Cidades

Destino: Santa Catarina

Intercambistas compartilham suas experiências ao deixarem suas casas e arriscarem a vida em um novo país.

Conheça as experiências de intercambistas que deixaram suas casas, abriram suas asas e pousaram por aqui.

Texto: Dienifer Mânica, Karine Amorim, Thais Lamin, Thayná Barretto

São oito anos e 5.210 quilômetros que separam Edgar Joel Justavino Arauz de sua terra natal, o Panamá. Em 2009, o garoto de apenas 11 anos embarcava na cidade do Panamá em direção a Balneário Camboriú. Acompanhado de seu irmão em sua primeira viagem de avião, o garoto iria desfrutar as férias e visitar o pai, que havia se mudado para o Brasil após receber uma boa proposta de emprego. O que era pra ser apenas um mês se transformou em uma nova vida, em um país diferente. Novas amizades, nova escola, nova casa. Por obrigação da família, Edgar teve de se readaptar e aceitar sua realidade atual. “Meu pai fez a gente vir pra ficar e estudar aqui”, conta, sorridente.

 No começo, o menino resistiu à ideia e bateu o pé querendo voltar, mas não demorou muito para gostar de sua nova rotina e adotar o Brasil como seu lar. Os primeiro meses foram complicados, pois não sabia o Português em terras brasileiras e teve de aprender “na marra”, como ele mesmo disse. Porém, recebeu ajuda de muitas pessoas e considera que tudo foi uma grande experiência.

Após três anos seu pai acabou voltando ao Panamá. Foi quando Edgar decidiu ficar por aqui, mesmo sozinho, para terminar os estudos do ensino médio. “Ele (o pai) me apoiou e eu também quis ficar, porque não queria abandonar as amizades que fiz. Já tinha me acostumado a morar e conviver aqui”, revela. Como era apenas um adolescente de 14 anos, o processo burocrático foi complicado e demorado, precisando contratar advogados e achar novos tutores. “Tive de encontrar pessoas que se responsabilizassem por mim, por eu ser menor de idade. Encontrei um casal, que eu já conhecia, e eles se ofereceram para me receber em sua casa, com apoio e cuidados”, recorda.

Após várias dificuldades, conseguiu o visto de estudante e hoje em dia também luta pelo visto de trabalho. “A burocracia está bem complicada. Já fui atrás de cidadania, mas precisaria ter filho ou casar com uma brasileira”, explica. Atualmente, Edgar Justavino cursa Engenharia da Computação na Univali. Apesar de sentir falta da comida típica de seu país de origem, o garoto não pensa em voltar.  “Para ser sincero, estou bem calmo aqui no Brasil”, garante.

E por falar em calmaria, o costarriquenho de San José, Josemaría Vargas Del Valle, 21 anos, também gostou da ideia de morar no Brasil. Tudo começou com seu interesse em estudar no exterior, mesmo sem ter noção alguma do destino. Após um tempo refletindo, o estudante decidiu que o local seria o Brasil. Porém, um dos pré-requisitos para conseguir a vaga no projeto de intercâmbio era dominar a Língua Portuguesa. Seu interesse foi tão grande que Josemaría começou a estudar o Português e a trabalhar com brasileiros em seu país de origem. Depois de adquirir um grande conhecimento do idioma e de se esforçar muito, ele teve a surpresa: havia finalmente conseguido ganhar a almejada bolsa integral para cursar Relações Internacionais na cidade de Itajaí, Santa Catarina.

Após a grande descoberta, seu interesse pelo Brasil ganhou ainda mais força. Então o costarriquenho deu entrada ao processo burocrático e documental para vir morar no país. “Tudo começou com um processo conjunto com a embaixada do Brasil na Costa Rica, e demorou um ano esse procedimento. A documentação incluiu tanto os documentos acadêmicos quanto os pessoais, com carimbos e assinaturas especiais de ambos os países”, conta. Já em relação aos custos, o estudante teve de arcar com as despesas de visto e passagem de avião.

Josemaría vive no Brasil desde fevereiro do ano passado e tem pretensão de permanecer por aqui mais três anos para terminar os estudos. “Amo o estilo de vida brasileiro, o ‘jeitinho’ que só as pessoas daqui têm, os horários de festa, as comidas (principalmente coxinha), as distâncias para viajar ou se deslocar”, enumera. Ele conta que seu país é muito pequeno em relação ao Brasil, então o que ele mais estranha aqui é como os lugares são distantes.

Deslocar e viajar, palavras que também possuem um grande significado na vida da chilena de Quilpue, Fernanda Ignacia Rivillo Rodriguez, 23 anos. Contemplada com uma bolsa de estudo e moradia em Balneário Camboriú, Fernanda desembarcou aqui no Brasil com dois intuitos: cursar Turismo e também “turistar”. Ambos por amor. Amor que a fez lutar pelo o que tanto queria.

