Cidades

Entenda os procedimentos de busca e salvamento em alto mar

Marinha do Brasil, Força Aérea e Corpo de Bombeiros unem forças em busca de sobreviventes de acidentes marítimos

Marinha do Brasil, Força Aérea e Corpo de Bombeiros unem forças em busca de sobreviventes de acidentes marítimos

Por Bruno Golembiewski, Elizabeth Figueredo e Fernanda Vieira

Nos últimos meses, os naufrágios de dois barcos em Santa Catarina trouxeram destaque para a questão da segurança naval e dos procedimentos de busca e salvamento. Os dois acidentes aconteceram no mês de outubro. Primeiro no dia 20, em Imbituba, e depois dia 26 em São Francisco do Sul.

Em Imbituba, de acordo com a Marinha, o barco, identificado como “Jorge Seif Junior”, de Itajaí, naufragou às 5h40min, a 80 quilômetros da costa. Das 24 pessoas que estavam na embarcação, 17 foram encontradas com vida e seis ficaram desaparecidas até o fim da operação. Já no dia 26, um barco de pesca naufragou com cinco tripulantes em São Francisco do Sul. De acordo com os bombeiros voluntários, três homens foram resgatados e dois estavam desaparecidos.

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Apesar da repercussão ter sido maior, o Comandante Alekson Porto, Delegado da Delegacia dos Porto de Itajaí garante que o número de acidentes não aumentou no período e por causa da maior ênfase dada pela mídia, os casos chegaram ao conhecimento de mais pessoas.

O comandante explica que quando um acidente acontece em qualquer lona d’água (mar, rio e etc), a Marinha do Brasil é a responsável e tem a obrigação de coordenar todas as ações de busca e salvamento. Apesar disso, muitas vezes não é só ela que atua. Os Bombeiros Militares e a Força Aérea são outras instituições muito presentes nos SAR (Search and Rescue) – Busca e Salvamento. Há um acordo de cooperação entre essas forças para que as ações sejam logo executadas.  “Se o meio mais rápido de chegar a um acidente for uma lancha dos Bombeiros, por exemplo, eles serão os primeiros a chegar”, explica.

A Marinha tem mapeadas todas as instituições capacitadas para auxiliar nos procedimentos, inclusive quais veículos e equipamentos elas têm. Em alguns casos, embarcações de pesca também podem ajudar. “Já solicitamos até a navios mercantes que circulem em determinadas áreas para ajudar nas buscas. Juntamos vários tipos de buscas combinadas para se lograr o sucesso”.

Para sinistros em alto mar, a Força Aérea é muito importante. Através de uma aeronave pode ser localizada um navio à deriva ou sobreviventes, porém, o Com. Porto destaca que se não houver uma embarcação próxima para efetuar o resgate, de nada adianta, pois, aeronaves não podem pousar na água para resgatar pessoas. A Marinha comanda qualquer sinistro na água, menos quando um avião cai no mar, por exemplo. Em casos como este, a Força Aérea é quem comanda as ações.

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O Tenente Fábio Pacheco, do 7° Batalhão de Bombeiros Militar de Itajaí explica que os bombeiros são ‘forças auxiliares’ e cabe a Marinha comandar as ações. Segundo o Tenente, a participação deles é requisitada muitas vezes. A maioria das ligações de acidentes são feitas para os Bombeiros por meio do 193. “O que acontece é que bate primeiro aqui as ligações e nós já logo passamos para eles [Marinha] e iniciamos os procedimentos”. O que mais cabe aos Bombeiros é a busca por corpos, já que a instituição não tem competência para fiscalizar. “Vamos dar apoio. Fazemos as buscas por até uma semana e meia. Mas, em geral, depois de quatro dias os corpos já boiam, facilitando o trabalho”, conclui.

Para encontrar sobreviventes é muito importante que as ações sejam executadas logo em seguida da descoberta do acidente. Devido a temperatura da água e da corrente em alto mar, uma pessoa só aguenta determinado tempo. “As primeiras horas são muito importantes”, garante Porto.

O Comandante conta que uma dúvida recorrente das pessoas é em relação a duração das buscas. Não é possível afirmar com precisão, mas em geral elas duram de dois a três dias. Se a temperatura da água for -10° C, o tempo de sobrevivência de uma pessoa é somente de algumas horas. Nesse sentido, dois ou três dias depois as buscas são suspensas por que teoricamente não há sobreviventes. “A Marinha não busca corpos, ela busca vidas. ‘Eu quero enterrar meu marido’, sempre ouço. A Marinha não vai dar o seu marido para enterrar, ela vai dar o seu marido vivo”, explica.

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Se a hipótese é que não há vidas, a Marinha suspende o SAR. Com novos indícios, o processo é reaberto e as buscas voltam a acontecer. “As buscas têm suas especificidades. Buscar uma pessoa é diferente de buscar uma embarcação. As condições climáticas são fundamentais. Nenhum SAR é igual a outro, depende do alvo, do estado do mar, da temperatura da água e da altura das ondas”, conclui.

Além de ter uma equipe preparada com um telefone 24 horas a disposição, a Marinha também ajuda na instrução dos pescadores. Por meio de uma parceria com o IFSC, dentro da formação dos pescadores, há uma capacitação com treinamento para prepará-los para situações adversas no mar. A instituição também fiscaliza e pune quem apresentar irregularidades, aplicando sanções e até retendo dos infratores a licença para navegar.

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