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Conheça as PANCs, as plantas alimentícias nada convencionais

A maioria nasce em canteiros e até na beira de estrada, confundidas entre os matos. Apesar da falta de conhecimento, as PANCs são ricas em nutrientes e são boas opções para as saladas

A maioria nasce em canteiros e até na beira de estrada, confundidas entre os matos. Apesar da falta de conhecimento, as PANCs são ricas em nutrientes e são boas opções para as saladas

Texto: Bruno Golembiewski, Elizabeth Figueredo e Fernanda Vieira

Entre o verde das hortaliças, uma flor alaranjada se destaca no quintal, em meio às folhas arredondadas. Essa é a capuchinha, uma flor comestível também conhecida por “flor-do-sangue” ou “agrião-do-méxico” e, geralmente, confundida entre os matos nas hortas caseiras e descartada no lixo. Apesar disso, a flor pertence a uma nova denominação das daninhas: as plantas alimentícias não convencionais (PANCs). Tanto na botânica quanto na gastronomia, as PANCs despertaram interesse e ganharam o gosto dos consumidores.

Elas são encontradas facilmente em quintais, hortas, em pequenos pedaços de terra e possuem sabores nada tradicionais. Algumas tendem a serem amargas, outras trazem um sabor doce à boca, como a flor da capuchinha. As PANCS se diferem das clássicas hortaliças que colhemos para as saladas, por exemplo. A diferença está exatamente em “não ser convencional”, como o próprio termo as denomina.

O pescador Fernando Xavier de Maria, 49, cultiva há mais de três anos a capuchinha em meio à horta que possui em casa. Antes de descobrir que as folhas verdes e as flores alaranjadas eram comestíveis, a capuchinha do quintal de Fernando era descartada no lixo quando o pescador capinava e limpava o espaço. “Vi na Internet que a planta era comestível e introduzi à minha alimentação. Lavo as folhas, a flor, tempero com sal e uso na salada para o almoço”, comenta.

A ideia de Fernando em inserir as PANCs à mesa ilustra o cenário dos curiosos gastronômicos. Além de usadas para decoração, quando a pessoa desconhece as informações nutricionais da planta, as PANCs geralmente são misturadas no meio dos demais verdes das saladas ou até mesmo em pratos mais sofisticados. “Antes eu misturava a capuchinha entre as folhas de rúcula e alface. Hoje em dia, deixo separada em um prato porque são mais saborosas”, diz Fernando.

De acordo com a engenheira agrônoma Dalva Sofia Schuch, as plantas alimentícias não convencionais são espécies comestíveis de uso conhecido de povos indígenas, população local e regional. Apesar disso, o uso das chamadas daninhas – ou plantas exóticas – não é convencional para as pessoas de área urbana. “Atualmente, existe uma falta de conhecimento do potencial nutricional e farmacêutico dessas plantas”, avalia Dalva.

Na maioria das vezes, as PANCs nascem e se desenvolvem de forma espontânea nas hortas e quintais e podem ser cultivadas em qualquer local com terra fértil. “Elas nascem a partir de sementes que vêm com o vento e caem no solo, de aves que as transportam. Quase nunca são plantadas pelo homem”, explica.

Conheça algumas PANCs

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Dente-de-leão: o dente-de-leão (Taraxacum officinale) é rico em vitaminas A, D e C. Na alimentação, a planta é usada em saladas mistas e servida com molhos de acompanhamento. Pode ser temperada apenas com sal, vinagre ou limão. Uma dica é cortar pequenos pedaços de frutas doces para servir em meio às folhas.

Capuchinha: comestível quando cultivada sem agrotóxicos, a capuchinha (Tropaeolum15126058_10211277839646148_1967224895_o
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) é usada na gastronomia em saladas ou na decoração de pratos. Por ser uma planta anual, a capuchinha está sempre presente no quintal e se multiplica com rapidez, atingindo até 30 centímetros de altura. O melhor local para cultivo é em espaços com bastante sol e podem ser conservadas em canteiros ou vasos. Pode ser plantada em qualquer época do ano, sem exigências de solo fértil.

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Amora branca: as folhas da amora branca (Morus alba l.) também podem ser consumidas pelo homem. Possuem alto teor de pr
oteína e são livres de toxinas. A folha da amoreira ainda pode reduzir o nível e glicose no sangue, auxiliando na redução de hipertensão e colesterol alto.

 

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