Esportes

Paredão das traves: Atleta de BC conta sua experiência na Seleção Brasileira

Carol Reis, de 20 anos, é goleira do time de futsal Fundação Municipal de Esportes de Balneário Camboriú e foi convocada para defender a primeira equipe Sub 20 da história do país

Carol Reis, de 20 anos, é goleira do time de futsal Fundação Municipal de Esportes de Balneário Camboriú e foi convocada para defender a primeira equipe Sub 20 da história do país

Texto: Daniella Machado

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Carol Reis foi campeã Sul Americana com a Seleção Brasileira de futsal (Foto: Arquivo CBFS)

Em tempos de Olimpíadas e com os olhos voltados para o poder das mulheres e suas vitórias nas modalidades esportivas, Carol Reis, de 20 anos, atleta da Fundação Municipal de Esportes de Balneário Camboriú não poderia estar mais feliz. O motivo? Ela sabe como é representar uma nação em um campeonato internacional. E mais, ela também sabe como é vencer e praticar um esporte culturalmente masculino.

Desde criança Carol vivia pelas ruas chutando a bola e brincando de futebol. A brincadeira considerada de menino se converteu na grande paixão da atleta de futsal.  A goleira do time, conhecida como “paredão”, por sempre fechar o gol, alcançou voos altos e chegou longe, sendo convocada para disputar o Campeonato Sul Americano de Futsal. E um detalhe: esta foi a primeira equipe sub-20 feminina da história do país e elas foram campeãs diante da Colômbia.

Ao se informar que a entrevista trataria do tema de sua convocação e também sobre a representação da mulher nos esportes, Carol sequer esperou a primeira pergunta, foi rápida ao dizer “A gente se vê num cenário mundial, onde nossa única medalha de ouro em tantos dias de jogos é de uma mulher. Chega a ser inspirador”, afirmou, na época ainda da conquista de Rafaela Silva no judô.

Carol conta também quando teve seu contato com o futsal, sobre o apoio da família e como foi representar o Brasil no campeonato sub-20 de futsal, que aconteceu em julho, no Paraguai.

Quando ocorreu seu primeiro contato com o futsal?
Aos 12 anos de idade quando me mudei para Balneário Camboriú, através dos professores Leandro, do Silvio e do Clovis. A partir dali já comecei a jogar estaduais por Balneário.

Como é o apoio da família? Eles ficam ao seu lado?
Minha família é a responsável por tudo isso. Já pensei em desistir por não ir para frente o apoio ao feminino, mas eles me deram esse suporte para que eu seguisse em frente.

Como foi receber a notícia da convocação para Seleção Brasileira?
Quando recebi a notícia foi uma surpresa imensa, é uma mistura de emoção que em palavras não tem como descrever.

A mulher no esporte

O que você sentiu ao chegar aonde chegou em um esporte tipicamente masculino?
Não tenho palavras para descrever mesmo. Estar vestindo a mesma camisa que o masculino adulto usa, representando uma nação enorme e entre grandes talentos eu estar numa lista de apenas 14 convocadas para representar todos é um fardo pesado de se carregar e uma pressão enorme, mas muito gratificante.

Em algum momento você sofreu preconceito por ser mulher e participar de futsal?
Sempre tem os olhares que nos desafiam, mas o melhor é ver que os mesmos que duvidam que mulheres praticam esse esporte, são eles quem acompanham, gostam e começam a divulgar por nós também. E tem a questão da homossexualidade, né, que não sei se entra no caso, mas sempre que você disser que pratica qualquer esporte, já dizem e pensam que você é homossexual.

Você esperava toda essa torcida pra seleção feminina de futebol agora nas Olimpíadas tendo a consciência da falta de apoio? Como você se sente com isso já tendo defendido as cores no Brasil, mesmo que por outra modalidade?
Não esperava, não. Esperava pouca visibilidade, mas o fato delas estarem apresentando um bom futebol foi o que agradou aos torcedores que hoje apoiam sempre que podem. É gratificante ver tanta gente assistindo, cantando, jogando com elas, porque lutamos pela mesma causa e elas estão num ponto onde a visibilidade é muito maior e agora estão conquistando o carinho da galera.

Seleção Brasileira Sub-20

Qual a sensação em defender a Seleção Brasileira? Quais as emoções que passam pela cabeça?
Não há palavras para representar uma nação. É uma emoção sem igual, quem luta no dia a dia sabe como é ver seus sonhos sendo realizados, ver que todo seu esforço está sendo recompensado aos poucos.

Essa foi a primeira seleção sub-20 da história do Brasil, né? Como foi representar a primeira vez e ainda sair campeã?
O fato de ser a primeira sub-20 e ainda sairmos campeã de lá aumentam ainda mais minha honra de estar entre as 14 atletas neste sul-americano e aumenta também a expectativa de uma visibilidade maior para esse esporte que muitos amam e praticam. Esperamos que com esse título da “base” seja uma impulsão maior para mais apoios e torcedores.

Para você, quais as medidas que devem ser tomadas pra que o esporte e a mulher no esporte sejam mais valorizados no Brasil?
Primeiro, para mudar o status atual da modalidade e da mulher no esporte precisamos que as pessoas mudem suas mentes, porque de nada adianta tudo favorecer se as pessoas não estiverem apoiando. Não irá haver mudança se o povo não a aceitar. E depois, toda estrutura que as cidades e governos devem dar para apoiar o esporte em geral, mas muitos (governos) quando quebram a primeira coisa que cortam é a verba e estrutura que o esporte tem e se no caso for feminino, é mais certo ainda que encerrem quando precisa de dinheiro. Então, a conscientização da população que o lugar da mulher é onde ela quiser é o principal ponto, e logo em seguida o apoio financeiro do governo.

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