Tecnologia

Cenário digital influencia crianças na escolha de suas futuras profissões

Apesar de a maioria das crianças ainda escolherem profissões consideradas tradicionais para exercer no futuro, existe uma tendência grande para a escolha das profissões tecnológicas

Apesar de a maioria das crianças ainda escolherem profissões consideradas tradicionais para exercer no futuro, existe uma tendência grande para a escolha das profissões tecnológicas

Texto: Ana Carolina Nasato e Natália Rocha
Edição: Pedro Henrique Homrich

Quando se é criança pensa-se em ser um monte de coisa. Algumas mudam toda hora de opinião, um dia querem ser médicos, outro dia querem ser arquitetos e assim por diante. Mas têm também aqueles que já sabem o que querem ser quando crescer desde cedo, e lá na frente, quando os anos passam, os pais se surpreendem ao ver que o filho realmente nasceu para aquilo.

Na verdade, segundo a psicóloga e coaching profissional Raquel Benachio, as crianças têm muitas fantasias e as tendências para as profissões variam de educação para educação. Os filhos não precisam ser direcionados a terem profissões iguais as dos pais, por exemplo. “Desde o começo da vida, os pais devem permitir que as crianças façam suas escolhas, e junto a elas ponderem o que é certo e errado, o que é bom e o que não é, as deixem experimentar. Isso vai influenciar muito no futuro profissional”.

Uma pesquisa feita pelo site Linkedin, uma rede social de negócios, mostra que, entre 8 mil adultos entrevistados, apenas 8,9% exercem a profissão que já queriam ser quando eram pequenos. Outros 21% disseram que não estão trabalhando exatamente no que sonhavam na infância, mas em áreas relacionadas. Esse fato se dá, provavelmente, devido à popularização da internet e às inúmeras profissões que surgem com ela. A ponto, até, das mais tradicionais se adaptarem a esse mundo digital.

Raquel é um exemplo de profissional que se aproveitou das tecnologias para gerenciar um trabalho. Ela conta que mesmo atendendo em seu consultório diariamente, hoje, tem também uma empresa no Rio Grande do Sul que presta consultoria a distância a seus pacientes, e isso só é possível graças à internet. “Se não existisse esse recurso, eu não poderia administrar minha empresa daqui”.

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Os smartphones, tablets e computadores são ferramentas para quem trabalha em um cenário digital. Crianças aprendem cada vez mais cedo a mexer nesse tipo de equipamento

Entre algumas crianças na faixa etária de 8 a 11 anos, as profissões mais comuns ainda são as que prevalecem. Yasmim Metzger Barbosa tem 8 anos e quer ser veterinária. A mãe, Cintia Cristina Metzger, conta que não tem alguém que exerça essa profissão na família. A filha escolheu o que quer ser apenas por gostar muito de animais.

Michelle Montegutte é mãe de Sofia Montegutte Batista, de 9 anos. Ela se considera uma mãe “direcionadora”. Na visão dela, para uma pessoa ter uma profissão inovadora, como a de decoradora de festas, que ela própria exerce atualmente, por exemplo, é preciso antes passar pela experiência de ter uma profissão tradicional. “Eu observo muito as habilidades da Sofia e já vou conversando com ela sobre isso. Desde pequena ela já falou que quer ser pediatra para fazer um hospital pediátrico em Balneário Camboriú, porque as crianças que ficam doentes aqui têm que sempre ir para Itajaí”.

Michelle e Sofia conversando sobre a profissão escolhida

Entre os meninos, o cenário é parecido. Otávio Hais Cardoso tem 8 anos e quer ser médico quando crescer. Já Heitor de Souza Rocha, de 11 anos, quer ser publicitário. Agora, em época de campanhas políticas, ele teve a ideia de trabalhar com esse tipo de publicidade. Aliás, a internet mudou o cenário das campanhas políticas nos últimos tempos. As redes sociais têm sido grande aliadas dos produtores de conteúdo quando o assunto é política. A mãe de Heitor, Débora Luz, acredita que o filho tenha vocação para isso, já que é muito criativo. Gabriel Morgado, também de 11 anos, se inspira no pai, que é professor de matemática da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e quer seguir seus passos.

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Otavio Hais escreveu uma cartinha e fez um desenho contando o que quer ser quando crescer

Em um cenário digital, pode-se observar também profissões diferentes surgindo. As tais profissões inovadoras, que a mãe de Sofia cita. Os famosos “youtubers” e “blogueiros” são um exemplo. Hoje em dia, a visibilidade que produzir vídeos e postá-los na internet dá a essas pessoas chama a atenção das crianças. Da mesma forma, quando elas veem adolescentes, e até mesmo crianças, escrevendo em blogs e aparecendo nas capas de revistas.

Guilherme Ribero, de 11 anos, por exemplo, está em dúvida se quer ser youtuber ou engenheiro. A psicóloga infantil Ana Paula Majcher Petry vê extrema influência do mundo digital na escolha das crianças quanto à profissão. Ela diz que 90% de seus pacientes chegam ao consultório contando que querem ser youtubers, trabalhar com computador ou videogame. Para ela, essa relação da criança com a tecnologia tem dois lados. “Tem um lado legal, bacana, positivo, mas tem um lado que me assusta um pouco, porque hoje em dia essa próxima geração não vê outras possibilidades, está tão ligada no mundo digital que não sabe do resto”. Ana Paula avalia que muitas crianças agem como se só existisse o mundo digital, levando essa relação a proporções exageradas. Na opinião dela, isso é péssimo.

Além dessas, muitas outras profissões relacionadas com a internet surgirão daqui a alguns anos. Uma pesquisa realizada pela Revista de Administração e Inovação da Universidade de São Paulo (RAI) apontou que em 2020 algumas profissões serão necessárias, principalmente no que diz respeito à adaptação de empresas ao mundo digital e às tecnologias. Com a demanda de comodidade, compras online e pesquisas virtuais crescendo, a empresa que desejar permanecer no mercado terá que manter sites atualizados e serviços de atendimento ao cliente online.

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Profissões relacionadas à internet e tecnologia com maior probabilidade de se desenvolver em 2020. Fonte: Pesquisa “O mercado de trabalho no futuro: uma discussão sobre profissões inovadoras, empreendedorismo e tendências para 2020”, da Revista de Administração e Inovação da Universidade de São Pão (RAI)

Para a psicóloga Raquel, as profissões que utilizam bastante a internet como recurso são saudáveis, produtivas e necessárias. Ela concorda que cada vez mais vão surgir ocupações nesse sentido, mas alerta que é importante não esquecer da integração com as pessoas, como por exemplo as crianças se tornam formadoras de opiniões por causa de seus vídeos na internet e muitas vezes, pessoalmente, não conseguem ter a mesma desenvoltura. Outra preocupação da psicóloga é com a veracidade dos fatos. “Internet é terra de ninguém, mas é importante apenas publicar conteúdos que não sejam distorcidos”. De todo modo, a psicóloga Ana Paula lembra que inovadoras ou tradicionais, se alguém não gostar da profissão que escolheu, sempre é tempo de voltar e começar de novo.

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