Arte e Cultura

Parceria entre músicos e empreendedores valoriza a produção autoral na região

Parceiros na vida e nos negócios. Artistas no litoral catarinense falam sobre a importância de manter os vínculos.

Parceiros na vida e nos negócios. Artistas no litoral catarinense falam sobre a importância de manter os vínculos.

Texto: Kauana Amine e Miriany Pimentel
Edição: Evandro Ritzel

Nietzsche já dizia que “sem a música, a vida seria um erro”. Independente do estilo, é possível que as pessoas expressem-se através dela, criem laços por gostos similares e identifiquem-se com trilhas sonoras para suas vidas. Entretanto, em um cenário movido pela globalização, por vezes conhecemos a “Indústria Musical” do exterior, os participantes do The Voice de outros países, mas não enxergamos o que está próximo.

Queremos aproximar-nos daquilo que está distante e, por vezes, ficamos distante do que está perto. Entretanto, conhecer a cultura local é importante também.

Ouvindo as batidas dentro de si

Tabatha Pradier, vocalista da banda Saint Pradier, desde criança gostava de cantar ao ouvir seu pai falar que “quem canta os males espanta” para espantar seu medo do escuro. Ela tem um processo de criação alternativo. “Sabe aquele incômodo com a torneira pingando, ou alguém batendo o pé incessantemente? Esses barulhos que de certa forma atazanam a maioria das pessoas, muitas vezes pra mim é uma oportunidade para criar um ritmo, um ciclo”.

Tabatha, Christiano Niederauer e Iuri Marques são amigos de anos. Tocaram em outra banda, mas não vingou. Mesmo assim, continuaram encontrando-se e escrevendo músicas que expressavam as suas vivências. Em março desse ano, a partir do Manifesto da Lagoa dos Patos, eles juntaram-se para tocar. “Em nosso primeiro encontro, durante 8 horas gravamos quase 30 guias de músicas que tínhamos escrito separadamente ao longo desses quase 2 anos longe”. Posteriormente, foram integrados mais dois componentes no projeto, Felipe Caires e Luiz Chakirian, assim o projeto tornou-se uma banda.

“Queríamos viver financeiramente disso, mas no fundo, nos vemos como quatro Heróis de Cervantes e Joana D’arc, que lutam por espaço para simplesmente SER nesse mundo caótico que não nos permite mostrar nossa essência. Então, nos tornamos Saint Pradier” – Tabatha Pradier

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Banda Saint Pradier (Foto: Arquivo Pessoal)

 E o que somos sem parceria?

Saint Pradier é uma das bandas que fazem parte do Coletivo Bandas Organizadas Independetes (BOI) que surgiu em 2014 no litoral catarinense, buscando valorizar as músicas autorais. Tabatha afirma que o coletivo das bandas preza a união: “Se nos unirmos e lutarmos pelo mesmo propósito, que é arranjar os toques em casas de show e bares que façam negociações justas, não haverá a mínima chance de alguém sair perdendo, ficar sem show”.

Seguindo a filosofia de que a união faz a força, em dezembro do ano passado um grupo de amigos inaugurou o “Mercado Pirata”, um pub que fica localizado em Balneário Camboriú. “O conceito que a gente tem é CRACCA: Cerveja, Rock, Arte, Cultura, Comida & Amigos”, afirma Vinicius de Oliveira, um dos sócios do bar. E de todas as letras, eles acham que o último “A”, na verdade fica em primeiro no quesito importância.

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Da esquerda para a direita: Luiz Emilio , Luis Rafael, José Henrique, Matheus Henrique e Vinicius de Oliveira. (Foto: Kauana Amine)

Além dos citados acima, a equipe também conta com mais três componentes: João Gabriel, Rafael Alejandro e Rondinelli Fernandes. Em meio à parceria, eles buscam valorizar as criações próprias, dar voz para o independente, não só na parte da música, mas de arte em geral. “Não é só um bar. O bar é a desculpa que a gente teve para juntar todo mundo e tudo que a gente gosta em um lugar só”, afirma Luis Rafael. E além do bar, eles também propõem a criação e participação em feiras, vendendo livros, CDs, roupas e outras artes.

Equipe “Mercado Pirata” relata experiências.

E já que falamos tanto em conhecer a cultura local…

Não basta falar e não mostrar. Nessa vibe de mostrar a cultura local, a nossa equipe conseguiu músicas quentinhas da banda Mandraga e vai disponibilizar aqui para vocês! Afinal, não basta só falar e não mostrar. Podem deixar nos comentários o que acharam!

Na Borda do Mundo (Single):

Seu Preço:

Remédio:

André Carlos faz parte da banda e contextualiza a história. “A banda Mandraga surgiu através da necessidade de registrar algumas canções que existiam há pelo menos cinco anos. Diante disso, convidei alguns amigos para entraram em estúdio comigo. Mandraga é formada por Nino Alexsandro nos vocais, Danilo Gonçalves na bateria, Fernando Bittencourt no baixo e eu faço as guitarras”. A ideia do nome partiu do livro O fantástico na ilha de Santa Catarina, do ativista cultural Franklin Cascaes, que significa intervenção bruxólica.

O álbum é de estreia da banda e conta com a participação de Chico Martins e Moriel Costa, ambos da banda Dazaranha, ícone de música autoral de Santa Catarina. “A importância dessa parceria está ligada a diversas questões, desde ter o ídolo ao seu lado a compreender o processo de criação sob um prisma completamente diferente do que estamos acostumados”.

Além da banda, André é professor de guitarra e violão no Laboratório da Música em Itajaí. “Muitos confundem o fato de sobreviver exclusivamente da música com a questão do sucesso, mas creio que a grande questão realmente seja como encarar o que é sucesso, Sobreviver daquilo que curto já é sucesso pra mim, simples assim. São escolhas que fazemos na vida, acredito que se você escolhe fazer determinada coisa, vá e faça com gosto”.

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