Bem-Estar

Desculpe o transtorno, mas precisamos falar sobre o bullying

Problema é considerado de saúde pública, mas isso não impede que escolas fechem os olhos para a violência.

Problema é considerado de saúde pública, mas isso não impede que  escolas fechem os olhos para a violência entre os alunos. Em Itajaí, Secretaria de Educação desenvolve projetos sobre o tema

Texto e Edição: Kauana Amine e Miriany Pimentel

O bullying escolar é um tipo de agressão que pode ser física ou psicológica, uma forma de violência sem motivação aparente. A ação ocorre repetidamente e a intenção é ridicularizar, humilhar e intimidar a vítima. Geralmente começa com um xingamento, um bate boca, um apelido maldoso e as pequenas brincadeiras de criança ou adolescente se tornam bullying.

Precisamos falar sobre o tema. É uma das formas de violência que mais cresce no mundo. As vítimas e as testemunhas se calam, os pais não sabem lidar com a situação, as escolas frequentemente se omitem. O problema já é considerado de saúde pública. Programas educacionais e políticas públicas antibullying são estratégias para estabelecer um debate contínuo.

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Ensaio fotográfico antibullying. Modelo: Junior Barros. Foto: Miriany Pimentel

Em 2015, foi instituído, por meio da Lei nº 13.185, o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (bullying), a primeira lei nacional que tem como objetivo prevenir e combater a prática do bullying no país.  Já em Santa Catarina, há, desde 2009, o Programa de Combate ao Bullying, através da Lei Estadual 14.561. No programa são desenvolvidas ações interdisciplinares e de participação comunitária nas escolas públicas e privadas do estado. Na cidade de Itajaí, o Programa de Combate ao Bullying foi estabelecido em 2010, por meio da Lei nº 5518.

O bullying pode acontecer em qualquer contexto social, nas escolas, universidades, famílias, entre vizinhos e em locais de trabalho. A violência é mais conhecida como bullying quando praticada no ambiente escolar. Considerando as ações tomadas e as leis em vigor, o cenário nas escolas não é nada otimista. Foi o que constatou a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar 2015 (PeNSE), divulgada em agosto pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).

Comparando a pesquisa anterior, feita em 2012, o número de casos de alunos que relataram já ter sofrido bullying no ambiente escolar aumentou. Em 2012, eram 35% dos entrevistados, em 2015 o número subiu para 46,6% dos alunos. Crianças e adolescentes que sofrem humilhações podem ter queda do rendimento escolar, desenvolver doenças psicossomáticas e sofrer de algum tipo de trauma que influencie traços da personalidade.

Muitos pais não sabem, mas esse sentimento é muito comum. Quase a metade dos alunos entrevistados na pesquisa (46,6%) diz que já sofreu algum tipo de bullying e se sentiu humilhado por colegas da escola. A maioria (39,2%) afirmou que se sentiu humilhado às vezes ou raramente e 7,4% disseram que essa humilhação acontece com frequência e entre os principais motivos está a aparência.

O trauma provocado pelas agressões verbais ou físicas pode levar à depressão, ansiedade e até suicídio. Essa é uma das preocupações da pesquisa sobre saúde escolar, pois para cada criança ou adolescente que sofre o bullying, há aquele que pratica.  O estudo revela que dois em cada dez adolescentes assumem já ter praticado bullying contra colegas, o número é mais comum entre os meninos.

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Ensaio fotográfico antibullying. Modelo: Junior Barros. Foto: Miriany Pimentel.
Como prevenir o problema na escola

As escolas devem investir em prevenção e estimular a discussão aberta com todos, incluindo pais e alunos. Em Itajaí, a Secretaria da Educação através da Diretoria de Educação Integral e Ações Educativas (DEIN), realiza o programa de Diversidade Étnico Racial de Gênero e Combate ao Bullying.

Segundo Wladimir Roslindo, diretor do DEIN, o trabalho realizado nas escolas municipais é de informação sobre o tema e formação para professores. Uma supervisora é responsável por orientar e acompanhar as possíveis denúncias de bullying no ambiente escolar. “A Secretaria da Educação acompanha o combate ao bullying, se houver denúncia, a supervisora vai atender o caso na escola”, completa.

Outro grupo de apoio nas escolas é realizado pelo Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) com acadêmicos da Universidade do Vale do Itajaí. As ações antibullying acontecem em parceria entre as escolas. São desenvolvidos trabalhos de conscientização, debates e palestras com professores e alunos.

Mesmo com o auxilio do município e de instituições privadas, as questões referentes ao bullying não são fáceis de resolver. A professora Estefânia Tumenas diz ter presenciado bullying em algumas escolas que passou e relata a dificuldade ao se deparar com o tema. “Como professora, não recebemos um treinamento específico sobre como agir em casos de bullying, muitas escolas fecham os olhos e fingem ser atitudes normais de crianças”. Ela acredita que o diálogo pode ser uma forma eficiente de lidar com o problema. “Procuro meios, junto à escola e pais, trazer com diálogo o conhecimento para que tenhamos crianças mais saudáveis.” Estefânia tem duas filhas e também expõe como mãe seus receios em relação ao tema.

