Esportes

Jogos Olímpicos faz crescer procura por esportes na região

Fundações de esportes municipais registram aumento na procura por modalidades esportivas após Olímpiadas no Rio de Janeiro

Fundações de esportes municipais registram aumento na procura por modalidades esportivas após Olímpiadas no Rio de Janeiro

Texto: Bruno Golembiewski e Fernanda Vieira
Edição: Daniella Machado

Durante quase todo mês de agosto, o Rio de Janeiro viveu um dos maiores eventos esportivos do mundo, os Jogos Olímpicos. Os melhores atletas de todas as modalidades se deslocaram à capital carioca para mostrar ao planeta e ao Brasil o que de melhor há no esporte.

Além dos esportistas, comissões técnicas, veículos de imprensa e turistas do mundo inteiro, as Olimpíadas mostraram que podem trazer algo mais para o Brasil: um legado olímpico. O Portal da Rio 2016 promete que o evento deixará marcas positivas não só para o Rio de Janeiro, mas também para o país inteiro em setores como os de educação e cultura.

Ainda não se sabe o tamanho da herança deixada pelos jogos, mas uma coisa é certa, ao assistir modalidades que não são habituais, o interesse por praticar ou acompanhar estes esportes tende a aumentar. Ricardo Arruda Souza, do Departamento de Rendimento e Esporte Comunitário da Fundação Municipal de Esporte e Lazer de Itajaí, afirma que a procura por modalidades olímpicas tem aumentado. “Não mensuramos exatamente o aumento da procura pelas nossas modalidades durante as Olimpíadas, mas certamente é algo que motiva as crianças a buscar uma atividade esportiva”.

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A Fundação Municipal de Esportes de Itajaí tem recebido diversas pessoas interessadas em praticar esportes olímpicos (Foto: Bruno Golembiewski)
Itajaí

Durante as últimas semanas, a recepção da FMEL tem recebido mais pessoas interessadas em praticar modalidades olímpicas, até algumas não tão convencionais, de esportes de pouca difusão no Brasil. “Tivemos procuras inusitadas aqui na secretaria, como uma mãe que ligou buscando aula de esgrima para o seu filho e outro pai buscando rugby”, conta Ricardo. “É importante salientar que por não serem esportes muito difundidos na cultura brasileira, o interesse por estes esportes é algo muito legal”, completa.

Balneário Camboriú

Em Balneário Camboriú, não é diferente, a Fundação Municipal de Esportes da cidade tem recebido mais pessoas interessadas em praticar esportes olímpicos. Isso é evidenciado pelo professor Emerson Delagnolli, instrutor de boxe. Ele conta que houve um aumento de 50% na procura, com pessoas de 10 a 20 anos de idade.

No dia 16 de agosto o pugilista Robson Conceição, de 27 anos, venceu o francês Sofine Oumiha na final da categoria até 60kg. O baiano, natural de Salvador, se tornou o primeiro brasileiro campeão olímpico no boxe. Emerson vê a conquista com bons olhos, já que pode mostrar que é possível termos campeões de boxe no país. “Espero que ajude a popularizar mais o boxe, que valorizem ainda mais nossa modalidade”, conclui.

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O boxe é uma das modalidades procuradas nas fundações de esportes (Foto: Arquivo FMEBC)

A professora Aline Lebioda trabalha com vôlei de praia na cidade e se surpreendeu com o aumento da procura entre as crianças. Ela não esperava por isso e ficou muito feliz com a chegada de quatro novos alunos somente essa semana. Aline atribuiu o interesse pela modalidade aos resultados olímpicos. “Dá um ânimo maior para as crianças quando temos ídolos”, explica.

A dupla masculina Alison e Bruno conquistou o ouro. Já no feminino, tivemos a prata de Ágatha e Bárbara e o quarto lugar de Larissa e Talita. Para a professora, a mídia não dá a atenção necessária para o esporte, mas o vôlei de praia está conseguindo mostrar sua importância pelos resultados e, por meio deles, podem aumentar o número de praticantes nas escolinhas.

Sérgio Borba, professor de judô, comenta que houve um aumento de 12% a 15% de procura na academia, com cerca de 8 crianças indo com os pais para perguntar sobre a modalidade. “Viram o judô na televisão e se entusiasmaram a respeito da prática”, explica. Ele ainda espera um leve aumento nos patrocinadores e na verba do COI (Comitê Olímpico Internacional) para o judô, em contrapartida aos bons resultados olímpicos.

Outra modalidade que chamou atenção das crianças durante os Jogos e teve um grande índice de procura em Balneário Camboriú foi a Ginástica Artística. A procura quadriplicou após as apresentações do Brasil durante os Jogos, segundo o professor Guilherme de Oliveira. “Veio muita criança super interessada”, revela. Guilherme explica também que para praticar Ginástica Artística é necessário ter mais de sete anos de idade.

O professor vê dois pontos na procura da ginástica com as Olimpíadas. O primeiro é negativo. Para ele falta divulgação a nível nacional e apoio no país. “Se você for para os Estados Unidos, por exemplo, existem competições de ginástica a cada duas semanas e aqui elas acontecem uma vez por ano com uma Copa ou um Sul-Americano de ginástica”, lamenta. Mas, tudo tem seu lado positivo e para Guilherme os Jogos vieram para valorizar a modalidade.  “As olimpíadas deixaram um legado muito bom porque nós tivemos uma valorização e uma visualização da ginástica como nunca antes vista”, comemora. “Até mesmo pelas medalhas conquistadas pelo Diego Hypolito, Arthur Nory e o Zanetti”, finaliza.

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O Brasil conquistou três medalhas na ginástica durante a Rio 2016 (Foto: Bruna Horvath)
Brasil na Rio 2016

Os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro terminaram com a melhor participação brasileira de todos os tempos, superando os cinco ouros de Atenas e com o maior número total de medalhas. Em Londres 2012, o Brasil trouxe para casa 17, este ano foram conquistadas 19 medalhas, sendo 7 de ouro, 6 de prata e 6 de bronze.

Apesar do bom resultado, o Brasil não atingiu a meta prevista de ficar entre os 10 primeiros colocados no quadro geral, e ficou com a 13ª colocação. O plano, apresentado pelo governo em 2012, também estabeleceu colocar o país entre os cinco primeiros colocados nos Jogos Paralímpicos, que ocorre entre 7 e 18 de setembro. A próxima edição das Olimpíadas acontece em 2020, na cidade de Tóquio, no Japão.

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