Bem-Estar

Uma guerra interna chamada TPM

Período em que muitas mulheres passam por instabilidades emocionais e dores físicas, a TPM, que é considerada por muitos mito ou exagero, é comprovada pela ciência e precisa de tratamentos

Período em que muitas mulheres passam por instabilidades emocionais e dores físicas, a TPM, que é considerada por muitos mito ou exagero, é comprovada pela ciência e precisa de tratamentos 

Ser mulher é praticamente estar ligada a algum tipo de tabu. Assuntos que deveriam ser comuns, infelizmente, são menosprezados e desde jovens elas passam a ter vergonha de falar. Que mulher em sã consciência sairia por aí comentando, perto de homens, sobre TPM e seu ciclo menstrual? Menstruar é algo que faz parte do organismo feminino, por que elas deveriam ter vergonha de comentar sobre o assunto? Nesse período, a maioria das mulheres fica mais sensível. A TPM (tensão pré-menstrual) normalmente vem alguns dias antes da menstruação, variando de mulher para mulher.

Ao ouvir falar em TPM, a primeira ideia que vem a cabeça é relacionada a dores. Muitas dores. Sem falar na indisposição e no estresse. O espelho não ajuda, as espinhas surgem, só para piorar. A estudante de estética Karina Souza, 18 anos, se sente muito estressada nesse período, não tem vontade de se arrumar e sua pele fica feia. Ela também sente muitas dores no corpo e que até seus cabelos cacheados ficam sem forma.

A idade em que as meninas começam a menstruar varia, ocorre, geralmente, entre os 11 e 14 anos. A médica especialista em ginecologia e obstetrícia Ana Comin explica como funciona o comportamento das mulheres nesse período: Enquanto a mulher menstrua, ela está sob domínio de progesterona, que começa a cair e, com isso, começa a perder peso do edema, da retenção hídrica, como também começa a voltar ao seu normal emocionalmente, ficando menos sensível às coisas e atitudes que a cercam”.

Ana pontua que, à medida que o ciclo vai passando, começa a predominar o estrogênio e o cenário se modifica. “Durante esse período, a paciente sente-se bem, não tem retenção, humor normal, apetite normal. Em torno de 15 dias após ela menstruar tem a ovulação. A partir daí, inicia mais uma vez o aumento da progesterona. Com ela também aumento, progressivo, da retenção hídrica, da irritação, da sensibilidade com relação ao humor (choro fácil), desejo por comer doce, corpo mais dolorido (dor lombar, dor nas mamas, dor em membros inferiores). O pico máximo ocorre quando menstrua e inicia o alívio de tudo novamente”.

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Imagem ilustrativa do site Ciências na Mosca

Quando a mulher sente muita dor, é recomendado que ela vá a um especialista. Às vezes, é preciso realizar tratamento com medicamentos. Alguns anticoncepcionais desregulam ou até mesmo fazem a menstruação das mulheres pararem, isso acontece “devido ao mecanismo de ação. Injetáveis, por exemplo, são de depósito. São ruins para deixar a mulher regulada. Orais são dependentes da dose. E ainda existem as variações pessoais da mulher”, relata a ginecologista Ana. E ressalta que, “a troca de anticoncepcional oral pode causar sangramento irregular ou ausência de menstruação por algum período, geralmente 30 dias. Até o intervalo da cartela”.

Não há como negar a relação existente entre os fatores emocionais e físicos presentes na TPM. A psicóloga Giovana Delvan Stuhler explica como e porque isso acontece: “Na 5ª edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtorno Mentais (DSM-5), por exemplo, encontramos o Transtorno Disfórico Pré-Menstrual que traz justamente esta sintomatologia (pelo menos um ou mais). São elas: mudança de humor, irritabilidade, humor deprimido, ansiedade acentuada, ou seja, sintomas como devem estar presentes na semana final antes do início da menstruação, começar a melhorar poucos dias depois do início da menstruação e tornar-se mínimos ou ausentes na semana pós-menstrual.”

A assistente administrativo de departamento jurídico Mayara Maestri, 20 anos, conta que nos dias anteriores à menstruação ela se sente de saco cheio com tudo, se irrita com pessoas que falam alto, ou que falam muito. “Dá vontade de arrancar o pescoço de alguém e depois entro em um drama, que só choro, por qualquer coisa”.

tpm 2Foto por: Andressa Magalhães/ Modelo: Bianca Pereira

Segundo a psicóloga, é necessário também confirmar a presença de outros sintomas, como: diminuição do interesse pelas atividades habituais, ou fadiga, ou muito sono ou insônia, ou sentir-se fora do controle. “Qualquer mulher pode apresentar alguns destes sintomas, mas também se observa que a aproximação da menopausa pode intensificar alguns deles”.

Verônica Nascimento Assumpção, 30 anos, sempre teve TPM, porém, muda de mês para mês e vive todos os sentimentos possíveis quando está nesse período. Ela é mãe e optou por fazer laqueadura. Depois do procedimento, a TPM piorou muito. Ana Luiza Pereira e Rayane Couto, ambas de 20 anos, dizem não sentir nada.

