Economia

Saques de contas inativas do FGTS movimentam trabalhadores

O saque, que começou no dia 10/03, movimenta a economia da região e leva trabalhadores à agências da Caixa Econômica Federal. Dúvidas em relação ao benefício e como investi-lo são comuns

O saque, que começou no dia 10/03, movimenta a economia da região e leva trabalhadores à agências da Caixa Econômica Federal. Dúvidas em relação ao benefício e como investi-lo são comuns

Texto e Edição: Anna Paola Paraná, Daiane de Souza e Maria Eduarda Cagneti Silveira

            O saque de contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) começou no dia 10 de março. Ele se estende até 31 de julho e varia de acordo com a data de nascimento dos trabalhadores. Estima-se que os nascidos nos meses de janeiro e fevereiro totalizem um saque de R$6,96 bilhões, o que equivale a mais de 15% do disponível, segundo a Caixa Econômica Federal. O FGTS tem como objetivo proteger o trabalhador demitido sem justa causa, que recebe o seu fundo logo após o desligamento do emprego.

            Entretanto, nesse caso, quem tem direito ao saque das contas inativas são os trabalhadores demitidos por justa causa ou que pediram demissão até 31/12/2015. A gerente de atendimento da Caixa Econômica de Balneário Camboriú diz que logo nos primeiros dias o movimento já foi bastante intenso, e mesmo antes da liberação muitos trabalhadores já compareciam ao banco para tirar dúvidas e se informar. De acordo com ela, a liberação se dá de maneira automática, isentando a necessidade de solicitação para liberação.

            Os saques com valor de até R$ 3 mil podem ser realizados pelo autoatendimento. A necessidade do Cartão do Cidadão se dá para valores correspondentes a mais de R$ 1,5 mil. Acima de R$ 3 mil é necessário ir até algum caixa no banco. É importante frisar que esses valores são vistos individualmente por cada empresa ou empregador, ou seja, um trabalhador que teve grande rotatividade de emprego fará o número correspondente de saques.

            Taize Tanara da Silva, 29 anos, aguardava do lado de fora da agência lotada da Caixa Econômica no município de Camboriú, no primeiro dia da liberação do saque. Apesar de não ter certeza se tinha direito a algum valor, decidiu ir para tirar a dúvida. “Fico sabendo pela boca dos outros, não entendo muito dessas coisas”, confessa. Rafael Gonçalves de Carvalho, 28 anos, também compareceu à agência no primeiro dia de saque. O trabalhador, atualmente autônomo, diz que se incomoda com a falta de informação e busca se manter mais atualizado em relação aos seus direitos trabalhistas. “Isso me garante não ser passado para trás”, argumenta. Ele ainda ressalta que os trabalhadores não devem encarar a liberação do saque do FGTS das contas inativas como uma ajuda governamental. “O governo só fez a liberação de um direito que já é do trabalhador”, explica.

   O especialista em Contabilidade Gerencial e Finanças, Anacleto Laurino Pinto, explica que o FGTS é depositado mensalmente pelo empregador, correspondendo a 8% de tudo que é pago para o funcionário durante o mês. Essa quantia deve ser depositada até dia 7 (sete) de cada mês, numa conta especifica na Caixa Econômica. O conselho que ele dá para os trabalhadores é de quitar todas as dívidas existentes. Não é válido investir em algum outro bem enquanto se paga juros altos em dívidas que poderiam ser pagas com o FGTS das contas inativas.

            Anacleto afirma que o governo teve uma ótima iniciativa fazendo a liberação, mas que possivelmente não terá os resultados de movimentação que se espera. Boa parte da população vai pagar contas em andamento, o que acaba não estimulando a economia do comércio. Ele ainda incentiva que os trabalhadores passem a economizar mais, e acentua que mesmo ganhando pouco é possível economizar. “O povo brasileiro é muito mal educado financeiramente e não tem o costume de poupar”, analisa. Adotar esses novos hábitos conceberia mais tranquilidade ao bolso dos brasileiros, garantindo uma reserva para possíveis emergências e entendendo que o ideal é primeiro receber para depois poder gastar.

Para quem tem direito ao saque das contas inativas, Anacleto dá alguns conselhos:

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A reportagem foi às ruas para saber o que os trabalhadores entendem sobre o FGTS:

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