Arte e Cultura

Quarenta dias de fé, oração e restrições

Nas igrejas, durante a Semana Santa, todas as imagens de santos estão cobertas com tecidos roxos. O motivo é fazer com que os fiéis foquem apenas no sofrimento de Cristo durante o período que passou em Jerusalém que antecedeu a sua morte.

Nas igrejas, durante a Semana Santa, todas as imagens de santos estão cobertas com tecidos roxos. O motivo é fazer com que os fiéis foquem apenas no sofrimento de Cristo durante o período que passou em Jerusalém que antecedeu a sua morte.

Texto: Kerolaine Rinaldi e Helena Moreira

Os 40 dias entre quarta-feira de cinzas e o Domingo de Ramos, anterior a principal celebração do cristianismo, a Páscoa, são especiais para os católicos.  O período chamado de Quaresma é dedicado à reflexão, à oração e restrições em respeito ao tempo em que Jesus Cristo passou no deserto e seu sofrimento. As principais práticas durante esse período são o jejum e a penitência, que é a conversão do pecador pelos seus atos.

Alguns símbolos são muito representativos nesse período, a cor roxa nas vestes dos padres e toalhas e luzes das igrejas representa a tristeza nesses dias, a cruz simboliza a esperança de um novo tempo marcado pelo sacrifício de Cristo, o jejum solidário trás o ensinamento da misericórdia e sobre a necessidade de abrir mão para os irmãos, deixando o egoísmo de lado e abrindo mão de alguns hábitos como álcool, fumo e televisão.

Na Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento o Padre Sergio José Souza, diz que esse período de 40 dias, serve para a conversão e orações. “Para lembrar que viemos do pó e que ao pó retornaremos” afirma o pároco.  Ele esclarece que o tempo resgata também o sofrimento de Jesus no período em que passou no deserto e que o período serve para exercitar o ser humano a abrir mão de coisas em excesso.

Pessoas com grande ligação com a igreja católica tendem a seguir os rituais desse período, como é o caso da Julia Travessini, de 19 anos. Ela e sua família são conhecidas onde moram por serem bastante atuantes na comunidade católica local, sendo seu avô Ministro da Eucaristia, sua mãe Ministra da Palavra e ela e seus dois irmãos mais novos coroinhas desde a infância até o final da adolescência.

Eles seguem várias das recomendações da Igreja Católica para o período. Não ingerem carne vermelha nas sextas-feiras e rezam as orações referentes ao sofrimento de Jesus sempre que almoçam. Na sexta-feira Santa, ela e a família tem o hábito de acordar cedo para fazer o terço de Maria e para as almas, não escutam música e veem a missa pela televisão. Na parte da tarde a família celebra Via-Sacra, um conjunto de orações que se faz diante de 14 estátuas ou quadros que representam as principais cenas da crucificação de Jesus. Em seguida fazem a procissão até a Praça da Paz em Itapema, onde assistem a tradicional apresentação da Paixão de Cristo.

No entanto, nem todas as famílias seguem tão a risca esses princípios. Rosani Krejci Renner e sua família, embora tenham ligação com a religião, são um exemplo disso. Ao contrário da família Travessini que possuem um ritual de orações para a época, os Renner se restringem apenas a não comer carne vermelha na Sexta-feira Santa, mantendo o respeito por quem adere às praticas.

Quem também não segue ao pé da letra as indicações do Código Canônico, apesar de se considerar católica praticante é a bailarina Fernanda Pelizer, de 22 anos. Ela afirma que por causa do trabalho e da faculdade que consomem seu tempo nos últimos anos tem se desligado da Igreja, mas que durante a adolescência frequentava mais as missas durante os 40 dias que antecedem a Páscoa. No entanto, nunca praticou restrições alimentares ou de comportamento no período.

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De acordo com o Código Canônico da Igreja Católica, todo fiel deve fazer penitencia ao seu modo. “Todos os fiéis, cada um a seu modo, estão obrigados pela lei divina a fazer penitência; não obstante, para que todos se unam em alguma prática comum de penitência, se fixaram uns dias de penitência para os fiéis que se dedicam de maneira especial a oração, realizam obras de piedade e de caridade e se negam a si mesmos, cumprindo com maior fidelidade suas próprias obrigações e, sobretudo, observando o jejum e a abstinência.” Código de Direito Canônico, c. 1249.

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