Arte e Cultura Esportes

Capoeira: Arte genuinamente brasileira

A Capoeira é conhecida por ser o único esporte verdadeiramente brasileiro, ou seja, que foi criado e desenvolvido no Brasil.

Mistura de música, arte marcial e dança, a Capoeira é conhecida por ser o único esporte criado e desenvolvido no Brasil.

Texto: Ana Carolina Nasato e Natália Rocha
Edição: Pedro Henrique Homrich 

Com a realização das Olimpíadas no Brasil, muitos esportes e atletas que não são muito valorizados conquistaram alguns muitos de visibilidade. No entanto, a única modalidade esportiva considerada genuinamente brasileira ainda não está entre os esportes olímpicos: a capoeira. Sim, ela é um jogo! Quem não conhece muito bem fica na dúvida: é um esporte? É uma dança? Uma arte marcial? Em novembro de 2014, a Roda de Capoeira recebeu o título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Organização das Ações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

Tudo começou quando os escravos precisavam se proteger dos senhores dos engenhos, na época do Brasil Colonial. Quando eles chegaram, sofreram constantes práticas violentas e castigos de seus senhores, e então criaram o jogo para se defender. Entretanto, eles não queriam mostrar que estavam praticando golpes e, por isso, utilizaram movimentos de danças africanas para confundir seus senhores.

Em Itajaí, uma roda de capoeira que já acontece há 25 anos, sempre no primeiro sábado de cada mês, em frente à Igreja Matriz, reúne capoeiristas e pessoas da comunidade em geral. “Geralmente, começa às 16h e vai até as 18h, mas se o negócio está bom estendemos até umas 19h ou 19h30”, conta Ederson Lanz, ou professor Faísca, como é conhecido. Ederson pratica capoeira há 19 anos, e mesmo com a vida corrida, diz que não consegue parar de jogar.

Faísca já tentou se desligar por algum tempo, mas percebeu que, realmente, não poderia viver sem. “A energia que a capoeira traz é essencial para mim, na hora da roda, quando toca o berimbau, a sensação é muito boa”. Para ele, os momentos bons da capoeira vão além das aulas. As melhores amizades e os principais momentos de sua vida passaram-se ao lado de pessoas da academia. Os alunos e professores da Associação Esportiva de Capoeira de Itajaí (AEC) criaram um vínculo tão grande que transcende as aulas semanais.

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Tornar-se mestre é o sonho do professor Faísca. Na verdade, ser mestre é o ápice de quem ensina capoeira. Antes disso, existem muitos estágios. Eles são definidos por cordões, que mudam de cor conforme a escola de capoeira. No caso da Associação Esportiva de Capoeira de Itajaí, o primeiro cordão é a cor verde. No começo, se o aluno tiver dedicação, a cada ano pode avançar de nível. Quando já pratica, em média, há uns cinco anos, torna-se um “aluno formado”, ou seja, experiente, e pode avançar para o nível de estagiário ou instrutor, como é chamado em algumas escolas.

Existe também o famoso “batizado”, uma prática realizada logo quando o aluno começa a jogar e participa da sua primeira roda de capoeira. “Lá, os alunos jogam com um capoeirista formado e devem tentar se defender. Quando caem no chão, são oficialmente batizados”, explica o instrutor Faísca. Para chegar a mestre o caminho continua, e depois fica ainda mais difícil. As graduações começam a ter espaços de quatro anos. O capoeirista se torna professor formado, depois contramestre e, aí sim, após muitos anos de carreira, consegue ser mestre.

Diferentemente de sua origem, a capoeira hoje não tem o objetivo de ser violenta. A princípio, os praticantes do jogo conhecido como Capoeira Angola, realizavam golpes que podiam ser mortais. Camille Adorno, em seu livro “A Arte da Capoeira”, escreve que na Capoeira Angola “a violência latente nunca se desencadeia e esse extraordinário domínio de paixões mantém a assistência numa incrível tensão de nervos, empolgando a todos numa espécie de hipnotismo coletivo quase indescritível”.

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Crianças e adultos aprendendo as técnicas da Capoeira Regional

No grupo de José Lino Pereira, ou Mestre Careca, de Itajaí, é praticada a Capoeira Regional, um estilo mais tranquilo. Entre os alunos do mestre o lema é: união, solidariedade e força construtora, que significa uma busca pela construção de um mundo melhor, junto com pessoas melhores. Lá, os alunos têm alguns rituais, escritos em uma apostila, e seguem regras para se tornarem pessoas mais determinadas. Eles se preocupam com horários, devem dormir e acordar cedo e tirar notas boas na escola, entre outras recomendações.

Outro quesito em que a capoeira atual se diferencia da inicial, logo quando chegou ao Brasil, é a questão da religião. Por ela ter surgido em terreiros, durante muitos anos foi associada ao Candomblé, mas hoje já não tem mais rituais religiosos. Pode ser praticada por gente de todas as crenças. Inclusive já existem no Brasil grupos de capoeira evangélicos, espíritas, entre outros.

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As aulas da AEC acontecem todas as quartas-feiras

Mestre Careca, que ensina capoeira há 35 anos, calcula já deu aula para mais de 10 mil alunos, entre eles, o professor Faísca. Seu pai nasceu na Bahia e também praticava. Por isso, sofreu influências familiares. O mestre conta que aprendeu com o pai a capoeira antiga, de autodefesa, que realmente era violenta. Com o passar dos anos foi conhecendo o jogo mais a fundo, da maneira que é hoje em dia: uma prática cultural que, em suas palavras, é um misto de música, arte marcial e dança.

 

 

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