Meio Ambiente

Cães na praia: pode ou não pode? É bom ou não é?

Entenda as leis que proíbem cachorros na praia, e saiba quais são os cuidados e riscos de levar seu cão para passear nas areias de Balneário Camboriú e Itajaí

Entenda as leis que proíbem cachorros na praia, e saiba quais são os cuidados e riscos de levar seu cão para passear nas areias de Balneário Camboriú e Itajaí

Texto: Any Costa, Carolina Santana e Gustavo Vasconcelos

Com a chegada das altas temperaturas e o aumento dos turistas nas cidades de Balneário Camboriú e Itajaí, a disputa da areia fica dividida entre pessoas e cães. Isso gera muitas dúvidas para quem gosta de levar os cães na praia e quem não gosta de compartilhar a areia com os animais. Guia, água e saquinho de lixo. São esses três os itens básicos para sair de casa com seu cão. A veterinária Camila Busatta Bonatto indica que além desses cuidados o animal deve ser devidamente vacinado e vermifugado periodicamente. Repelentes de mosquitos e anti-pulgas também são recomendados. A boa educação dos tutores também é fundamental, sempre recolhendo as fezes e mantendo os pets com coleira e guia.

Na cidade de Itajaí, existe a Lei 3.579 de 2000 que proíbe a condução de cães na areia da praia, pelo risco de transmissão de doenças através das fezes dos animais. Juliana Cordeiro, estagiária de direito na Fundação do Meio Ambiente de Itajaí – FAMAI, revela que a maneira como eles trabalham em decorrência da infração dos proprietários de cães é a denúncia. Hoje existem dois fiscais no município responsáveis por atender todos os tipos de denúncia, não somente de cães na areia da praia, mas também de maus tratos, apreensão de animais, recolhida de animais abandonados e outros. Os valores da multa administrativa variam de acordo com a gravidade da ocorrência, entre R$ 500 e R$ 3 mil, e, caso haja recusa do proprietário em acatar, o último recurso usado é a retirada do animal, que é levado até uma unidade de acolhimento. Juliana afirma que são poucas as denúncias feitas anualmente envolvendo cães na areia das praias de Itajaí.

É sempre importante levar uma guia como segurança (Foto: Any Costa)

O estudante Tomas Andrade, que vive na praia Brava, em Itajaí, conta que muita gente reclama de cães de porte grande ou com fama de bravos. Segundo ele, muitos moradores locais não se importam tanto em dividir a areia da praia com os animais, a maioria das queixas vem dos turistas. O estudante costuma levar seu cão em horários com baixo movimento. “Tem que saber a hora de levar o cão, tem gente que leva na hora do meio dia ou horário de pico na praia, quando tem bastante gente. Tem que levar de manhã cedo, quando a maioria são donos com cachorros”, conclui. A bancária Leonor Kikina, que também frequenta a praia Brava, tem uma opinião divergente do estudante. “Acho desagradável por conta da saúde, das doenças que se pode pegar. Porém, o bicho não tem culpa por sentir necessidade de defecar e fazer xixi, o bom senso é do dono”.

No litoral de Santa Catarina é cada vez maior o número de diagnósticos de dirofilariose, conforme conta a veterinária Camila. A doença, popularmente conhecida como “verme do coração”, recebe esse nome pois causa sintomas de insuficiência cardíaca. Ele é transmitido pela picada de um mosquito que prefere áreas litorâneas. Depois de contaminado, não existe tratamento, por isso é importante focar na prevenção, fazendo o uso de repelentes e antiparasitários.

Em Balneário Camboriú, o Art. 8º da Lei 2.445 de 2005 diz: “É expressamente proibida a presença de cães, gatos ou outros animais em praias a qualquer título”. Ou seja, é proibida a circulação de animais nas areias das praias, ainda assim muitas pessoas circulam com eles. As denúncias são feitas para a Guarda Municipal pelo número 153. Assim como em Itajaí, caso o dono se recuse a pagar a multa, que varia entre R$ 245 podendo chegar até R$ 2.450, o animal poderá ser recolhido.

