Comportamento Economia

Não foi apenas uma febre: os truckers se mantêm no mercado

Os Food Trucks deixaram de ser uma novidade para ser parte da cultura do brasileiro. Este ano, aqueles que resolveram seguir no ramo buscam alternativas sustentar o negócio.   

Beatriz Ferreira

Em 2014, os food trucks chegaram às ruas brasileiras, e em 2015 os festivais de comida estavam acontecendo em todo país. Após o boom dos truckers, a crise econômica e a baixa dos festivais neste ano, existem aqueles que resolveram apostar neste segmento como uma nova opção de estabelecimento tão viável quanto um restaurante.

Renato Gantus e o sócio Fernando Miyamoto migraram para o ramo alimentício no início de 2016. O Charlestown Food Park abriu as portas em Itajaí e até o momento o retorno do público superou as expectativas dos sócios. Renato, no entanto, esclarece que o investimento tem margem de 36 meses para engrenar e dar o retorno  esperado segundo o alto valor investido.    

O professor de economia Crisanto Ribeiro afirma que a crise não atingiu a todos os setores. De acordo com ele, vários segmentos tiveram até expansão de suas receitas. “Os setores mais afetados foram aqueles focados em consumidores de baixa e média renda, que pelo aumento dos níveis de endividamento tiveram que cortar gastos. O mercado ambulante é focado neste público, e considerando que muitas pessoas, em face do desemprego, buscaram abrir seus próprios negócios, o setor apresentou declínio em seu rendimento médio”, explica.

Nilton, do Jet Food Truck, é categórico: “eu não falo em crise, simplesmente trabalho”. Atualmente o Jet Food faz parte do Charlestown, porém antes eles participavam de eventos, feiras e eventos corporativos. O trucker Nilton é um dos donos, e antes de migrar para este ramo, já trabalhava no setor alimentício. “Migramos seguindo a tendência e por espírito pioneiro, já que somos os truckers mais antigos de Santa Catarina”, garante. A escolha do empreendimento também se deu porque o veículo atende a necessidade de espaço e locomoção. O retorno do investimento está acontecendo aos poucos, mas ele não se preocupa com a crise, pois conta que na década de 1980 vivenciou algo pior. Nilton faz questão de dizer que o food truck não é algo passageiro.

A professora de economia Janypher Inácio afirma que o planejamento é a chave dos negócios. “Pés no chão, um plano de negócios bem feito, conhecimento do mercado, do seu produto, dos concorrentes e muita determinação”, orienta. Assim o investidor estará ciente se é algo rentável e qual será o tempo necessário para um bom retorno. Ela completa dizendo ser essencial uma reserva de renda, pois os primeiros meses ainda dependem da fidelização da clientela. Por mais que seja um negócio ambulante, existe um público fiel. “Ser empreendedor não é fácil, mas pode ser muito gratificante”, ressalta Janypher.

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Localizado no Rota Food Park em Brusque, o Taco Bull serve comida mexicana e no momento é o único truck no parque.

“Foram três anos nos preparando e experimentando receitas variadas até chegarmos à nossa própria massa e tempero, que não apresentam conservantes”, diz Ricardo Teres. Ele e a esposa, Vanessa Onin, são os proprietários do Taco Bull Food Truck, especializado em comida mexicana. Faz pouco mais de um ano que abriram o negócio, e hoje se encontram no Food Park Rota Park, em Brusque. O investimento até o momento foi de R$ 65 mil, incluindo a compra e adaptação do trailer.

Antes de abrir este negócio, a ideia de Vanessa e Ricardo era começar um restaurante, mas a opção móvel se mostrou mais barata e prática. No decorrer deste primeiro ano eles ficaram um tempo vendendo na rua, mas esta opção não se mostrou muito próspera, já que o público na cidade, ao sair para comer na rua, na sua maioria busca por barracas de cachorro-quente. Depois participaram da temporada em 2015 no Rota Park, e até administraram o evento, no qual receberam calote de alguns truckers, que não colaboraram com as despesas no final.

No auge do movimento trucker Brusque sediou alguns festivais. Mas após baixar a poeira restaram apenas os que residem na cidade, sendo estes o Taco Bull, o Cacau Churros e o Magic Pizza. Entre estes, o Cacau Churros tem seu carro localizado no shopping da cidade, o Magic Pizza está em viagem e o Taco Bull é o único que se mantém no parque, reaberto em agosto deste ano. “Antes disso ficamos 5 meses parados, pois as vendas não eram lucrativas nas”, revela Ricardo.

Na reabertura do parque, as chuvas constantes desmotivaram os truckers das cidades vizinhas, pois as vendas não estavam compensando os gastos com transporte. Enquanto isto, o Taco Bull tentou alternativas como o delivery, que cessou em menos de um mês. Os valores se mantêm os mesmos do ano passado, para não afugentar os clientes. Assim eles puderam fidelizar um público na cidade, e com a volta da alta temporada conseguem manter uma renda mensal estável.

Em Itajaí a culinária italiana se faz presente na região, devido à presença de seus descendentes e simpatizantes. O Food Truck  Vansuita Cucina D’Italia resolveu explorar a especialidade após pesquisa de mercado, por meio da qual o proprietário Nathan Vansuita constatou a falta de comida italiana no circuito de truckers na região. Quanto ao empreendimento, ele acredita na rentabilidade que é investir neste segmento, pois não há taxa de serviço e o aluguel é mais acessível. Assim é possível oferecer um serviço de qualidade cobrando menos que uma pizzaria.

Márcio já trabalhou com Food Truck em Londres e resolveu empreender aqui no Brasil, pois se identificou com o formato e sempre quis ter o próprio negócio. “Esta é a oportunidade de levar comida de qualidade para o público em geral, com preço mais acessível”, afirma. O investimento foi menor do que o necessário para montar um restaurante, e o retorno financeiro está caminhando conforme o esperado, considerando que a margem de lucro também é menor. Antes de fazer parte do parque Charlestown Márcio comercializava somente em eventos. Ele diz que o ramo veio para ficar, pois acredita que cada vez mais as pessoas estão interessadas em comida de qualidade sem ter que pagar um preço muito caro por isto.

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