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Estefânia (à direita) com as duas filhas. Foto: Kauana Amine

 “O sentimento de saber que seu filho é ou pode ser vítima de violência é um dos piores, pois muitas vezes a escola ou os próprios pais dos alunos que praticam entendem como normal, ou parte da socialização na escola. Deve-se observar com muito cuidado quando uma criança muda sua atitude, em casa e na escola, e creio que orientar, conversar e ouvir os dois lados é uma das maneiras de amenizar este problema” – Estefânia Tumenas

Como identificar vítima e agressor

Segundo Gustavo Teixeira, autor do Manual de Antibullying para Alunos, Pais e Professores, o bullying é uma prática de exclusão social e as principais vítimas costumam ser pessoas mais retraídas e inseguras. Depressão, baixo autoestima, ansiedade e abandono dos estudos são algumas características das crianças e adolescentes que sofrem a violência.

Já os agressores são na maioria das vezes os mais populares, os líderes da turma. Esses alunos costumam tirar proveito dos mais frágeis, colocando apelidos pejorativos e fazendo ameaças. Assim como a vítima, ele também precisa de ajuda psicológica.

O papel da família é fundamental

A família é importante no processo de educação da criança, os pais ou responsáveis devem estar atentos. A escola é essencial pra observar, ver se está acontecendo o bullying, mas os responsáveis precisam estar alerta para o problema. Seja o filho vítima ou agressor.

As dicas a seguir constam na Cartilha Bullying – Justiça nas escolas, produzida pelo Conselho Nacional de Justiça:

  • Fique atento às bruscas mudanças de comportamento.
  • Mostre-se sempre aberto a ouvir e a conversar com seus filhos.
  • É importante que as crianças e os jovens se sintam confiantes e seguros de que podem trazer esse tipo de denúncia para o ambiente doméstico e que não serão pressionados, julgados ou criticados.
  • Comente o que é o bullying e os oriente que esse tipo de situação não é normal. Ensine-os como identificar os casos e que devem procurar sua ajuda e dos professores nesse tipo de situação.
  • Se precisar de ajuda, entre imediatamente em contato com a direção da escola e procure profissionais ou instituições especializadas.
O tema no cinema e tv

Quem não lembra do seriado “Todo Mundo Odeia o Chris”, no qual o protagonista era um garoto negro constantemente vítima de inúmeras formas de humilhação tanto físicas quanto psicológicas? A série retrata de uma forma humorada a infância e adolescência do ator e comediante Chris Rock que, assim como milhares de jovens, sofreu bullying. Entretanto, nem todas as vítimas conseguem superar o que passaram, como Chris.

Vídeo da série que retrata um pouco do que Chris enfrentava:

Todos os dias, alunos no mundo todo sofrem com um tipo de violência que vem mascarada na forma de “brincadeira”. A atitude que até há pouco tempo era considerada inofensiva, hoje recebe o nome de bullying. Tal comportamento pode acarretar sérias consequências ao desenvolvimento psíquico dos alunos, gerando desde queda na autoestima até, em casos mais extremos, a tentativa de suicídio. Como no caso do filme “A Girl like Her”.

Trailer do filme A girl like her:

Além dos citados acima, separamos mais algumas sugestões de filmes e séries que retratam o tema, visando a reflexão e conscientização acerca do bullying.

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Sinopse: Jordi é um garoto de 15 anos que recentemente perdeu o pai e, juntamente com sua mãe, decide mudar sua cidade para começar uma nova vida. E no princípio tudo parecia ir bem. Mas o destino vai reservar um choque, porque quando Jordi ultrapassar o limiar do novo instituto, que retoma, sem saber o transfronteiras escuro do inferno em si. E ele te convida para entrar, com um sorriso de refrigeração, é Nacho, um colega de classe, que apesar de sua idade agora pertence à raça dos que são alimentadas só o medo e a dor dos outros.

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Sinopse: Mary Griffith (Sigourney Weaver) é uma devota cristã que crios seus filhos com os ensinamentos conservadores da Igreja Presbiteriana. Bobby (Ryan Kelley), um dos seus filhos, confidencia ao irmão mais velho que talvez seja gay, o que muda a vida da família inteira quando Mary descobre. Todos da família lentamente entram em acordo com a homossexualidade de Bobby, menos Mary que acredita que Deus pode curar o filho. Querendo agradá-la, ele faz tudo que a mãe o pede, mas fica cada vez mais depressivo e então decide sair de casa.

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Sinopse: Filme homônimo da peça “Bang, Bang You’re Dead”, de William Mastrosimone, que pretende denunciar e combater a violência física e psicológica nas escolas. O filme retrata um professor de teatro e vídeo tentando encenar a peça em um ambiente semelhante ao que é seu foco. Neste filme vemos problemas como falta de diálogo, incompreensão, hostilidade, hipocrisia e tantos outros típicos desta fase da vida.

 

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