Cidades

Hostels oferecem hospedagem alternativa e bagagem cultural

Sucesso na Europa, opção de hospedagem se torna querida por brasileiros e tem crescimento de 533%

Sucesso na Europa, opção de hospedagem mais barata se torna querida por brasileiros e tem crescimento de 533% nos últimos cinco anos

Texto: Andressa Magalhães, Bianca Pereira e Daniella Machado

Entre a beleza da praia de Cabeçudas e o morro em sua volta, uma das ruas do bairro quase esconde uma enorme casa branca. Ela fica no topo do morro da rua Daniel Veiga Cugnier. Para chegar até lá, é preciso ir pela rua principal do bairro. O acesso é fácil, apesar da passagem estreita.

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Hóspedes encontram um lugar calmo e cercado de mata nativa (Foto: Andressa Magalhães)

No final da rua sem saída e encostado ao morro, o portão preto automático da casa se abre. Lá de cima, uma voz feminina grita. “Vocês vieram conhecer o hostel?”. Dona Regina Maria Gonçalves, de 69 anos, é quem recebe a equipe de reportagem da Agência Prefixo. A senhora de cabelos brancos, sorriso simpático e bem humorada vive na residência com o filho e é responsável por mostrar o lugar. “A casa é grande e de repente só tinha eu e meu filho, um monte de quarto sobrando, então eu disse: vamos alugar”, explica dona Regina.

A entrada da casa leva para uma cozinha pequena, a sala ampla tem puffs espalhados pelo chão, dando o máximo de conforto para os hospedes. O espaço é dividido em quartos com camas de solteiro, beliches e dois quartos de casal. Outro aspecto que chama atenção é a vista para a orla da praia de Cabeçudas. “O amanhecer aqui é a coisa mais linda”, revela dona Regina. Além disso, o quintal é muito grande e conta com uma área de lazer com diversas opções, academia de boxe, piscina, churrasqueira e sauna.

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Espaço com piscina e churrasqueira é opção para eventos e confraternização (Foto: Andressa Magalhães)

Além de todas as opções de diversão dentro do hostel, a decoração rústica do ambiente também traz uma sensação de bem estar e possibilita que os hóspedes possam desfrutar de um ambiente calmo e de relaxamento.

A ideia de alugar a casa funcionou, já que o espaço era muito grande somente para dona Regina e o filho viverem e há seis meses o local foi transformado em hostel. “Comecei alugando uma casa ali embaixo, aí o pessoal foi gostando e apareceu essa casa aqui e a gente começou o trabalho”, conta Caio Godoy, filho de dona Regina e dono do Hostel House 84. “Iniciamos como guest house, onde mora gente, e agora de hostel com quartos para quatro e seis pessoas. A gente chega a atender de 18 a 22 pessoas”.

Conheça as acomodações do hostel: 

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Segundo Caio, o objetivo, assim como de todos os hostels, é ter um espaço de hospedagem mais alternativa, onde a pessoa vai se hospedar e se sentir mais confortável, como se estivesse em uma casa. “Tem até um quadro que eu coloquei que diz: sinta-se em casa como se fosse a sua casa”, comenta.

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Ex-comerciante, Caio prevê futuro no ramo da hotelaria (Foto: Andressa Magalhães)

Tudo começou quando Caio se hospedou em um hostel no exterior. A partir daí, surgiu a ideia de começar o negócio no Brasil. “Fiquei em um hostel lá e gostei, vi toda a burocracia e comecei”, conta. “Aluguei um quarto numa casa que eu morava e as avaliações foram legais, aí peguei essa casa”. Mas, o início para Caio não foi tão fácil assim, sua primeira avaliação em uma plataforma online foi baixa e isso o desanimou. “A primeira avaliação no booking foi 3.8, foi péssima e me desanimou, mas eu não perdi a vontade”, revela.

De acordo com um estudo sobre tendências feito pela Phocuswright e divulgado pela Hostelworld, uma plataforma online de reservas para este meio de hospedagem, o número de hostels no Brasil tem crescido. De acordo com a pesquisa, o país teve um crescimento de 533% nos últimos cinco anos, no total, são mais de 750 estabelecimentos brasileiros cadastrados no site.

Uma das vantagens de se hospedar em hostel é o baixo preço cobrado na diária. No Hostel House 84, da praia de Cabeçudas, por exemplo, as diárias variam de R$ 70 a R$ 220. “O preço aqui é um pouco acima dos outros hostels”, explica Caio. “Mas, eu tenho a vista como atrativo a mais e de manhã o barulho é só mar e pássaro”, completa. O pacote também oferece café da manhã e aqueles que desejarem podem preparar a própria comida na cozinha da casa.

Viajantes e suas experiências 

A paulista Monise Martins, de 22 anos, é uma viajante por vocação e paixão. Em meio as suas idas e vindas pelas estradas, descobriu a existência de hostels como opção de hospedagem. “Comecei a optar por hostel assim que descobri a vantagem financeira que ele é capaz de te dar”, afirma.

Dona Regina também se apaixonou pelos hostels depois de conhecê-los em suas viagens. “Eu fiquei em tanto hotel, na Europa inteira”, conta. “Em hostel é muito mais barato”. Outra razão para dona Regina preferir esse tipo de hospedagem é a troca de experiências que ela pode proporcionar. “Gosto de ficar em hostel porque tem muito jovem, a gente conversa, é tudo de bom. Conhece o mundo de gente, de tudo que é espaço, cultura, de tudo quanto é lugarzinho”, explica.

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Entre hospedes e os animais, Dona Regina confessa o amor por hospedagens alternativas (Foto: Andressa Magalhães)

Monise, internacionalista por formação, se lembra que ficou pela primeira vez em um hostel na cidade do Rio de Janeiro com uma amiga. “Ficamos num quarto compartilhado com mais uns garotos (o quarto era misto). Tinha um francês que carrego no coração até hoje com todo carinho do universo, um mineiro que é do mundo e um coreano engraçadíssimo. Me lembro até hoje de ter ficado com ele conversando sobre meio ambiente andando até a praia e morrendo de medo de tudo escuro”, relembra.

Das tantas experiências compartilhadas em viagens feitas por Monise, surgiu a ideia de compartilhá-las através de um Instablog chamado Fui & Fomos. “O objetivo é o de compartilhar experiências, histórias, roteiros, dicas e tudo mais relacionado a isso com tudo e todas”, explica a criadora do blog. “O objetivo, no final das contas, é mostrar que no meio da correria do dia a dia você pode alimentar aquele bichinho que se chama: fazer algo diferente e se essa vontade for viajar, pode vir com a gente, porque o Fui & Fomos é o lugar certo para isso”.

A página do Facebook do Fui & Fomos soma pouco mais de 4 mil curtidas, já o Instagram é mais popular e conta com mais de 16 mil curtidores. Apesar do número alto de visualizações nas páginas, Monise conta que não recebem nada a mais por isso. “O Fui & Fomos não ganha nada além de carinho de quem gosta deles, há o anseio de fechar parcerias visando aumentar o conteúdo mostrando nosso projeto, para facilitar as viagens e ter cada vez mais possibilidades de compartilhar com quem participa com a gente”, explica.

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