Opinião

Peça musical leva ficção bem humorada sobre X-Men para os palcos catarinenses

Grupo de atores que se reuniu na Udesc levou a peça pela primeira vez para fora da capital catarinense

Grupo de atores que se reuniu na Udesc levou peça de humor inspirada na história dos X-Men pela primeira vez para fora da capital catarinense

Texto: Adrielle Demarchi
Fotos: Facebook do X-quem

Você já pensou o que aconteceu com os mutantes cerca de 300 anos d. W. (depois de Wolverine)? Os filmes só mostram o Instituto Xavier até a explosão que atingiu os calouros, mas qual foi o destino anos depois desse acontecimento? É com muito humor que o espetáculo X-quem, do grupo de teatro X, de Florianópolis, apresentou uma perspectiva do futuro dos mutantes. Pela primeira vez se apresentando fora da capital, o grupo levou o espetáculo para as cidade de Rio do Sul e Tubarão.

A peça começa, como em toda história dos X-men, com os conflitos entre os humanos e os mutantes. O governo agora quer identificar todas as pessoas com poderes especiais. A Capitã Ruby, uma das únicas a sobreviver na explosão do Instituto Xavier, sai a procura de novos recrutas para fazerem parte de seu time. Ela acaba encontrando três jovens com poderes, o Reborn, que é imortal, o Ampulheta, que para e volta no tempo, a Detox, que pode ouvir as frutas, e sua eterna maçã, a Brigitte. Ela os treina para que possam estabelecer a paz mundial e lutar contra o mal, pois como sempre na época a. W. (antes de Wolverine) os mutantes do Instituto ainda possuem oponentes mutantes do mal.

A capitã Ruby, dona de uma super força, agora comanda a chamada Aliança Pacifista e luta contra a Liga Rebelde, liderada pelo Doutor Estrogênio, que possui em seu time o Delírio, que com um olhar faz as pessoas fazerem o que ele quiser, e o Chapa Quente, que queima tudo em que encosta as mãos. A peça aborda temas da ficção e da fantasia e traz de forma bem humorada uma história cheia de referências aos X-men, além de abordar temas como opressão e preconceito. Os músicos também fazem parte do show e ficam presentes no palco durante toda a peça. O Desgenerado é o tecladista e Tobby o baterista, mutantes antigos na Aliança Pacifista, mas que preferiram investir na música ao invés de seus poderes.

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O musical dura pouco mais de uma hora. (Foto: Clara Meirelles).

A peça utilizou muitos termos clichês e engraçados para aumentar o humor presente na história. Impossível não rir durante quase toda a peça, que durou um pouco mais de uma hora. As músicas ajudavam a contar a história e foram um bônus a mais na peça. Todos os atores cantavam, mas algumas vezes era difícil entender uns trechos da música que ficavam muito baixos. Talvez seja a falta de uma estrutura mais adequado no espaço alternativo da Fundação Cultural de Rio do Sul. Fora isso, o musical superou as expectativas e não sufocou a história, como algumas peças em que as músicas predominam sobre a atuação dos atores.

O espetáculo foi feliz ao abordar temas como opressão e preconceito. Os próprios mutantes possuíam poderes considerados inúteis pela Capitã Ruby, que considerou a nova geração de mutantes inferior às gerações passadas. Durante a história, os mutantes acabaram demonstrando sua importância, até a própria Brigitte, que ajudou a mudar o rumo da história fazendo com que a Capitã percebesse o seu julgamento errado. Outro preconceito foi com o Reborn, que quando descoberto pela equipe ainda não sabia seu poder, e ainda levava a peso de ser filho de um dos mais importantes mutantes de todos os tempos, gerando suspeitas e pena de seus parceiros de equipe.

Os músicos tiveram alguns poucos destaques, mas essas aparições sempre foram engraçadas e fizeram o público rir muito, mesmo que eles não falassem durante essas aparições. Talvez eles pudessem ser explorados um pouco mais, mesmo sendo mutantes que desperdiçaram seus poderes e não faziam parte da trama em si. Outro diferencial na peça foi a inserção de comportamentos atuais, como as selfies. Era comum os atores durante a peça tirarem selfies quando iam fazer mal em asilos ou antes de tentar dominar o mundo (Liga Rebelde), mostrando um comportamento comum entre as novas gerações e dando um toque de modernidade na peça.

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A peça abordou a busca pela identidade e pelos poderes dos mutantes. (Foto: Clara Meirelles).

A divulgação foi grande sobre a apresentação, mas poucas pessoas se encontravam na plateia, o que demonstra a falta de interesse do público em eventos culturais. É importante trazer mais eventos como esse para estimular o público e tentar reverter essa falta de interesse das pessoas. A Fundação Cultural de Rio do Sul é uma das que mais investe no meio na região do Alto Vale, mas a cultura de apreciar eventos desse tipo ainda é muito pequena. Muitas pessoas da plateia eram da família de um dos atores, que é riossulense, faziam parte do meio (muitos atores da cidade ou trabalhadores da parte cultural) ou eram patrocinadores. Com o valor de R$ 10, o espetáculo era acessível a todos.

Por ser um grupo formado há pouco tempo dentro da Universidade Estadual de Santa Catarina (Udesc), o espetáculo trouxe temas importantes em um teatro bem humorado e musical, estilo com pouco investimento na região. A vontade e alegria dos atores e da diretora, Audrei Hüllen, ficaram visíveis e é isso que faz uma peça ser boa ou não, o comprometimento e satisfação que os atores têm com o seu trabalho. A peça é recomendada para todos que querem assistir à algo diferente e se divertir com a família.

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