Entrevista

O árduo caminho das letras

Aposentada como professora, Maria possui uma cadeira na Academia de Letras Blumenauense e escreve poesias, romances e livros infantis.

Aposentada como professora, Maria de Lourdes Scottini Heiden possui uma cadeira na Academia de Letras Blumenauense e escreve poemas, romances e livros infantis.


Texto: Adrielle Demarchi

Formada em Letras pela Universidade Regional de Blumenau (FURB) e aposentada como professora de língua portuguesa, Maria de Lourdes Scottini Heiden escreve poemas, romances e livros infantis. Hoje possui uma cadeira na Academia de Letras Blumenauense, mas conta que a sua trajetória não foi fácil. Com pouco incentivo na região, o que faz com que a escritora continue investindo na carreira é a sua paixão pela literatura e por incentivar os jovens nessa área tão gratificante. Nesta entrevista, Maria de Lourdes fala sobre sua carreira, o mercado editorial e a luta dos escritores por reconhecimento na região.

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Maria no lançamento de seu último livro. (Foto: Acervo pessoal).

– Você sempre sentiu que queria ser escritora?

Aos onze de idade tive minha primeira experiência como escritora. Eu ouvi um poema narrado numa cena de novela e, inspirada, escrevi o meu primeiro poema. A partir desse episódio, comecei a escrever poemas, pequenos contos etc.

– Quando decidiu começar a carreira e se lançar no mercado editorial?

Eu continuei escrevendo e, mesmo trabalhando nas fábricas da região, sempre achava tempo e lugar para escrever. Aos 26 anos tive minha primeira publicação com a Editora EKO, da antiga Livraria Alemã. Foram dois livros. Depois vieram outras oportunidades com editoras da cidade.

– A vida de escritora é mais fácil do que a vida de professora? Quais os obstáculos da área editorial?

A vida, no sentido de escrever, é mais fácil, mas publicar é difícil. O custo é alto, as editoras não investem em escritores desconhecidos. Enfim, é uma luta árdua.

– Conquistar uma cadeira na Academia de Letras Blumenauense deve ter sido uma honra. Qual caminho foi trilhado até chegar a esse momento?

Escrever, escrever e escrever, além de contatos com os escritores da entidade.

– Em Blumenau existe um cenário favorável para os escritores? Existe incentivo para novos talentos da escrita?

Não. Não existe. Cada qual deve batalhar pelo seu espaço. Há o fundo Municipal de Cultura, mas colocam tantos obstáculos e fazem julgamentos equivocados que, na maioria das vezes, só deixam o escritor frustrado. Eu, definitivamente, não mais participarei dos editais culturais. São só para fazer de conta que a cultura é importante. Quem não é aprovado é humilhado com comentários maldosos e preconceituosos, e quem é aprovado é julgado com rigor excessivo, como se estivesse se apropriando do dinheiro público indevidamente, não por merecimento. Tive as duas experiências e me senti muito mal em ambas. Quando aprovada, trataram-me como se estivesse roubando, e não recebendo a verba. Tudo era questionado, parecia que tinham que achar algo para desabonar. Invocavam até com a posição da logomarca no banner. Quando não aprovada, o parecer foi injusto e preconceituoso.

– Trabalhando como professora, você sente que incentivou os alunos a darem importância e tentarem investir no meio?

Sim. Tive alunos que seguiram a carreira jornalística; outros, a literária. Enfim, encontro sempre alguém que me agradece pelo incentivo recebido.

– A sua paixão pelas letras começou com literatura infantil, romance ou poesia?

Poesia e literatura infantil.

– Quantos livros você já publicou com recursos próprios e quantos produziu com ajuda financeira? Demorou para se estabelecer no mercado e conseguir essa ajuda?

Oito foram feitos com meus recursos. Seis por meio de editais, Lei Rouanet. Teve aqueles que comentei anteriormente: foram dois com a EKO, uma coleção com três títulos com a antiga editora Letra Viva e outros variados com Cristina Marques, uma produtora cultural.

– Os escritores da região são reconhecidos como devem pelo público local ou falta reconhecimento?

Creio que falta muito reconhecimento. Há muito para conquistar. Mas não se pode desistir. Temos de aproveitar os momentos para espalhar a literatura.

– Fale um pouco sobre seus futuros projetos.

Pretendo dedicar-me à literatura infantil. Estou com várias histórias prontas e, para ajudar a crianças a ver no livro uma porta ou janela para o mundo, incluí fantoches como personagens. Desta forma, além de ler, a criança pode brincar e criar novas histórias, desenvolvendo a imaginação e, consequentemente: a criatividade. Neste novo livro, que pretendo lançar ainda este ano, seis personagens são transformados em fantoches. No próximo livro, serão muitos mais.

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