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Parada da Diversidade reúne pessoas de vários lugares em Balneário Camboriú

A mobilização das "Mães pela diversidade" foi destaque na 4ª Parada da Diversidade em Balneário Camboriú.

A mobilização das “Mães pela diversidade” foi destaque na 4ª Parada da Diversidade em Balneário Camboriú.

Texto: Kauana Amine

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Trio das mães pela diversidade. “Nós amamos e apoiamos nossxs filhxs, e você?” Foto: Kauana Amine

Em um cenário de constante debate acerca da homoafetividade e questões de gênero, muitos pais têm conflitos em relação à aceitação de seus filhos. Entretanto, há mães para as quais não existem barreiras quando o assunto é o amor pelos seus. E um grupo destas foi destaque na Parada Pela Diversidade de Balneário Camboriú. O evento, realizado no Domingo, 13, estava na sua 4ª edição e contou com a presença de pessoas de toda a região.

Tiffany Hilton, de 22 anos, é natural de São Luiz Gonzada (RS) e escolheu prestigiar a parada de BC ao invés da parada na capital gaúcha – que estava sendo realizada no mesmo dia – onde mora atualmente, qual ela já havia participado no ano passado. Quanto a importância da parada para diminuir preconceitos, ela avalia: “é uma forma de dar visibilidade para o público LGBT e a gente precisa ter visibilidade, mostrar o nosso trabalho, mostrar o quanto nós somos pessoas honestas, a gente tem que mostrar pra sociedade que somos pessoas de caráter, independente do que a gente faz entre quatro paredes”.

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Tiffany Hilton. Foto: Evandro Ritzel
O amor que é passado de geração para geração

Em meio a sorrisos emocionados dona Maria Elena Karsten Carvalho, de 79 anos, conta toda orgulhosa que seu neto está noivo e que terá um lindo casamento para prestigiar no ano que vem, e a partir disso, terá outro neto. Muitas pessoas utilizam a idade ou a religiosidade como pretextos para argumentar seu preconceito. Dona Maria quebra todas as barreiras e ainda afirma: “Deus é bom. Ele colocou muito amor na vida do meu neto”.

Mostrando através de suas palavras um pensamento evoluído, dona Maria dá a lição que para ter uma mente aberta não há idade, e que não existem limites para o amor. Quanto a importância da aceitação familiar quanto a homossexualidade, dona Maria fala: “Apoio é só muito amor e aceitação. A família aceitando eles ficam felizes, eles não se escondem, eles aproveitam a vida, se não eles se matam, ou eles vão por caminhos errados, e assim eles são o que eles querem ser ou o que eles nasceram para ser”.

Mas, dona Maria não fala orgulhosa apenas do neto, fala da filha também. Andrea Carvalho (54) é coordenadora do movimento “Mães pela Diversidade” em Santa Catarina e também fundou o GAD (Grupo de Apoio à Diversidade). Com a filosofia de que “famílias unidas jamais serão vencidas”, Andrea fala sobre a relação com o filho e a importância da aceitação plena.

“A aceitação plena que a gente diz é de alma, não adianta dizer que aceita e respeita, mas não quer perto, não quer ver nada, não quer participar de nada. No meu caso, quando eu aceitei eu aceitei plenamente. Aceitei a condição dele de homossexual, sabendo que ele ia namorar outro menino e daí por diante. Em relação ao meu filho Vitor, eu tenho certeza absoluta que a base que eu dei dentro da família, com o apoio dos irmãos, meu apoio, o apoio da vó, da tia, ele saiu com uma base muito fortalecida para mundo” – Andrea Carvalho

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Mães (e avó) que fazem  parte do Grupo de Apoio à Diversidade. Andrea Carvalho e Maria Carvalho ao meio. Foto: Kauana Amine

Sem essa aceitação plena, Andrea afirma que a pessoa sai enfraquecida de casa. Afinal, como esperar algo de positivo do mundo quando aqueles que mais deveriam te amar, semiaceitam ou não aceitam? Andrea participou de uma convenção internacional das famílias unidas, em Costa Rica, e trouxe uma medalha de ouro para o Brasil. Mas, diferentemente do que se espera de uma medalha de ouro, essa não é para comemoração. “Nós somos recordistas de crimes homofóbicos dentro desses 20 países no qual eu participei da convenção internacional, eu voltei com a medalha de ouro, que me pesou muito, não foi uma medalha de ouro que eu gostaria de trazer para o Brasil, mas eu trouxe ela realmente como símbolo do que tem que ser feito”.

De acordo com dados do Disque 100, desde o início de 2016, 132 homossexuais já foram assassinados no Brasil. Há cada 24 horas homossexuais cometem suicídio no Brasil por falta de aceitação familiar e/ou social e, todos os dias, a cada 26 horas ocorre um assassinato de travesti, transexual e homossexual.

Consideramos justa toda forma de amor

Eu já tinha tido a oportunidade de entrevistar Claudemir em outra ocasião e não pude deixar de notar o brilho no seu olhar ao falar do seu esposo, Otavio Zini. Clichê ou não, o ditado popular que os opostos se atraem se encaixa perfeitamente no caso deles. Enquanto Claudemir é mais tímido, Otavio é mais desinibido. Os dois fundaram a ONG “Amigos & Tribos” de Balneário Camboriú. No evento estavam com um casal de amigas. Ana Lodi é palestrante em gênero e em um relacionamento anterior com outra mulher, teve André, “a primeira criança (hoje já é adolescente) no Brasil filho de reprodução assistida e doador anônimo”, pontua. Ana é uma das fundadoras da ONG Semear Diversidade, já deu várias entrevistas e está constantemente na mídia pelos direitos homoafetivos. Trouxemos um vídeo apresentado no programa Globo Repórter que mostra a realidade de Ana e seus filhos:

O presidente do evento, Ricardo Medeiros, conta que não foram criadas expectativas quanto ao número de participantes: “a gente não faz expectativas, a gente chama e quantas vierem está bom. E vieram bastantes pessoas”, avalia.

Confira algumas fotos da 4ª Parada da Diversidade:

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