Comportamento

O caimento perfeito

O aumento pela procura de roupas plus size e a falta de opções de lojas e modelos faz com que esse público seja mais exigente e preocupado com o mercado

O aumento pela procura de roupas plus size e a falta de opções de lojas e modelos faz com que esse público seja mais exigente e preocupado com o mercado

Texto: Andressa Magalhães e Beatriz Ferreira
Edição: Adrielle Demarchi

Qual seria o corpo perfeito? Baseando-se em um padrão estabelecido por uma sociedade capitalista, o estilo magro se destacaria. Mas a resposta certa é a de que o corpo perfeito é aquele com o qual você se sente bem. Pensando nisso, o mundo da moda vem tentando se adaptar cada vez mais ao seu público. O plus size sempre existiu, até já foi considerado padrão de moda, mas demorou a conquistar um espaço mais visível. Nos dias atuais, as lojas vêm se adaptando ao público que sofre para encontrar uma roupa na qual possa sentir-se confortável.

Aos 21 anos, a modelo catarinense Raphaella Tratsk Lancini leva na bagagem títulos como o 1° lugar no “A Mais Bela Gordinha do Brasil”, em 2013, “Miss Plus Size Santa Catarina”, em 2014, e também o 4° lugar no “Miss Brasil Plus Size”. Raphaella explica que sempre gostou do seu corpo, porém, a forma como outras pessoas a viam incomodava. “Aceitar o meu corpo foi um processo estranho, pois eu nunca me achei feia, sempre achei que era perfeita gorda. O que me incomodava eram as pessoas que não entendiam como eu poderia gostar de mim assim. Então isso me levava a duvidar da minha beleza e acreditar que era feia, ridícula, e procurar métodos para emagrecer”. Antes de entrar na carreira de modelo ela não conhecia a moda plus size e quando ia às lojas não era uma tarefa fácil. “Tudo era largo, nada condizia com a minha idade”, revela.

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A modelo plus size Raphaella Tratsk. (Acervo pessoal).

A microempresária e modelo Bruna Pereira, de 28 anos, conta que foi fácil a aceitação do seu corpo. Com o mercado de roupas plus size crescendo, Bruna encontrou mais variações, que, além de tudo, a deixam confortável. Para ela, “o plus size fez com que as mulheres se sentissem naturais e bonitas de forma incondicional”. Com a demanda do mercado exigindo cada vez mais diversidade, há três anos ela resolveu abrir a loja Charmosa Plus Size. Bruna acredita que em grandes marcas esse segmento é mais um jogo de marketing. Cada loja tem seu próprio público, é uma questão do profissional escolher em qual investir.

A comodidade e o conforto que a moda desse segmento traz hoje é algo que deu às mulheres a certeza de que são lindas do seu jeito. A variedade de estilos valoriza cada vez mais o corpo feminino, que está quebrando o padrão magro de beleza. Para Bruna, a moda plus size trouxe segurança. “Não somos mais só um rostinho bonito. Somos mulherões, confiantes, mulheres desejadas, amadas, sexies, poderosas. Somos nada mais nada menos que maravilhosas!”, destaca.

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Para Bruna a moda plus size valorizou esse público. (Acervo pessoal).
Marcas que investem na moda plus size

Nossa equipe saiu às ruas nas cidades de Itajaí e Blumenau e constatou que ainda há muito a se expandir em relação à moda plus size. Existem algumas lojas que investem nesse segmento em suas coleções de roupas, mas com pouca variedade e preços altos. Outras lojas especializadas em plus size oferecem mais opções de modelagens, cores, texturas, recortes, mas são difíceis de encontrar.

Esse público é crescente e vem conquistando seu espaço no mundo da moda. Em Blumenau, no principal shopping da cidade, o Neumarkt, apenas uma loja possui roupas plus size, a Marisa. Com pouca variedade e modelos que não são adequados ao corpo das mulheres acima do peso, as roupas vão do tamanho 48 ao 54. Ocupando apenas três araras na loja, ainda deixa a desejar para esse público. No centro da cidade, apenas a loja Barato Mania possui roupas nos chamadas “tamanhos nobres”, que são apenas básicas e sem adereços.

No Itajaí Shopping, no litoral de Santa Catarina, também são poucas as opções. A Riachuelo é umas das poucas lojas que investem no ramo, mas pouca coisa. No centro da cidade, a Pernambucanas possui uma coleção plus size. As roupas são bonitas e estilosas, mas o fato de ser uma das únicas na cidade faz com que todas as mulheres acima do peso tenham roupas parecidas.

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São poucas as lojas que oferecem moda plus size, e as que oferecem não investem em números acima de 54. (Foto: Adrielle Demarchi)
Aceitação de quem você é

Algumas mulheres sabem lidar melhor com seu peso, não dando importância ao que outras pessoas dizem ou até mesmo ao que a moda impõe. A cabeleireira e maquiadora Renata Libardo, de 28 anos, é uma dessas mulheres. Ela conta que sempre soube lidar bem com seu peso. “Nunca foi um grande problema”, garante. Para pessoas que usam manequim acima do “padrão”, escolher roupas nem sempre é uma atividade prazerosa. Muitas vezes as únicas roupas disponíveis acabam não valorizando o corpo da mulher. “Roupa sempre foi complicado. Minha mãe fazia muitas peças para mim. Apesar de ter manequim 46, é difícil achar peças e modelagens acessíveis”, conta Renata. Quando se trata das grandes marcas, ela fica feliz em comentar sobre como muitas estão aceitando e se adaptando mais e mais para atingir todos os públicos. Para ela a moda plus size vem empoderando muitas mulheres e trazendo mais autoestima, aceitação, respeito e bom humor.

A necessidade de chegar mais perto do público faz com que cada vez mais marcas se especializem no assunto. É o caso da Emma Bela, marca da estilista Daniela Formagi, que trabalha com roupas dos números 42 a 58. Ela explica que a produção de um tamanho grande requer a compreensão de que não basta reproduzir uma roupa tamanho P em um XG. É necessário adequar modelagens e fazer com que a roupa se encaixe no tamanho do corpo proposto.

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A maioria das roupas são básicas e sem adereços. (Foto: Adrielle Demarchi)

Moda é para todos. Por isso os tamanhos considerados fora dos padrões merecem, assim como os outros, seu espaço no mercado, que foi alavancado com o advento das redes sociais e da internet. O mercado de trabalho acolheu essas oportunidades e várias lojas de roupas exclusivamente plus size surgiram. Em 2006 nasceu a primeira revista especializada nesse ramo, a Revista Plus, que passou a ocupar um espaço até então inexplorado.

A empresa de Daniela começou a se adaptar aos tamanhos grandes há 4 anos, para atender as necessidades de um público que precisava e ainda precisa de atenção. Segundo Daniela, as roupas plus size têm um custo maior porque geralmente consomem mais matéria-prima e também pela maior dificuldade em encaixar moldes de tecido. Mesmo assim, esse mercado ainda é carente. Poucas marcas produzem peças realmente grandes, acima do tamanho 50. A estilista conta que o público procura um diferencial e as mulheres estão mais exigentes. “Elas querem se vestir bem, ser  valorizadas e estar na moda, e geralmente não se importam em pagar por isso”, argumenta. Por isso, é importante as marcas investirem nesse segmento cada vez mais, pois para a estilista, os tamanhos grandes são os que sempre vendem mais.

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