Meio Ambiente

A arte de reciclar: transformando o lixo e o mundo

A questão da necessidade de reciclar já não é novidade no mundo, felizmente há pessoas que conseguem dar um belo destino ao que já foi lixo um dia

A questão da necessidade de reciclar já não é novidade no mundo, felizmente há pessoas que conseguem dar um belo destino ao que já foi lixo um dia

Texto: Gustavo Vasconcelos, Any Costa e Carolina Santana

Há exatos 11 anos, a orla da Praia de Navegantes é transformada cotidianamente no principal fornecedor de materiais de trabalho para Nivaldo Kloppel. O artista plástico de 54 anos, diz que sempre foi adepto da ecologia. Assim que começou a perceber o acumulo de lixo na praia em Navegantes, pesquisou diversas maneiras de como reaproveitar aqueles materiais que estavam no local onde não deveriam.

Os materiais encontrados são dos mais variados tipos. Nivaldo revela que utiliza bandejas de isopor, papel machê, revistas, madeiras, garrafas pets, livros, dentre outros objetos que seriam descartados e provavelmente participariam do processo de degradação do meio ambiente, assim como toneladas de lixo que são coletados em limpezas que acontecem na cidade de Navegantes.

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Série livros do Artista Nivaldo Kloppel: Livros rejeitados fixados num chassi de madeira e pintado com tinta acrílica.

Porém, não é somente na praia, local onde despertou interesse em Nivaldo a trabalhar com recicláveis, que são encontrados tais materiais. Nos três anos de “Limpando o Mundo – Navegantes”, foram recolhidos mais de 22 toneladas de lixo, sendo 730 quilos de materiais recicláveis. Além de arte, os recicláveis podem ter inúmeras destinações. A iniciativa da prefeitura quanto a isso foi a instalação de alguns “ecopontos”. O coletor possui seis divisórias para separação de papel e papelão, vidro, metal, plástico, pilhas e baterias e óleo de cozinha. Foi implantado desde 2011, porém nesse mês foram todos recolhidos para manutenção sem data para retornar aos pontos.

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Ecopontos localizados no Município de Navegantes/SC.

Já Oara de Jesus, professora e artista visual, residente em Balneário Camboriú, disse que, para ela, reciclar é uma prática de vida, e que o mundo seria melhor se todos tivessem essa consciência. “Reciclar é um estilo de vida, eu atualmente experimento todos os materiais e os deixo conversarem”. A artista trabalha com customizações e atualmente está produzindo luminárias com produtos totalmente reciclados. “Há algumas mudanças na sociedade de um tempo pra cá referente ao reaproveitamento de lixo reciclável, mas a maioria das pessoas ainda não tem essa consciência. Vejo a arte como se ela pudesse transformar isso, eu faço porque amo”.

Compartilhando da mesma ideologia, Ane Fernandes, professora do curso de Artes Visuais da Univali, acredita que quando você recicla um objeto, você está reciclando a si mesmo, e se “reciclar” faz parte das transformações do mundo e sociedade, que são importantíssimas para nossa evolução. “Reaproveitar um objeto, mesmo que seja por moda, politicamente correto ou por um bem ambiental, já é de grande valia, pois sempre terá algum fim valioso, mas acima de tudo isso, é importante que nesse processo de criação, você consiga se reciclar junto de seu trabalho”.

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Bandejas de isopor reciclada, recortada e colada. Textura feita com barro e cola para dar resistência. Artista: Nivaldo Kloppel.
Reciclagem 

A reciclagem é um processo em que determinados tipos de materiais, cotidianamente reconhecidos como lixo, são reutilizados como matéria-prima para a fabricação de novos produtos. Além de se apresentarem com propriedades físicas diferentes, estes também possuem uma nova composição química – fator principal que difere o reaproveitamento da reciclagem, conceitos estes muitas vezes confundidos.

Este processo é importante, nos dias de hoje, porque transforma aquilo que iria ou já se encontra no lixo em novos produtos, reduzindo resíduos que seriam lançados na natureza, ao mesmo tempo em que poupa matérias-primas, muitas vezes oriundas de recursos não renováveis, e energia. Para produzir alumínio reciclado, por exemplo, utiliza-se apenas 5% da energia necessária para fabricar o produto primário.

 

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