Um dos conselhos da ginecologista Ana é praticar atividade física, ter alimentação saudável e fazer ingestão de alimentos ricos em ômega 3. Tomar muita água, não fumar e não fazer uso de álcool também ajuda. Às vezes, a psicóloga Giovana indica para as pacientes que façam terapia. Isso ajuda a mulher a ficar mais atenta aos possíveis “gatilhos” acionados nesse período e, desta forma, adotar estratégias que auxiliem no controle destes sintomas, evitando intensificar o sofrimento já existente. 

Mesmo com tantas informações disponíveis, muitas mulheres acabam tendo de lidar com comentários do tipo: “é frescura”, “é só para não trabalhar”, “para que tanto drama?”. Entrevistamos algumas mulheres para saber como a TPM afeta a qualidade de vida delas.

Para a acadêmica de administração Sara Tose de Souza, a parte emocional fica totalmente instável. Sente-se muito sonolenta e tem muita fome. Nesses dias, ela também costuma ficar muito estressada.

Criamos uma enquete em algumas redes sociais para as mulheres relatarem como é o período da TPM delas. Confira o gráfico:

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Uma das coisas mais comuns de se notar é que, geralmente, quando duas ou mais mulheres começam a conviver, o ciclo tende a ficar parecido. Amanda e Débora namoram há pouco mais de 2 anos, e explicam que isso realmente aconteceu com elas. “O período da Débora vem primeiro, com mais ou menos, uma semana de diferença do meu”, explica Amanda. Muitos se assustam ao imaginar duas mulheres na TPM praticamente juntas. “Temos problema de cólicas e dores no corpo. Em questão emocional, ela fica mais agitada e nervosa. Eu também fico nervosa, sentimental e sinto muita fome! Isso acaba gerando pequenas discussões. Nada muito sério. Mas às vezes acontece de uma ser grossa com a outra sem perceber e depois a outra perguntar ‘tá de TPM né?’. Então, pelo grande tempo de convivência, a gente já sabe como funciona”.

TPM 1Foto por: Andressa Magalhães/ Modelo: Bianca Pereira

Um dos sintomas mais recorrentes durante a TPM é a fome causada pela ansiedade. Tem mulheres que sentem necessidade de comer doce, outras têm necessidade de simplesmente comer. A nutricionista Karina Dias explica por que isso acontece. “Este sintoma é denominado compulsão por doces, devido à queda de serotonina e das endorfinas (neurotransmissores que nos dão a sensação de bem-estar). Quando consumimos um chocolate por exemplo, o que acontece no organismo é o que já citei anteriormente, uma falsa sensação de bem estar dando lugar a irritabilidade e mal estar na sequência. Uma opção seria consumir um tablete (5g) de chocolate com no mínimo 70% cacau. O cacau possui triptofano, aminoácido que participa da produção de serotonina. Outra dica é experimentar um lanche da tarde diferente com uma banana amassada com um pouquinho de cacau em pó e aveia, já que esses outros dois ingredientes também possuem triptofano”.

Por conta da ansiedade, a fome aumenta, então o ideal é que o cuidado com a alimentação seja um pouco mais cuidadoso nesses dias, para evitar alguns desconfortos. Karina revela quais os tipos de alimentos que devem ser evitados: “além de evitar o excesso de sódio, sejam evitados alimentos ricos em gorduras e alimentos refinados (farinha, açúcar, massas, arroz) já que irão causar uma sensação de bem-estar falsa, com um aumento imediato da glicemia e seguinte queda, gerando mal estar, irritação e ansiedade. Evitar consumir café, chás estimulantes, chocolate, coca cola, alimentos e bebidas que contenham cafeína, álcool e evite o tabagismo, são medidas importantes para evitar o aumento de ansiedade comuns desse período. Estes podem ser substituídos por chás calmantes: erva-doce, camomila, erva cidreira, passiflora e melissa”.

Em relação ao inchaço que acontece no corpo, ela explica que é devido à retenção hídrica, sintoma frequente na maioria das mulheres neste período. “A retenção hídrica faz com que o peso na balança aumente, porém não é aumento de gordura e sim acúmulo de líquido, o que tende a se normalizar logo após a menstruação. Para que esse sintoma não seja intensificado, a mulher deve evitar principalmente alimentos que já levam a uma retenção hídrica, como temperos e alimentos industrializados, assim como consumo excessivo de sal, visto a grande quantidade de sódio. Além disso, podem ser incluídos na dieta alimentos diuréticos, como chá de cavalinha, salsinha, cebola, alho, limão, etc.” Ela ressalta que é extremamente importante que seja realizada consulta com um nutricionista, para a avaliação individual de cada caso. “O que serve para mim, pode não servir para você”.

O programa Bem Estar passou no dia 6 de fevereiro uma matéria explicativa sobre a TPM, assista ao vídeo:

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