Comportamento Tecnologia

Blogs abrem espaço para a expressão e a conexão entre as pessoas

Pessoas que mantêm blogs pessoas buscam, além de reconhecimento e divulgação artística, maior espaço na internet para falar sobre suas vidas, pensamentos e dia a dia

Autores de blogs pessoais buscam, além de reconhecimento e divulgação artística, maior espaço na internet para falar sobre suas vidas, pensamentos e sentimentos

Texto: Daniel Schiavoni, Maria Zucco e Thomas Falconi

Relatos poéticos sobre histórias e memórias. Esse é o subtítulo do blog de Nathalia Fontana, que leva seu próprio nome no título. A estudante de Jornalismo começou a escrever em 2011, apenas para amigos mais próximos. “Eu não mostrava para ninguém, porque eu não gostava. Depois comecei a mostrar para as pessoas e todo mundo me falava ‘ah, faz um blog, você escreve muito bem’”, conta. Mas foi somente em 2015 que as ideias da estudante deram origem a um blog.

Nathalia já estava na universidade quando ouviu de um professor que “arte só é arte se alguém vê, se alguém consome, senão não é arte”. A frase serviu de inspiração para que ela começasse a divulgar seus textos, sem pretensões financeiras ou profissionais. “Hoje eu não me imagino vivendo do meu blog. É mais um hobby, algo meu”, afirma a blogueira, que prefere textos mais diretos, mas sem algum assunto específico. “Eu não queria limitar para algo que puxasse para ‘cotidiano’ ou para ‘relacionamento’ e escrever só aquilo, porque o blog tinha aquela imagem. Colocando o meu nome, se eu quiser chegar lá e escrever um texto sobre política, por exemplo, eu posso escrever, porque sou eu falando”, explica.

Texto de apresentação do blog de Nathalia:

“Escorpiana, teimosa e indecisa. Uso meu primeiro sobrenome por medo de errarem o segundo; já cometo erros suficientes que nada tem a ver com pronúncias. Só meus amores não são erros. Levo eles como histórias pra contar e ingredientes de inspiração. Moradora do mundo, pretendo viajar mais um bocado pra ver se alguma cidade por aí acelera mais meu coração do que Nova York. Estudante de Jornalismo e Fotografia / Futura mochileira / Escrevo pra encarar a vida e fotografo para registrá-la.

Cansada de guardar meus escritos nas gavetas metafóricas de um notebook, criei vergonha na cara e agora conto aqui minhas alegrias, dores, sonhos e decepções. Até porque essas quatro coisas todo mundo têm. Além disso, uso meus cliques do mundo pra ilustrar o que escrevo. Se é que uma imagem fala mais que mil palavras, porquê não usá-las pra falar um pouco mais?”

Neste texto, nota-se a pretensão de compartilhar conteúdos e ideias pessoais. Para o Psicólogo Diego Raphael, a necessidade de se compartilhar o que se pensa é algo cultural e histórico. “Desde que o ser humano começou a se manifestar, a escrita é uma coisa muito forte para as pessoas, seja da forma que for. Quando o ser humano não tinha papel ele escrevia na parede, fazia desenhos”, explica. “Hoje, com a questão do digital e das mídias sociais muito forte, se tem acesso ‘cem vezes’ mais rápido do que eu tinha antes, quando tinha que mandar uma carta, por exemplo. Isso faz com que as pessoas se sintam mais acolhidas, de certa forma, e acabem falando mais porque encontram um público”, compara Raphael.

O público não assusta Nathalia. “Eu acho muito louco pensar que qualquer um jogue meu nome no Google pode achar lá o meu blog e ver coisas bem pessoais minhas. Mas hoje isso não é algo que me incomoda”, ressalta. Ela enxerga no blog uma oportunidade para se expressar, mas também para encontrar pessoas com sentimentos em comum. “O que eu mais gosto é quando alguém vem me falar ‘li seu texto e identifiquei muito, eu sinto a mesma coisa que o texto diz’, isso para mim é o ápice”, revela.

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Capa do blog de Nathalia

Diego Raphael explica que “as pessoas leem esses conteúdos por necessidade de encontrar algo comum, uma correlação de vida, onde elas se veem e recriam situações”. Para o psicólogo, quanto mais uma pessoa se interessa por determinado assunto, mais autêntico e completo será o texto. Na internet e em blogs é possível encontrar diversos assuntos que não são pautados por mídias tradicionais ou mesmo outras visões, menos estereotipadas, trazidas por autores anônimos e descompromissados. “A excelência vem pela forma como se faz”, complementa Raphael, em relação à qualidade buscada e oferecida nesses ambientes virtuais.

Nos temas que aborda, Nathalia não se coloca muitos filtros. “Isso corta meu processo criativo. Se eu fico pensando que não vou escrever sobre coisas pessoais eu não consigo desenvolver, então eu esqueço que é para o blog. Escrevo como se eu tivesse escrevendo no começo, quando eu escrevia só para mim”. No blog de Nathalia é possível encontrar desde textos sobre viagens e relacionamentos até escritos mais abstratos. “É a minha forma de escrever, meio poética, sobre basicamente qualquer cosia que eu vi, vivi ou me lembro”, descreve.

A exposição da vida pessoal pode ser boa ou ruim, segundo Diego Raphael. Cada comportamento teria uma consequência a ser interpretada pelo autor e pelos envolvidos. “A exposição torna-se ruim quando você não tem consciência dela, porque se você se expõe de maneira consciente você é capaz de entender que aquilo pode fazer ou não bem para você”, explica Raphael. O psicólogo complementa: “tem que ver a situação de como a pessoa se sente em relação àquela exposição. É prejudicial quando não se tem consentimento”, o que, definitivamente, não é o caso de um blog pessoal.

 

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