Comportamento

Superstições: meras crenças populares ou costumes exagerados?

Virar o chinelo que está de cabeça pra baixo, jamais passar embaixo de escadas, fugir de gatos pretos. Saiba quando as superstições viram doença e se transformam em transtorno obsessivo compulsivo, o TOC

Virar o chinelo que está de cabeça pra baixo, jamais passar embaixo de escadas, fugir de gatos pretos. As superstições fazem parte da cultura brasileira, mas as manias podem até virar doença caso se transformem em transtornos obsessivos

Texto: Aline Dall’ Igna, Geraldo Genovez e Pâmela Simas Fogaça

Passar embaixo de escadas dá azar. Achar um trevo de quatro folha traz sorte. Sexta-feira 13 é o dia em que coisas ruins e assustadoras podem acontecer. As superstições existem há anos e ainda fazem parte do cotidiano de muita gente sendo passadas de geração para geração. O medo de que coisas ruins possam acontecer faz com que tais crenças não sejam ignoradas.

Os comportamentos supersticiosos são explicações que as pessoas criaram ao longo do tempo para dar sentido a fenômenos e experiências pelas quais passaram. Por exemplo, uma pessoa pode usar um amuleto e achar que ele a protege do perigo. Ela usa uma vez, não acontece nada, então passa a atribuir a proteção ao objeto e disseminar a ideia de que tal objeto é protetor.

A superstição é uma crença popular que não possui explicação científica, por isso, muitas pessoas associam tais crenças a fatores ruins. Pela falta de conhecimento, explicações irracionais e sem sentido são dadas a tais fatos. Desta forma, algumas superstições aparentemente inofensivas podem prejudicar a vida de algumas pessoas e até de certos animais.

Para a doméstica Avinilda Maciesk a superstição não é apenas uma crença popular, mas sim um aviso do destino. Ela conta que toda vez que sonha com uma casa velha, a morte se aproxima. “No começo pensei que fosse coincidência, mas toda vez que tenho esse sonho recebo notícia de morte nos dias seguintes”, contou.

“Cruzar com gato preto dá azar”, essa é uma das mais conhecidas superstições que, infelizmente, é seguida até os dias de hoje. Muitas pessoas acreditam que o gato preto representa o mal e que coisas ruins vão acontecer. Essa crença sem sentido faz com que os felinos sejam maltratados e evitados, quando, na verdade, eles são inofensivos como qualquer gato de outra cor.

Além dos animais, algumas pessoas também são prejudicadas por motivos banais. Ao seguir a superstição de que na sexta-feira 13 coisas ruins acontecem, elas deixam de fazer certas atividades com medo de que a crença se cumpra. Sabendo que não existe explicação das causas e efeitos dessas superstições, é no mínimo arriscado seguir tais crendices.

Se não existe explicação científica, quais fatores explicam a crença em superstições?

Para a psicóloga Eduarda Zimmermann Becker, a cultura e a história influenciaram muito no psicológico das pessoas já que elas não costumam questionar a cultura – o que foi posto, está posto. “Caso as pessoas realmente analisassem tais situações, entenderiam que não há fundamento científico nisso. Mas é difícil questionarmos ou julgarmos as crenças e, para muitos, crenças vão muito além do científico”, explica.

A psicóloga Josie Conti reafirma a força da questão cultural. “As pessoas aprendem que devem fazer isso e, mesmo que racionalmente entendam que não existe sentido para se desviar, elas sentem-se mais tranquilas apenas quando repetem o ritual que lhes é familiar”, disse.

Há ainda as pessoas que não acreditam em superstições, mas evitam certas atitudes, com receio de que sejam prejudicadas. A psicóloga explica que tal comportamento seja uma defesa emocional, afinal, nosso organismo tenta se defender de tudo o que nos incomoda. Por mais que a pessoa não acredite, de alguma forma mexe com ela, podendo até gerar medo. “Volta a questão cultural. Pode haver aquele pensamento de ‘eu não acredito, mas é melhor eu me defender disso, porque causa medo, angústia, apreensão’”, explica Eduarda.

Já a psicóloga Josie Conti explica que somos seres sociais e culturais, logo nos identificamos com o comportamento das pessoas que estão perto de nós e tendemos a repeti-los ao longo da vida. Essa repetição gera conforto e segurança uma vez que ela nos é familiar.

Ao lidar com superstições e comportamento humano, alguns cuidados devem ser tomados, por exemplo, quando a crença deixa de ser inofensiva e se transforma em fobia ou medo?

Josie explica que em casos de comportamentos obsessivos e ritualísticos, comuns nos casos de Transtornos Obsessivos Compulsivos, a pessoa cria um pensamento fantasioso, identifica-o como tal, mas não consegue deixar de realizá-lo, pois cada vez que o realiza acontece um alívio de sintomas ansiosos.

“Este tipo de sintoma deve ser avaliado por um profissional da psicologia e/ou psiquiatria, pois tende a ser crônico e progressivo levando, em alguns casos, até a incapacidade”, alerta Josie.

Abaixo estão listadas as superstições mais comuns. E você tem alguma?

– Passar embaixo de escada dá azar

– Na sexta-feira 13 coisas ruins acontecem

– Cruzar com gato preto dá azar

– Deixar o chinelo virado pode causar a morte da mãe

– Quebrar um espelho causa 7 anos de azar

– Encontrar um trevo de quatro folhas gera sorte

– Colocar bolsa no chão pode diminuir os lucros

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