Mesmo com leis em vigor, cães continuam frequentando as praias de Itajaí (Foto: Carolina Santana)

A fashion designer Evelyn Coninck é adepta de levar seu cão na praia. “Passeio com frequência, não só eu como os quase 50 Goldens que existem aqui na região. Temos um grupo de WhatsApp em que promovemos encontros, até porque devido à característica da raça amar água, praia é o nosso ponto de encontro”. Evelyn conta não perceber problema no compartilhamento da praia entre pessoas e cães. “Nossos cães são vacinados, sinceramente acho um absurdo a proibição dos quatro patas na faixa de areia. Por várias vezes vejo pessoas sujando e até defecando na faixa de areia, sendo que se isso ocorre com nossos cães prontamente já limpamos o local, é uma questão de bom senso”. A designer conta que a Valentina já pegou um tipo de bactéria quando frequentava a praia Central de Balneário Camboriú. Agora, com a rigidez da lei na vizinha Praia Brava, de Itajaí, ela costuma visitar a Praia Grossa, em Itapema, por ser mais deserta e limpa.

A veterinária Camila explica que existem vários malefícios de levar os cães na areia da praia: desde leves irritações nos olhos, alergias na pele devido a areia, queimaduras por conta do sol forte, otite (inflamação no ouvido). A água do mar também pode causar problemas nos animais como a contaminação por alguns parasitas (vermes), até doenças mais graves como a dirofilariose. “Se a praia for própria para banho, dificilmente os animais sofrerão algum problema sistêmico, entretanto, se houver ingestão de água contaminada de alguma maneira, os animais, assim como nós, podem desenvolver vômito e diarreia (gastroenterite)”.

O ideal é levar seu cão em locais pouco movimentados (Foto: Carolina Santana)

Gabriela Antezana, empresária em Balneário Camboriú, também já teve seu cão atingido por problemas causados após a ida da Glitter na areia da praia, ela pegou micose. Diariamente, a empresária passeia com seu cão nas proximidades da praia na Barra Sul, onde no final de tarde tem menos pessoas. Não é sempre que a Glitter tem contato direto com a areia. “Na faixa de areia é raro, mas uma vez por semana acabo deixando ela brincar com outros cães ou crianças. A maioria dos cães em Balneário Camboriú vive em apartamento e passear na praia com eles é essencial para não ficarem estressados. Os donos devem ser mais responsáveis quanto à higiene, já vi muita gente deixar as fezes do seu cãozinho por aí”. Gabriela ainda aponta outro cuidado que os donos de cães devem ter: “Precisam ser mais conscientes sobre o comportamento dos cães, se são bravos e agressivos para com outros animais e/ou pessoas, devem usar focinheira, depois que o animal avança não adianta dizer: ah, ele é assim mesmo”.

Os principais riscos das pessoas em compartilharem a mesma areia da praia com os cães, segundo a veterinária Camila, são as zoonoses, doenças transmitidas entre animais e seres humanos, e decorrentes das fezes contaminadas. “Podemos citar a isosporose e a giardíase, que causam vômito, diarreia, náuseas e dores abdominais nos humanos, e o famoso ‘bicho geográfico’, que provoca lesões em nossa pele com acentuada coceira”. Bruna Spinello, que é proprietária e tosadora no Pet Lover, que fica em Balneário Camboriú, indica que após o contato da pessoa com as fezes do cão, ou de qualquer outro tipo, lavar o local é essencial devido à quantidade de bactérias que elas carregam.

Se você frequenta praias onde é permitido o passeio com cães, assista ao vídeo com dicas:

2 comentários

  1. Cães nas praias? Claro que sim, o que não deveria ser permitido é gente mal-educada, porcalhona e barulhenta.

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