Cidades

Desprezado pela maioria, o orelhão passa despercebido no centro de Itajaí

O serviço gratuito disponibilizado pela operadora pouco estimula o uso do telefone público, que geralmente é lembrado apenas em casos de emergência

O serviço gratuito disponibilizado pela operadora pouco estimula o uso do telefone público, que geralmente é lembrado apenas em casos de emergência

Texto e Edição: Miriany Pimentel

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Orelhões  localizado na Praça da Matriz – centro de Itajaí – foram trocados recentemente. (Foto: Miriany Pimentel)

Os telefones públicos, populares orelhões, estão por toda a cidade. Nas praças, calçadas, repartições públicas. Muitas pessoas nem lembram a última vez que telefonaram de um orelhão e a geração mais nova nem mesmo tocou neste tipo de telefone. Nossa equipe foi às ruas centrais de Itajaí verificar a situação dos telefones públicos e conversar com as pessoas que ainda utilizam este meio para se comunicar.  

“É peça de museu?”, pergunta um jovem ao ser questionado sobre o orelhão. Outra pedestre afirma: “Passo todo dia por aqui e nem tinha percebido este orelhão”. Com a popularização dos smartphones e a tecnologia cada vez mais avançada, o tradicional orelhão ficou esquecido. Mesmo a gratuidade das ligações para telefone fixo não desperta o interesse das pessoas. Deixar o celular de lado e usar o orelhão mais próximo é a última alternativa.

Acompanhamos a movimentação das pessoas na praça da Igreja Matriz, no centro da cidade. Após horas de espera, alguém se aproxima do orelhão e faz uma ligação. Débora Cristina da Silva (23) precisou ligar para a mãe que estava em casa, utilizou o telefone público porque o celular estava sem bateria. “Só uso em caso de emergência mesmo, do contrário é somente o celular.”

José Ribeiro (36) apoiava o corpo na perna esquerda, depois na direita. Cansou de falar ao telefone. Ficou aproximadamente 20 minutos conversando com a mãe, que mora em outro Estado. Para ele, o papo longo é devido à gratuidade das ligações. “Se não precisa pagar, vamos aproveitar”.

Quem também fez uso do telefone público foi seu Vanildo Saramento (70), que ligou para a esposa no telefone residencial. Ele conta que alguns anos atrás só usava o orelhão. “Já usei muito o orelhão, ultimamente estou usando porque não precisa de cartão”.

Falando em cartão, foi difícil encontrar bancas ou estabelecimentos que vendem cartão no centro da cidade. Foram cinco tentativas até conseguir comprar um cartão. E o valor unitário está acima do preço estabelecido pela OI. O cartão com 20 unidades é para ser vendido por R$ 2,50 e está custando R$ 6. O de 40 unidades oficialmente custa R$ 5, mas está sendo comercializado por R$ 8.

Você faz uso dos telefones públicos? Veja o depoimento de pessoas que encontramos  utilizando os orelhões.  

Situação dos orelhões

Há pouco mais de um ano, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), através de uma liminar, obrigou as concessionárias a fornecerem ligações gratuitas dos orelhões para telefone fixo em todo o país. A empresa Oi, responsável pela telefonia na região litorânea de Santa Catarina, foi punida por não cumprir os índices de funcionamentos dos telefones exigidos pela Anatel, 95% para cidades que tenham apenas o serviço de telefonia pública e 90% para os demais municípios, caso de Itajaí.

De acordo com os dados do mês de agosto da Anatel, o município de Itajaí tem um total de 806 orelhões, dos quais 18 são adaptados para pessoas com deficiência (cadeirantes) e dois com adaptações para pessoas com deficiência auditiva. Nossa equipe analisou a situação de 103 orelhões das principais ruas do centro da cidade e dos bairros Vila Operária e Fazenda.

Seis telefones não estavam funcionando: dois deles, com sinal de vandalismo, estavam quebrados e os outros quatro com algum tipo de defeito. Muitos dos antigos equipamentos – identificados pela cor azul – foram substituídos por aparelhos de cor preta. A má conservação de vários telefones ainda é visível. A ferrugem tomou conta da plataforma metálica e a pintura do orelhão está desbotada, em outros casos descascada. A parte interna do telefone público se tornou um espaço para propagandas, com anúncios de concursos e números de moto táxi. Técnicos contratados pela Oi afirmam que a manutenção nos aparelhos é realizada regularmente.  

Confira no mapa, locais em que os telefones públicos não funcionam.

Fique Ligado!

Fique Ligado é um site criado pela Anatel para exibir informações sobre o setor de telecomunicações ao consumidor. A plataforma traz ferramentas para consulta, sendo possível obter dados como a quantidade de orelhões instalados em cada estado e município. Também apresenta detalhes que possibilitam visualizar as características de cada aparelho, número e localização. O sistema alia interface gráfica a mapas digitais.

 

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