Economia

Reforma da previdência social preocupa jovens em início de carreira

PEC 287, que prevê reforma da Previdência Social, acende debates na sociedade em relação ao direito à aposentadoria. Entre os mais atingidos estão jovens que acabaram de entrar no mercado de trabalho.

PEC 287, que prevê reforma da Previdência Social, acende debates na sociedade em relação ao direito à aposentadoria. Entre os mais atingidos estão jovens que acabaram de entrar no mercado de trabalho.

Texto: Daiane de Souza
Edição: Anna Paola Paraná e Duda Cagneti

Dispensar o despertador e dormir até a hora que quiser. Não ter preocupação em bater cartão ou passar horas do seu dia no trânsito, no trajeto casa x trabalho.  Esta é a rotina de 75% dos 18,5 milhões de aposentados no Brasil que não trabalham nem contribuem com o INSS, segundo dados de 2016 do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O que é realidade para alguns, porém, é apenas um sonho – que pode estar ainda mais distante – para outros.

A Proposta de Emenda Constitucional, PEC 287/2016, popularmente conhecida como PEC da Reforma da Previdência, pode fazer com o que o trabalhador demore um pouco mais para conquistar os merecidos e tão esperados dias de descanso. Ainda mais para quem está entrando no mercado de trabalho agora. A proposta ainda não tem data para votação mas já mexe com as opiniões da população, deixando muitos jovens preocupados.

Jadhi Vincki Gaspar, 25 anos, é estudante de Ciências Contábeis na Universidade Federal de Santa Catarina, UFSC, e nunca trabalhou com carteira assinada. Apesar de considerar a contribuição com o INSS importante para aproveitar o benefício da aposentadoria no futuro, a jovem preferiu dedicar-se à rotina e aos projetos acadêmicos. “No momento sou ressarcida por um estágio, através de uma bolsa de iniciação cientifica em um projeto na universidade. Porém, assim que minhas bolsas expirarem, minha meta é que meu próximo emprego seja formalizado com carteira assinada”, ela explica.

A previdência social é um direito previsto em lei

“A previdência social é uma espécie de seguro público, que visa proporcionar ao trabalhador uma renda quando este não tiver capacidade de trabalhar, como nos casos de doenças, acidente e aposentadoria”, explica Janypher Marcela Inácio, professora e especialista em Economia e Gestão das Estratégias Empresariais. De acordo com ela, o fato de não ter como fugir da previdência social, uma vez que todo trabalhador registrado contribui automaticamente com o INSS através do desconto na folha de pagamento, faz com que a discussão dos jovens sobre assunto seja tão importante. “No início da carreira os trabalhadores estão mais dispostos. Desta forma, se torna interessante já se preocupar com isto, pois quanto antes começar, maior será o montante acumulado ao final do período”, acrescenta.

Este é o caso de Gabriel Viebrantz, 24, projetista e estudante de Engenharia de Produção da Universidade Regional de Blumenau, FURB. O jovem já soma quase quatro anos de contribuição com o INSS e confessa que este é um tema de constante discussão. “Hoje eu trabalho com carteira assinada, tudo certinho, para lá na frente ter um final de vida mais tranquilo, sem preocupação”.

Roseana Viebrantz, 50, professora da rede pública de ensino, questiona as mudanças de regras que acompanham a previdência social. “É bem triste chegar ao final da carreira, sabendo que você contribuiu tanto, e ter que esperar mais um pouco para se aposentar. Isso sem contar se você realmente chega com saúde e a qualidade de vida que lhe é devida”.

Para Janypher, a reforma da previdência social é necessária, ao considerar o aumento da expectativa de vida dos brasileiros. Porém, o problema está no fato da reforma atingir principalmente os funcionários de empresas privadas, ao passo que funcionários públicos de alto escalão e das forças armadas recebem salários maiores, inclusive, com aposentadorias acima do teto. “O Brasil precisa de muitas reformas e na minha opinião a previdência é uma delas, porém não é a mais emergencial. Mas se for para fazer se deve pensar em qual faixa efetivamente onera mais os cofres públicos: se são pessoas simples, que ganham um salário mínimo, ou aqueles com altos salários e regras bem mais suaves para se aposentar”, questiona a especialista.

Previdência privada como opção

Em um período de incertezas no que tange a previdência social e o futuro dos contribuintes, a previdência privada surge mais forte do que nunca, como opção de segurança. É o que mostra a Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi), que acompanhou um aumento de 26% nos planos de previdência privada em novembro de 2016, em comparação ao mês anterior. Enquanto a previdência social é um direito garantido em lei, do qual, como disse a professora Janypher “não há como fugir”, a previdência privada ou complementar é opcional, individual, e cabe ao trabalhador optar em qual instituição deixar seu recurso.

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