Bem-Estar

Preocupação de pais e escolas reforça a busca por uma alimentação saudável

Escolas da região estão cada vez mais preocupadas em oferecer um cardápio mais saudável para as crianças. Os pais e responsáveis também procuram por esse tipo de alimentação.

Escolas da região estão cada vez mais preocupadas em oferecer um cardápio mais saudável para as crianças. Os pais e responsáveis também procuram por esse tipo de alimentação.

Texto: Ana Carolina Nasato e Natália Rocha
Edição: Pedro Henrique Homrich

“A saúde começa pela boca”. É o que diz o pediatra e homeopata Juarez Furtado. Para ele, o supermercado poderia ser formado apenas por corredores com produtos que vêm da natureza. Tudo que é processado, embutido ou industrializado não deveria ser consumido. É claro que o ritmo de vida da maioria das pessoas hoje em dia não permite tamanho cuidado com a alimentação, mas quando se trata de crianças o assunto precisa ter um pouco mais de cautela.

A nutricionista Engendra Canziani vai além, diz que está cientificamente comprovado que a nutrição recebida durante os 280 dias de crescimento intrauterino e os primeiros 720 dias de vida do bebê têm papel fundamental para definir o futuro do indivíduo no que diz respeito às habilidades intelectuais, rendimento escolar, nível de colesterol e de glicose. Além disso, diversas patologias – como a arteriosclerose e demais doenças metabólicas que se desenvolvem com a idade, podem ser prevenidas por meio de uma boa alimentação, que inclui a nutrição ainda na barriga da mãe.

Bebês que são estimulados a terem hábitos saudáveis se tornam crianças com uma alimentação mais equilibrada, rica em nutrientes, e assim sucedem até virarem adultos. E é em casa e na escola que essa educação alimentar acontece. A nutricionista Karina Del Prato Silva, responsável pela elaboração do cardápio escolar de uma escola particular de Balneário Camboriú, concorda. “Se é na escola que a gente aprende as coisas, nada mais justo do que a gente aprender a se alimentar lá também”, diz. A nutricionista Brunna Boaventura, professora doutora do curso de Nutrição da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), tem a mesma opinião. Para ela, é no começo da vida que temos mais facilidade em aprender sobre tudo, inclusive sobre alimentação.

A preocupação em oferecer alimentos mais saudáveis está presente em escolas da rede pública da região e também em projetos internacionais. Vinte escolas estaduais da grande Florianópolis receberão o programa do chef britânico Jamie Oliver, chamado Saber Alimenta. A iniciativa de Oliver já foi implantada na Inglaterra e Estados Unidos e tem como objetivo melhorar hábitos alimentares. Para isso, ele investe na educação alimentar das crianças.

Em Balneário Camboriú, uma lei que determina a obrigatoriedade de divulgação do cardápio da merenda escolar oferecidas aos alunos da rede municipal de ensino e núcleos de educação infantil foi sancionada em fevereiro deste ano. Agora, o cardápio das crianças precisa estar em todas as unidades escolares, por meio de cartazes, em local de fácil acesso ou no site da prefeitura da cidade. Assim, os pais e responsáveis pelos alunos podem acompanhar o que seus filhos estão comendo diariamente. O grupo de nutricionistas responsável pela elaboração dos cardápios nas escolas municipais de Balneário Camboriú conta que faz a programação alimentar das crianças com base em uma alimentação balanceada. “Garantimos uma oferta mínima de 200g de frutas e hortaliças semanais por aluno, além de ser proibido o consumo de refrigerantes e frituras”. Algumas escolas da cidade contam também com hortas escolares, uma oportunidade para as crianças entrarem em contato diretamente com o alimento, aprenderem de onde ele vem e desde cedo poderem saber a importância que cada um tem para o organismo.

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Na horta são plantados alimentos como salsinha e alface. Quando estão prontos para a colheita, viram ingredientes das refeições das crianças

Em Itajaí, há aproximadamente três meses, o cardápio escolar desde os alunos do berçário até a Educação para Jovens e Adultos, está disponível no site da Prefeitura.

Os cardápios preparados pelas nutricionistas são divididos por faixa etária. Mais de 40 mil refeições são distribuídas diariamente para os alunos da Rede Municipal de Ensino de Itajaí.

Os nutricionistas da rede municipal de escolas da cidade já fizeram várias mudanças no menu proposto inicialmente pela empresa terceirizada que fornece os alimentos para o setor. Lá, agora, nenhum alimento embutido é aceito. Achocolatados que antes eram consumidos quase que diariamente foram substituídos por sucos naturais, e o leite de vaca, para as crianças menores de dois anos, foi substituído por fórmula infantil. Segundo a Secretaria de Educação de Itajaí, essa mudança no tipo do leite ajudou a diminuir muito o número de surtos de diarreia nos centros de educação infantil (CEIs). No verão de 2014 para 2015, foram 23 unidades com alunos doentes, já na última temporada, de 2015 para 2016, foram apenas sete. Outra curiosidade da alimentação escolar pública de toda região é a possibilidade do cardápio ser variado de acordo com os costumes e restrições da criança. As irmãs Lyang, de origem chinesa, já tinham hábitos vegetarianos antes de frequentar a escola e agora podem continuar comendo esse tipo de alimento no local.

