Bem-Estar

Atividade física contribui para melhorar a qualidade de vida na terceira idade

Expectativa de vida na terceira idade chega a 72,7 anos no Brasil. Santa Catarina é o estado com o maior índice do país com expectativa de 78,4 anos

Expectativa de vida chega a 72,7 anos no Brasil. Santa Catarina é o estado com o maior índice do país com expectativa de 78,4 anos

Texto: Andressa Magalhães, Bianca Pereira e Daniella Machado 

 “Segunda-feira: vôlei, handebol e hidroginástica
Terça-feira: estudos no CCI
Quarta-feira: vôlei, academia e hidroginástica
Quinta-feira: estudos no CCI
Sexta-feira: dia livre”

O primeiro olhar na agenda citada acima lembra os hábitos e atividades de uma criança prestes a entrar na pré-adolescência. Mas engana-se quem pensa assim. Na verdade, a rotina faz parte do calendário de Tomiko Sato, que completa 80 anos neste mês de outubro.

Há vinte anos, quando tinha 60 anos de idade, Tomiko começou a sentir os primeiros sintomas da chegada à terceira idade: dores nas pernas, na coluna e nas articulações. O susto da mudança de fase preocupou a tímida senhora de origem japonesa, que há mais de 30 anos mora na Vila Operária, em Itajaí. “Doía tudo, então eu tive que começar a fazer atividades o mais rápido possível”, revela.

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Tomiko tem 80 anos e pratica diversas atividades físicas (Foto: Andressa Magalhães)

A atleta pratica aulas de voleibol e handebol para idosos e participa de grandes competições, como os Jogos Abertos da Terceira Idade (JASTI). Além disso, ela faz aulas de hidroginástica e exercícios uma vez por semana na academia pública de Itajaí, onde encontra a companhia de outras idosas. Tomiko conta que no começo as aventuras assustavam os três filhos, mas hoje eles já estão acostumados com a sua rotina. “Meus filhos dizem que eu sou louca, mas só estou cuidando da saúde”, garante.

Outra atividade realizada por ela são as aulas de Educação para Jovens e Adultos (EJA), oferecidas pelo Centro de Convivência do Idoso (CCI). Frequentadora do local há anos, Tomiko relata que as aulas ajudam a mente a raciocinar, mas há dificuldade em relação à disciplina de Matemática, que ela considera a mais difícil.

Colega de turma, Maria de Lourdes Garcia, 73 anos, também frequenta as aulas do EJA ofertadas pelo Centro de Convivência. Diferentemente de Tomiko, Maria, que é Rainha do CCI, aposta nas aulas de Matemática como as melhores para incentivar a memória. “Eu sei fazer conta de cabeça desde nova, mas é bom relembrar. Estamos aprendendo a somar e subtrair, isso ajuda muito a nossa cabeça a lembrar das coisas”, afirma. Além das aulas, Maria conta que uma de suas atividades preferidas é dançar. “Na minha juventude eu dançava muito e agora, com essa idade, não é diferente”, revela.

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Maria é Rainha do CCI e tem como paixão a dança (Foto: Andressa Magalhães)

O Centro de Convivência do Idoso promove, todos os meses bailes, de integração para os idosos que frequentam o local, em duas turmas durante a semana. Na última semana de setembro o evento ganhou o nome de “Baile da Primavera”, em comemoração ao Dia do Idoso, 1º de outubro.

Nesses bailes é possível encontrar uma senhora alta, de cabelos claros e olhos azuis, acompanhada de sua bengala, cantando diversas canções. É Raquel Chini Ferreira, de 74 anos. “Eu venho para o CCI me divertir, inclusive encontrei até um marido aqui, o José”, conta. Em meio a risos, a simpática senhora com ascendência italiana acredita que a música espanta os problemas da vida. “Sempre gostei de cantar e agora arrumei alguém para cantar comigo, apesar dele gostar mais de dança”, acrescenta.

Mais de duzentos idosos participam da tarde dançante no local. A coordenadora Iná Mirna Ponciano Pereira acredita que a dança estimula a coordenação da pessoa na terceira idade. “Fazemos um baile todo mês porque eles adoram dançar. Além da diversão, eles interagem com outros idosos. É uma atividade ótima para o corpo, já que estimula vários sentidos”, conclui.

Segundo uma pesquisa realizada por Jaqueline de Souza e Andreia Metzner, pelo Centro Universitário Unifafibe, de Bebedouro (SP), sobre os “benefícios da dança no aspecto social e físico dos idosos”, a dança melhora a condição física e psicológica do idoso. Além disso, traz mais mais autonomia e autoconfiança nas atividades que realiza no seu cotidiano.