Eram 300 solicitações iniciais para concorrer a uma bolsa em diversos países, que arcaria com os estudos, a moradia e outros custos. O destino ainda era incerto, mas a estudante de turismo não deixou de lado seus sonhos e continuou a lutar por aquilo que tanto queria. O processo foi árduo e incluía notas boas, trabalho voluntário, cartas de recomendações, apoio do corpo docente, além de toda a documentação necessária. Depois de várias fases de processo seletivo, esse número de 300 passou a ser 80, e então veio à tona a esperada resposta: 42 alunos tinham sidos beneficiados com bolsas. Entre eles, estava Fernanda.

“Primeiro de tudo, o Brasil é o melhor país para fazer seu intercâmbio”, afirma. A chilena teve a oportunidade de viver em Santa Catarina, mas como uma boa apreciadora de viagens, também conheceu outros lugares como Salvador (Bahia) e Foz do Iguaçu (Paraná). Ela conta que o lugar que mais gostou foi Salvador: “As pessoas naquele local são muito divertidas, sempre de bem com a vida”, avalia.

Quanto à alimentação, Fernanda conta que não foi adepta da famosa feijoada brasileira e dos pratos fritos, mas que a tapioca, bolos, doces e guloseimas a conquistaram. “Comi uma tapioca rosa em Balneário Camboriú. Chamou-me muita atenção o sabor e a beleza daquela tapioca”, relata. Apesar desse ponto positivo, a chilena relata que sofreu algumas dificuldades no Brasil. “A maior dificuldade foi em relação aos colegas brasileiros, porque eles eram fechados e hostis. Outro problema foi a escassez dos meios de transportes e a falta de comunicação da universidade com os intercambistas”, lamenta.

Maria Ignacia Pérez Silva, 24 anos, de Santiago de Chile, reforça que suas dificuldades se assemelharam às de sua amiga chilena Fernanda. “Em Balneário Camboriú, que foi onde vivi, as pessoas são mais difíceis de ‘chegar’ e de se comunicar”, relata. Além disso, as palavras terminadas em “ão” foram um grande desafio para ela. O sistema burocrático também não foi nada fácil. “Precisa ter paciência e tempo, porque para entregar a documentação na Polícia Federal sempre tinha muita fila”, expõe. Porém, tudo isso não a impediu de gostar e de se identificar com o Brasil, tanto que seu intercâmbio de apenas seis meses se estendeu para um ano.

Sofia Oliveira, 20 anos, de Portugal, também decidiu escolher o Brasil para fazer seu intercâmbio e estudar Design de Moda. Sua irmã tinha vindo para Minas Gerais havia pouco tempo e a incentivou. Ao todo, Sofia ficou por seis meses e amou cada segundo de sua experiência em solo catarinense. A estudante afirma que aprendeu diversas coisas, o que a fez amadurecer muito como pessoa. “É uma lição de vida que eu recomendo a todas as pessoas do mundo”, garante.

A psicóloga Brenda Caroline Schon, 24 anos, afirma que os jovens possuem facilidade para aceitar mudanças, pois na juventude há uma predisposição para se adaptar a novos locais. “Talvez por isso muitos decidam permanecer no país que estavam visitando e criam raízes por ali”, analisa. Brenda destaca que essa transição exige força de vontade e flexibilidade, para que o intercambista se acostume ao novo ambiente. “Isso requer cabeça aberta e mente flexível”, conclui.

O intercâmbio na Univali

A Universidade do Vale do Itajaí (Univali) desenvolve o Programa de Intercâmbio de Alunos, conhecido como PIA, desde 1993 e recebe, em média, 50 alunos por ano. Os programas de Intercâmbio da Univali oferecem oportunidades de estudo para 25 países, entre eles Alemanha, Áustria, Argentina, Bélgica, Brasil, Canadá, Chile, China, Coréia do Sul, Colômbia, Espanha, Estados Unidos, França, Índia, Itália, México, Noruega, Holanda, Paraguai, Portugal, República Tcheca, Suíça, Suécia, Turquia e Uruguai.

De acordo com a secretária do Programa de Intercâmbio da Univali, Angelica Patel da Rosa, os alunos da Bélgica, Espanha e Chile são os que mais procuram a oportunidade de estudar aqui no Brasil. Segundo a secretária, o acadêmico pode permanecer na Universidade por no mínimo seis meses e, no máximo, um ano. O processo para conseguir a vaga demanda esforço e dedicação por parte dos interessados. Os alunos brasileiros passam por um processo seletivo, que inclui uma prova de idioma e uma entrevista em português. Logo após, soma-se a média do histórico. “A partir dessas três notas é gerada uma média geral que determina a classificação do aluno. As maiores médias preenchem os números de vagas disponíveis em cada universidade”, informa Angelica.

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