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Para atender as dietas diferenciadas das crianças, como vegetarianismo ou algum tipo de intolerância, por exemplo, existem mais de 58 cardápios. (Foto cedida pela Secretaria de Educação de Itajaí)

Os alunos menores, que ficam nas escolas municipais da região em período integral, têm direito a cinco refeições todos os dias. Patrícia Silveira tem duas filhas que estudam no CEI Cândida Vargas, no bairro de Cabeçudas, em Itajaí. Sofia, de 3 anos, e Maria, de 1 ano e meio, fazem no mínimo metade de suas refeições diárias na escola. Patrícia acredita que é de extrema importância que as meninas tenham uma boa alimentação na creche. “Se elas estão bem alimentadas, se sentem mais dispostas a brincar e mais tarde também a aprender, além da importância para a saúde e o próprio crescimento”. Ela conta também que quando Sofia era menor não gostava de comer feijão. O professor da classe da menina recebeu a mesma reclamação de outras mães. Foi então que elaborou um projeto pedagógico para incentivar as crianças a comerem o alimento. Hoje, Sofia não dispensa um feijão.

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O cuidado ao arrumar a mesa é um atrativo para elas se interessarem por aquele momento
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Quando são maiores, são as próprias crianças que se servem

A alimentação na escola, para algumas mães, é considerada mais saudável do que a alimentação em casa. Raysa Morgana Bento é mãe da Maria Valentina, de 2 anos, que estuda em uma escola particular em Balneário Camboriú. Ela recebe o cardápio semanal colado na agenda da Maria toda semana e considera isso importante não só para saber o que a filha comeu, mas também para avisar a escola caso a criança tenha alguma restrição e ter ideias do que servir em casa. Para Raysa, na escola a alimentação é mais restrita. Em casa, apesar de ela procurar sempre servir refeições nutritivas para Maria, sempre tem aqueles momentos em que não dá tempo de fazer tudo tão balanceado. Quando estão na rua acabam indo em padarias e comendo algumas “besteiras”.

Tanto em Balneário Camboriú, como em Itajaí, o peixe foi introduzido no cardápio escolar. Os nutricionistas do município de Balneário dizem que a maior dificuldade em adicionar um alimento novo no cardápio das crianças é passar pelo teste de aceitabilidade. Os alunos provam a receita e então se verifica a taxa de aceitação e o índice de aprovação. Para o alimento ser introduzido na escola, a média de aprovação precisa ser de 85%. “Para adicionarmos o peixe, por exemplo, tivemos que realizar o teste três vezes”, explica. Para a professora Elisabete Laurindo de Souza, Diretora de Assistência ao Educando da Secretaria de Educação de Itajaí, a maior dificuldade do peixe está sendo com as espinhas. Os peixes com preços mais acessíveis para a quantidade de alunos matriculados geralmente são cheios delas. Sendo assim, os professores e ajudantes não dão conta de fiscalizar todos os pratos das crianças para ver se tem algum. No momento eles estão servindo o pescado apenas uma vez por mês.

As nutricionistas Eugendra e Karina, acham a introdução do peixe no cardápio escolar muito favorável e concordam também que é uma fonte de proteína excelente a ser consumida por crianças, tanto na escola, quanto em casa. Para Eugeandra, são muitos os benefícios de alguns peixes, como o Ômega 3, que favorece funções cognitivas de memória, aprendizado e fala aumentada, consequentemente melhoram o ambiente escolar. Karina sugere preparações com atum, por ser um pescado extremamente nutritivo, rico em proteínas de alta qualidade, fonte de nutrientes importantes e de fácil acesso aqui na região. As duas, no entanto, dizem que é importante cuidar com a maneira em que o peixe é preparado. Se for frito, perde o mérito de alimento saudável.

É notável que a maioria das pessoas está tendo uma preocupação maior com a alimentação hoje em dia. Opções de comidas saudáveis são mais fáceis de encontrar do que antigamente. Nas escolas municipais da região, a mudança é clara e pode ser vista só de comparar os alimentos que eram servidos no ano passado com os deste ano, por exemplo. Angela Haracemiv tem dois filhos gêmeos que estudam no Centro de Educação Infantil Anjo da Guarda em Balneário Camboriú e diz que não tem do que reclamar, gosta muito do cuidado que a creche tem com as refeições que são servidas. Patrícia Silveira está igualmente satisfeita com a alimentação que suas filhas recebem na escola. “Considerando a grande quantidade de crianças, acho que eles cumprem o papel deles, oferecem um cardápio saudável dentro das possibilidades”.


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