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Além do dó, ré, mi, fá: educação musical incentiva a socialização de crianças autistas

Voluntários do Grupo de Percussão da Univali e Centro Especializado em Reabilitação Física e Intelectual oferecem oficinas musicais todas as semanas para um grupo de crianças

Voluntários do Grupo de Percussão da Univali e Centro Especializado em Reabilitação Física e Intelectual oferecem oficinas musicais todas as semanas para um grupo de crianças; resultados são notados em menos de seis meses

Texto: Fernanda Vieira, Elizabeth Figueredo e Bruno Golembiewski

– Ô, mãe. Eu tô feliz!

O sorriso no rosto e o brilho dos olhos traduzem, perfeitamente, a sensação de Marlon. Enquanto toca um instrumento musical e acompanha o tom da percussão, os pés saem do chão e dançam. O barulho dos demais instrumentos ecoa, mas a imagem refletida no rosto do pequeno garoto transmite calmaria. A sala é grande, porém, aqueles minutos de alegria se fecham no mundo dele. O sorriso ainda aberto, os pés ainda saindo do chão. Um altar totalmente particular.

Desde abril, um grupo de crianças diagnosticadas com autismo se reúne semanalmente em uma oficina de educação musical. A ideia partiu do Grupo de Percussão de Itajaí (GPI) em parceria com o Centro Especializado em Reabilitação Física e Intelectual, ambos da Univali, em Itajaí. A proposta é estimular a socialização e o interesse pela música, trabalho feito por artistas do GPI e profissionais da saúde.

As oficinas são totalmente dinâmicas. Além das crianças, os pais participam e acompanham as atividades. Em roda, as crianças são apresentadas a diversos instrumentos musicais e sons. Fora o estímulo à percepção rítmica e melódica e o trabalho com a atenção das crianças, os voluntários auxiliam e ensinam a tocar os instrumentos. Meses depois da primeira aula e educação musical, o grupo até já definiu qual o melhor instrumento: a bateria.

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Segundo o professor de música e responsável pelo GPI Rodrigo Paiva, a intenção partiu da ideia em realizar um trabalho social e de educação inclusiva. “Queríamos trabalhar com música o objetivo das oficinas era fazer com que eles interagissem, se comunicassem melhor”, explica. Para definir as ações e saber como planejar as aulas, Rodrigo teve parceria da neuropediatra e professora da Univali Cristina Maria Pozzi. O ponto de início foi um estudo inicial sobre o autismo. Depois, a equipe médica selecionou sete crianças para participar do projeto.

Os encontros se dividem entre momentos de apreciação, socialização e prática musical. “Em cerca de seis meses de oficina, nós percebemos uma grande disposição das crianças, a curiosidade e o interesse pelos sons dos instrumentos”, conta Cristina. Em novembro, o grupo realizou o último encontro de 2016, mas a vontade é de retomar as aulas no próximo ano. E a resposta para quando o grupo pergunta sobre retornar às atividades é unânime entre pais e filhos. “Sim”.

Resultados positivos

Ao acompanharem as oficinas junto aos filhos, os pais notam a mudança na comunicação e socialização das crianças. De acordo com os idealizadores, eles relatam mudanças extremamente positivas no cotidiano dos pequenos músicos. A atenção, a comunicação, o melhor convívio em são os principais resultados e mudanças. “Tem dias em que as crianças estão mais ativas, menos ativas, como todos nós. Apesar disso, de uma maneira geral, os resultados têm sido bem favoráveis”, comenta Cristina.

Música para os ouvidos e para a vida

Para quem gosta de música, qualquer som se torna interessante e desperta uma curiosidade. Trabalhar com crianças diagnosticadas com autismo vai um pouco mais além. Segundo Cristina, o ser humano necessita de várias funções executivas para processar a música, desde a audição, atenção e memória. Essas vias de conexões cerebrais são ativadas no momento em que você e depara com um instrumento ou quando ativa o sistema motor para tocar um instrumento.

O reconhecimento do som, a ativação motora para execução, a atenção para o que está sendo apresentado são ações cerebrais ativadas a partir da música. “Na medida em que você cria uma repetição desse processo, ativa as áreas de forma frequente, você cria novos caminhos, novas vias cerebrais para que o processo aconteça novamente”. Dessa forma, os encontros semanais oferecem mais do que um momento de aprendizado, mas também incentivam e encorajam as crianças a verem um mundo além do seu.

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