse e teclado, enquanto os olhos seguem fixos na tela. Nos e-sports, ou esportes eletrônicos, quem mais trabalha é o cérebro. E nesse universo online, as mulheres ganham cada vez mais espaço entre os influenciadores digitais e participantes dos jogos.

Líder na participação feminina, o League of Legends é um jogo do estilo MOBA (Multiplayer Online Battle Arena) responsável por reunir muitas garotas. Uma delas é a jovem itajaiense Anna Carolina Goedert, de 17 anos. Fã do personagem Teemo, um dos mais populares no game, ela até comprou um chapéu de pelúcia idêntico ao utilizado pelo herói no LOL. “E eu nem jogo tanto com ele, prefiro usar a Nami, Lux e Jynx. Mas acho o Teemo muito fofinho, por isso ele é o meu preferido,” disse a jovem, que se diverte há pouco mais de dois anos com o nickname online de catwish.

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Anna Carolina e o seu chapéu favorito, do personagem Teemo, de League of Legends (Foto de Jorge Matheus/ Facebook)

Em São Paulo, Nathália Marchiore abandonou a faculdade de marketing para se dedicar exclusivamente ao seu canal no Youtube, o Dinossaura Gamer. Hoje, ela possui mais de 400 mil inscritos e faz sucesso entre participantes de vários jogos. Com uma postura altamente profissional, Fleeur (nick usado por Nathália) não tolera qualquer tipo de assédio ou machismo em suas transmissões. “Quem se interessa de verdade pelos jogos não tá nem aí pra aparência. Estou aqui pra jogar, então se você estiver aqui pelo jogo, não vai ficar falando nada sobre mim. Os caras tem que se tocar, né? Nem adianta mandar mensagem engraçadinha que eu ignoro mesmo,” declarou a influenciadora digital, paulistana de 22 anos.

A linha séria seguida por Nathália não se encaixa para todas as streamers de jogos digitais. “Outra parte das garotas faz questão de colocar decote e short curto pra atrair os caras e ganharem inscritos e doações. E olha que eu nem vou comentar sobre as meninas que ficam com os jogadores famosinhos só pra aparecerem no cenário,” disse Marchiore, que faz transmissões ao vivo de suas participações em League of Legends e Smite, outro game do estilo MOBA.

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Fleeur - 1
Séria e focada, Nathália é conhecida no mundo dos games como “Fleeur” (Foto/Reprodução Facebook)
O que atrai o público feminino?

Para a gamer paulista Tamara Veiga, não existe um segmento específico de jogos para as meninas. Uma série de fatores pode contribuir para a aproximação entre garotas e diversão em plataformas digitais. “Eu já joguei, por muito tempo, Call of Duty. É um jogo de guerra e tiro em primeira pessoa (FPS – First Person Shooting), com sangue e muitas mortes. Isso não me afastou desse jogo, ao contrário, me fez ficar ainda mais fã dele,” falou Tamara, de 21 anos. “No geral, acredito que personagens femininas e opções de customização podem ajudar a puxar algumas meninas para os games online,” comentou Tamara, que é professora de inglês na escola CNA, em São Paulo.

Segundo a psicóloga Hollyhanna Viccari, não há grandes diferenças entre o funcionamento do cérebro de meninos e meninas quando eles estão jogando. “Se fosse atividades que exigem mais esforços físico, como correr e saltar, os meninos levariam vantagem graças ao hormônio testosterona. Mas, quando falamos de jogos online, as duas mentes atuam em um fluxo semelhante e não há vantagens ou desvantagens relevantes entre os sexos,” analisou Hollyhanna, profissional que atua na Prefeitura de Jaraguá do Sul.

Para o desenvolvedor de jogos online Tiago Cruz, o mercado já entendeu a importância das consumidoras em seu faturamento. “Elas aprovam os produtos e se dedicam intensamente aos games, assim como os meninos. Nos últimos anos, a indústria já deixou de produzir conteúdo específico para elas. Se o material for realmente bom, vai ser aproveitado pelos dois sexos, sem diferenças,” disse Tiago.

 

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