Esportes

Paratletas catarinenses se destacam no cenário de tênis de mesa

Atletas recebem cerca de R$ 911 do Bolsa Atleta, Programa do Ministério do Esporte, para disputar campeonatos nacionais e internacionais

Atletas recebem cerca de R$ 911 do Bolsa Atleta, programa do Ministério do Esporte, para disputar campeonatos nacionais e internacionais 

Texto: Andressa Magalhães, Bianca Pereira e Daniella Machado 

Há dois anos um galpão na cidade de Itajaí abriga a Associação Itajaiense de Tênis de Mesa (AITM). No local, situado na Rua José Raimundo de Oliveira, no Centro, doze paratletas treinam diariamente – entre eles seis deficientes intelectuais, dois cadeirantes, três físicos andantes e um portador de deficiência auditiva.

received_1845010279054936

Uma das atletas é Silvana Aparecida Rodrigues, de 37 anos, que sofreu um derrame cerebral aos 19 anos e encontrou no esporte a recuperação para seguir em frente. “Me sinto viva e importante”, conta. Silvana está no time de Itajaí há cinco anos e já conquistou diversos campeonatos, entre eles três Jogos Abertos Paradesportivos de Santa Catarina (Parajasc). É também a primeira colocada no ranking de tênis de mesa e carrega na bagagem a participação no Panamericano em Guadalajara, no México.

A equipe conta também com Carlos Eugênio Bastos Ramos, de 48 anos, deficiente físico. Carlos teve uma das pernas amputadas aos 14 anos de idade e 29 anos mais tarde precisou operar para retirar a segunda perna. Ele não entra em detalhes sobre os motivos que levaram as amputações. O atleta iniciou no esporte com a natação e o handebol, mas não deu continuidade às modalidades. Foi no tênis de mesa que se encontrou. “Faz com que eu me sinta útil, porque apesar da deficiência a vida não acabou”, desabafa. Na modalidade, Carlos participa do Campeonato Brasileiro, dos Parajasc e da Olimpíada Estudantil Catarinense (Olesc).

received_1845014325721198

O tênis de mesa para pessoas com necessidades especiais auxilia na socialização da saúde e convivência com outros deficientes. Segundo a treinadora Suéllen Almeida Batista, os atletas com deficiência intelectual, por exemplo, têm mais dificuldade no aprendizado. “Se disser a eles que é para fazer de um jeito, vão fazer daquele mesmo jeito o dia todo. Eles não sabem mudar o jogo”, explica. Apesar disso, a convivência com os paratletas rende bons frutos. “A gente aprende (com eles). Tem que ter paciência e gostar, porque é difícil”, observa.

A Associação também conta com a atleta Pamela Aparecida Boel, de 26 anos, que possui deficiência intelectual. Apesar da limitação, a jovem tem poucas dificuldades nas competições e conquistou a primeira colocação no Campeonato Brasileiro, que aconteceu em São Paulo. Pamela está na equipe desde 2010 e além da competição nacional, já participou também dos Parajasc. “O mais legal é sempre participar das competições com foco e determinação”, conta Pamela. Além de praticar o tênis de mesa, ela também faz academia e aulas de zumba. A mesatenista conta que gostaria de incentivar a prática do paradesporto. “Incentivar é legal porque a pessoa tem que participar”, afirma.

received_1845009979054966

Uma das integrantes mais novas da equipe é Maria Fernanda, de apenas 15 anos. A garota tem síndrome de down e é surda. Segundo a treinadora Suéllen, seu raciocínio de jogo é um pouco mais lento, mas nada que a impeça de se destacar em suas performances durante as competições. Maria Fernanda foi primeira colocada nos Parajasc. Os treinos de Maria são todos em língua brasileira de sinais (libras), e para isso foi necessário que sua treinadora fizesse um curso preparatório para recebê-la. “Tem que se adaptar para ensinar, saber falar um pouco”, revela Suéllen.

Tênis de Mesa em Criciúma

O tênis de mesa também conta com um time de paratletas na cidade de Criciúma. O treinador Alexandre Ghizi trabalha há 18 anos com a modalidade pela Fundação de Esportes do município. “Temos hoje sete atletas paralímpicos em Criciúma”, informa. “Estou trabalhando com paratletas há uns 10 anos, mas treinando separado há uns seis com um grupo de cadeirantes”.

O treinador também destaca a importância de se trabalhar o esporte paralímpico. “O treinamento é importante também para a vida deles. Na parte de evolução física é bem aparente”, afirma. “Hoje todos os cadeirantes vão para o treino sozinhos de carros, por conta dessa necessidade e da evolução física”, relata. Alexandre ressalta também o desenvolvimento para a mente dos paratletas. “Na parte mental é importante também, pois eles passam a pensar como atletas de rendimento”, finaliza.

Rio 2016
17set2016-bruna-alexandre-jennyfer-marques-e-danielle-rauen-comemoram-a-medalha-de-bronze-conquistada-pelo-brasil-no-tenis-de-mesa-na-classe-6-10-da-competicao-por-equipe-o-trio-derrotou-a-147429091
Equipe brasileira de tênis de mesa na Rio 2016, Danielle Rauen à direita (Foto: Federação Internacional de Tênis de Mesa)

A paratleta Danielle Rauen, de 18 anos, tornou-se uma figura conhecida do tênis de mesa no país este ano. A jovem, que é natural da cidade de São Bento do Sul (SC) e atualmente vive em Piracicaba (SP), conquistou uma medalha de bronze nos Jogos Paralímpicos Rio 2016.

Danielle foi diagnosticada com artrite reumatoide juvenil ao quatro anos de idade. Ela conta que o esporte, além de trazer diversas conquistas, mudou a sua vida de outras maneiras. “O esporte trouxe autoestima para minha vida e prazer em fazer isso, saber ganhar e perder, conquistar e saber que dia após dia isso deve ser trabalhado se não é esquecido rapidamente. Amizades, países e culturas diferentes, e muita felicidade pra minha vida e a das pessoas que me rodeiam”. A paratleta também afirma que sente orgulho em praticar esportes.

3267_tenis_de_mesa_fm05
Danielle Rauen pratica o tênis de mesa há seis anos (Foto: Fernando Maia/MPIX)

Além da medalha de bronze na Rio 2016, Danielle que pratica o tênis de mesa há seis anos, é campeã Parapanamericana, campeã Latino-Americana e tricampeã Brasileira da modalidade. “Antes do tênis de mesa, fazia natação. Conheci o tênis de mesa na escola, como uma brincadeira, e depois virou profissão”, revela.

Bolsa Atleta

Para seguirem nos treinos e nas competições, os paratletas contam com a Bolsa Atleta, do Governo Federal. O valor disponibilizado para os contemplados é de R$ 911 mensais.

O Bolsa Atleta existe desde 2005. O programa é desenvolvido pelo Ministério do Esporte, que patrocina individualmente atletas e paratletas de alto rendimento em competições nacionais e internacionais de suas modalidades.

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s