O ex-padeiro Manoel Vieira, 76 anos, comprova na prática essa teoria. Vindo de São Paulo, o aposentado está há apenas dois anos na cidade de Itajaí, e apesar de nunca ter dançado, conta que hoje uma de suas atividades preferidas é a dança. “Eu nunca fui de dançar. Aí um dia vim aqui no baile e as mulheres diziam ‘vem dançar, Manoel!’ e eu não ia por vergonha. Até que uma delas disse ‘não precisa saber, é só seguir a gente’ e agora não paro mais. Vou no salão do Juca e no Barroso todo final de semana dançar também”, relata.

Além de dançar, Manoel caminha todos os dias pela manhã e quando pode, vai até a praia para dar um mergulho e nadar. “Acredito que fazer atividade física me ajuda muito a viver mais e melhor”, afirma.

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Manoel aposta no bom humor e nas caminhadas matinais para melhorar a sua qualidade de vida  (Foto: Andressa Magalhães)

Os idosos no Brasil têm expectativa de vida de 72,7 anos. É o que informa o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas, o IBGE. Esse dado corresponde à quantidade de anos, em média, que uma população vive. Além disso, ajuda a identificar e avaliar a qualidade de vida do lugar em que essas pessoas estão inseridas. No estado de Santa Catarina, esse número chega a 78,4 anos, a maior média de expectativa de vida do país.

A gerontóloga Mariana Almeida, da Associação Brasileira de Gerontologia, cita em seu site que existem alguns fatores que contribuem para a qualidade de vida na terceira idade como: bem-estar físico e psicológico, nível de independência, relações sociais, ambiente de trabalho, lazer e religiosidade. Ela ainda explica que chegar ao envelhecimento com qualidade de vida quer dizer sentir-se satisfeito com tudo que já viveu e criar boas expectativas para o futuro.

Seu Manoel, Dona Maria e Dona Tomiko não precisaram de pesquisadores e profissionais da área para alertá-los sobre os benefícios das atividades físicas na terceira idade. Para eles, o aprendizado da vida e as doenças frequentes desta idade foram os principais motivos para dar início às atividades. “Eu voltei a ser jovem. Agora comprei um skate, que facilita muito a minha ida às aulas de hidroginástica, e me sinto muito feliz”, completa Tomiko.

Itajaí Ativo: sinônimo de qualidade de vida

O programa Itajaí Ativo é uma realização da Fundação Municipal de Esportes e Lazer (FMEL), em parceria com a Prefeitura Municipal de Itajaí. Criado em 2006, o projeto surgiu para promover a qualidade de vida e a saúde dos cidadãos itajaienses, por meio de atividades e exercícios acompanhados por profissionais de Educação Física.

Os grupos se encontram sempre em um ponto específico do bairro, e dali fazem caminhadas e exercícios funcionais. Dona Luci Silva Gustini, 76 anos, é uma das frequentadoras do projeto no Bairro Dom Bosco. Ela conta que o Itajaí Ativo serve de grande ajuda para a sua saúde. “Eu tinha problemas no joelho e na coluna, agora eu me sinto muito melhor fazendo os exercícios. Eu me sinto uma menina!”, comemora.

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Exercícios estimulam criatividade e disposição física dos participantes (Foto:Bianca Pereira)

Não são só caminhadas e corridas que fazem parte do quadro de modalidades do Itajaí Ativo. Os grupos também participam de aulas de voleibol, futsal e pilates, que acontecem na Avenida Beira-Rio, no Bairro Fazenda. Ao todo, mil e duzentas pessoas são atendidas mensalmente pelo programa, dentro de vinte e cinco núcleos que estão espalhados por vinte bairros da cidade. “Não vinculamos muito com os idosos, mas são eles que aderem à maior parte das atividades. Quem ouve falar de Itajaí Ativo já associa a ação com eles”, explica a coordenadora Maíra Naman.

O estudante de Educação Física Lucas Córdova, 21 anos, está fazendo o seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) com o tema “A Qualidade de Vida dos Participantes do Programa Itajaí Ativo”. Ele acredita que a prática de exercícios físicos para a população, principalmente entre os idosos, auxilia no combate e prevenção das doenças predominantes nesta fase da vida. “Avaliar a qualidade de vida dos participantes do Itajaí Ativo é importante não só para detectar patologias, mas também para conhecer o dia a dia do participante, o ambiente em que vive, a condição social, as relações com a família e a sua socialização com outros participantes. Além de verificar as melhorias e os benefícios da prática para o ciclo de vida”, comenta Lucas.

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Participantes praticam pilates ao ar livre (Foto: Lucas Córdova)

O programa não contribui apenas para a saúde física, mas ajuda a saúde psicológica também. Maria Terezinha Belo Cruz, 68 anos, estava sofrendo de depressão, quando decidiu participar do programa. “O Itajaí Ativo me fez melhorar muito. Aqui eu faço amizades que me ajudam a contribuir na saúde mental e no melhoramento do meu corpo”, salienta.

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